Após mais de uma semana do seu lançamento na Netflix, A Sociedade da Neve continua no TOP 1 da plataforma no Brasil, além dos números expressivos de audiência também em outros países. Entre 1° e 7 de janeiro, o Milagre nos Andes, como o caso é conhecido, alcançou 22,9 milhões de visualizações.
O filme conta a história de um grupo de jogadores de Rugby que viaja do Uruguai até o Chile. Entretanto, os riscos presentes pela geografia da Cordilheira dos Andes se tornam realidade, e o avião cai com apenas 29 dos 45 passageiros sobrevivendo.
Baseado no acontecimento real, no ano de 1972, o time amador de rugby uruguaio, Old Christians, e inspirado no livro homônimo escrito pelo jornalista Pablo Vierci, que também foi produtor da obra. Presos na neve e sem indícios de resgate, os sobreviventes precisam fazer de tudo para continuarem vivos no local. Entretanto, a situação é calamitosa e não dá indícios de esperança para aqueles que não tem fé. Somente a união de todos, apesar dos problemas que passam dia após dia na neve, podem mantê-los com chances de vida.
O longa é dirigido pelo cineasta espanhol Juan Antonio Bayona, que há 10 anos já havia mostrado ao público os desafios de uma tragédia no filme O Impossível (2012), estrelado por Naomi Watts. Assim como naquela época, Bayona entrega um filme rico em detalhes, diálogos inteligentes e muita emoção. E nesse caso, se eu dissesse o contrário, eu com certeza estaria errado, visto que os próprios sobreviventes destacaram a fidelidade do filme.
A introdução do filme pré-acidente é simples, nada de extraordinária, mas após os primeiros 15, 20 minutos de longa, tudo muda. A cena do avião caindo é um ponto de partida para o telespectador ficar atento ao que vai acontecer com aquele até então desconhecido time de rugby.
Após a trágica queda da aeronave, os desafios começam a aparecer: frio extremo, corpos espalhados, dores, ferimentos, sede e o principal, a fome. Com os chocolates e bolachas d’água tendo acabado, só resta aos sobreviventes comerem carne humana, e de seus próprios amigos já falecidos.
O longa ainda trata o canibalismo da ocasião como um dilema existencial, com os personagens ficando presos a uma dúvida cruel: devo comer parte do corpo de alguém que já foi próximo a mim ou resisto e continuo com a dor de não comer nada há mais de uma semana? A vontade de ingerir qualquer tipo de alimento prevalece naquele momento. Ao longo da jornada de sobrevivência, quem está assistindo o filme mergulha junto nas emoções dos personagens.
Aqueles que no início não tinham destaque, aos poucos viram sinônimo de empatia, principalmente os atores com mais tempo de tela, incluindo o narrador, por tudo o que acontece com cada um deles ao longo do tempo na neve.
Como dito anteriormente, os detalhes são ricos, mas não somente nos objetos. A tristeza, a dor e os poucos momentos de felicidade o qual aquele grupo de jogadores passaram, fazem com que o público vá junto com eles, acreditando na vitória daqueles que conseguiram resistir a diversos percalços que só um filme pode mostrar, e que Juan Bayona conseguiu demonstrar de forma excelente.
A descontinuidade de várias cenas é uma característica negativa deste filme. Talvez o roteiro pudesse ter ampliado o tempo de tela de alguns desafios do time de rugby. Por outro lado, conforme o tempo passa, a imersão na tragédia vai aumentando tanto, que a atenção no longa se transforma em sentimento, na torcida para aqueles que continuaram vivos, possam ser resgatados a tempo de reverem suas famílias. Indicado ao Globo de Ouro e ao Critics Choice Awards como melhor filme de língua não-inglesa, a Sociedade da Neve também deve concorrer ao Oscar 2024 de Melhor Filme Estrangeiro.
por Fabrício Pedroso





