Não é novidade que as grandes empresas responsáveis pela venda de ingressos estão cada vez menos preocupadas em fornecer uma boa experiência para os fãs — desde o momento da compra até o show em si. Na teoria, ingressos mais caros deveriam garantir mais conforto, mas, infelizmente, isso é uma falácia, especialmente em shows de artistas internacionais devido à altíssima demanda.
Muitas vezes, a má experiência começa já no processo de compra, seja de forma presencial ou online. A indignação do público em relação aos absurdos recentes é fundamentada em fatos alarmantes:
Taxas abusivas
Já foram reportadas diversas vezes aos órgãos de defesa do consumidor (PROCON) as práticas abusivas de inserir inúmeras taxas em ingressos que já não são acessíveis. Recentemente, essas taxas chegaram a ultrapassar o valor do próprio ingresso.
Um exemplo marcante é o show de Jackson Wang (integrante do grupo GOT7) com a turnê “Magicman 2 World Tour”. No pacote VIP, enquanto o ingresso custa em torno de R$ 960,00 (inteira), a taxa de serviço atinge impressionantes R$ 2.951,00. Por mais que seja um pacote premium, o valor é injustificável, especialmente porque nem sequer inclui o direito a uma foto (individual ou em grupo) com o artista.
Falhas no momento da compra online
Além dos preços, os fãs relatam instabilidade extrema nos sites de venda — sites estes que cobram “taxas de manutenção” para funcionarem de forma adequada. O resultado são quedas de sistema que exigem o preenchimento repetido de dados e login constante. Para garantir um ingresso, os fãs precisam criar táticas e precauções complexas, transformando o que deveria ser um prazer em uma “missão impossível”.
O grande problema dos cambistas
A situação chamou a atenção da deputada federal Erika Hilton, especialmente após as irregularidades nas vendas para o show do cantor Harry Styles. O que deveria ser um momento de felicidade tornou-se um “show de horrores”: fãs acamparam por dias, mas, assim que as vendas abriram, diversos setores esgotaram instantaneamente enquanto cambistas eram flagrados saindo com maços de ingressos para revenda pelo triplo do preço. A deputada acionou a SENACON e o PROCON-SP para investigar o privilégio dado a esses revendedores ilegais.
Casos semelhantes ocorreram na “Eternal Sunshine Tour”, onde a equipe da cantora Ariana Grande precisou realizar um cancelamento em massa de ingressos comprados por cambistas para tentar devolvê-los aos fãs reais.
A recém-anunciada turnê mundial do BTS, prevista para começar em abril, já gera grande burburinho. Os fãs organizaram cerca de 34 abaixo-assinados exigindo:
– Melhoria na segurança de quem acampa;
– Segurança nos arredores dos estádios;
– Proibição do acesso privilegiado de influenciadores e convidados que, muitas vezes, nem acompanham o artista, mas ocupam os melhores lugares enquanto os fãs reais ficam distantes.
Essa iniciativa é um reflexo da grande insatisfação de shows passados pois muitas dessas coisas não foram anunciadas (como os valores da taxa por exemplo) mas os fãs já sabem como é o grande descaso por parte das produções de evento.
Com a intervenção de figuras políticas como Erika Hilton, podemos esperar uma solução real para essas irregularidades?
É fundamental continuar fazendo barulho nas redes sociais pois as vendas irregulares e as taxas abusivas precisam acabar.
E você? Já passou por algum desses problemas ou enfrentou dificuldades para ver seu artista favorito?
por Nicolas Neves


