Na última quarta-feira (16), estreou no catálogo da Netflix, a segunda temporada de Castlevania: Nocturne, dando seguimento aos eventos não finalizados ao final do primeiro ano da série do universo de Drácula e companhia. Aqui novamente o público acompanha o trio de protagonistas tentando colocar fim em uma vampira que deseja conquistar o mundo.
A história continua focada nos personagens do primeiro ano da série como o caçador Richter Belmont, a maga Maria Bernad e Annette. O trio segue a mesma linha narrativa deixada em aberto na primeira temporada ao confrontar uma poderosa vampira que tenta subjugar o mundo através do eclipse total e permanente, enquanto tenta evoluir para tornar se uma divindade mais poderosa.
É interessante como esse universo trabalha bem com seus personagens principais. Aqui em Nocturne 2, a direção de Sam Deats e Adam Deats, novamente confronta alguns deles com o passado e o presente a fim de fornecer uma escolha moral que permeia o irracional. A soma de tudo isso é um núcleo bem trabalhado mas desconexo do resto da trama principal em alguns momentos.
Isso nem de longe é algo capaz de deixar um gosto amargo durante a experiência imersiva nesse universo, mas também seria algo irrelevante caso tivesse sido menos trabalhado ao longo da temporada. No fim, a soma de tudo é um produto completamente dentro das quatro linhas seguras construídas desde o primeiro projeto de adaptação deste universo.
Nocturne novamente repete as cenas de lutas fluidas com bastante ênfase nos poderes de cada personagem, afinal, é uma produção que consegue desenvolver as habilidades de cada um de forma bem singular, isso torna a visualização das lutas ainda melhor. Outro ponto bem trabalhado aqui é o designer de cada personagem, porque os detalhes de cada um chama atenção, assim como as alegorias históricas inseridas dentro da narrativa.
A trilha não tem grandes momentos capazes de deixar a audiência sob forte influência, pelo contrário, em nenhum momento durante a temporada chega a chamar atenção, passa completamente despercebido, o que é uma pena já que poderia ser bem melhor trabalhada principalmente durante as cenas mais emocionantes, sobretudo as de ação.
Assim também o roteiro, por mais objetivo que seja a ideia de colocar o núcleo principal perto do perigo iminente, tudo dentro desse processo entre a jornada deles até os eventos principais e finais tem aquele gosto de facilitação barata, e mesmo quando há durante o percurso algo diferente, ainda sim, não é tão bem trabalhado como deveria.
No fim, esse segundo ano tem mais a ver com encerrar os eventos deixado em aberto da temporada anterior, que construir algo novo que pode evoluir para algo maior e mais interessante. Tem bons personagens e um universo vasto e completamente disponível para exploração, mas é preciso pensar sobre como abordar essa gama de informação para produzir algo de fato único.
Não entenda mal, Nocturne não é ruim, é apenas medíocre. Está na lista de obras divertidas e descartáveis após dois copos de água. Como dito acima, tem um potencial inestimável que vai desde os personagens ao rico universo de possibilidades para quem realmente tem o desejo de produzir algo fora da caixa. No fim, a temporada consta no catálogo da Netflix desde o dia 16 de janeiro com oito episódios completos.
por Daniel Guimaraes




