Destruição Final 2: o velho problema das sequências

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Os filmes de desastre e fim do mundo já foram um grande fenômeno no cinema, porém essa fórmula foi se enfraquecendo cada vez mais a partir do momento em que o público não se dá por satisfeito com duas horas de terremotos, tsunamis etc. Filmes como 2012 envelhecem mal com o decorrer dos anos por conta de roteiros rasos. O primeiro Destruição Final chamou atenção durante a pandemia por ter uma proposta fora do padrão do gênero, focando na relação entre os sobreviventes. O casal Allison e John Garrity, junto de seu filho Nathan Garrity, sobreviveu aos acontecimentos do primeiro filme e, cinco anos depois, temos Destruição Final 2. O título é contraditório, mas infelizmente essa não é a única contradição do filme.

Quando se escala Gerard Butler e Morena Baccarin como casal principal, espera-se uma química convincente; contudo, a relação familiar é rasa e a evolução dos personagens fica prejudicada por um salto temporal, com o filho aparecendo mais velho. Esperava-se, portanto, uma dinâmica familiar mais rica, mas ao longo do filme tanto os protagonistas quanto os coadjuvantes que surgem na trama não se conectam com o público. Por mais que vivenciem uma sequência de perigos, a possível perda de alguém não tem o peso necessário. Trata-se de um bom elenco principal, porém aquém do padrão de atuação a que nos habituaram.

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O roteiro tenta algo novo, mas a tentativa não é bem-sucedida. O filme carece de criatividade: repetições de acontecimentos tornam a narrativa cansativa. Apesar da baixa classificação indicativa, momentos em que o filme poderia mostrar maior poderio destrutivo, tragédias e mortes, acabam mergulhados num marasmo. Há ao longo da projeção a sensação de que a violência foi podada por questões de censura, o que reduz o impacto das cenas. Um ponto interessante é mostrar como os sobreviventes convivem nessa sociedade pós-apocalíptica, evidenciando que, independentemente do contexto, o ser humano ainda peca pela falta de solidariedade, pelo contrário: quanto mais precária a situação, menor a empatia. Em momentos em que o filme apresenta exceções e gentilezas não correspondidas, entretanto, ganha méritos.

A ambientação é outro ponto de destaque, potencializada pela bela fotografia: o filme apresenta cenários impressionantes, florestas e cidades-fantasma que transmitem muito realismo, e cenas de desastre convincentes. O som é explorado com eficiência nos momentos de tensão; o trabalho de sonoplastia em Destruição Final 2 se sobressai juntamente com a fotografia.

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Destruição Final 2 é um filme que pode divertir e entreter o público, porém decepciona como sequência. Embora dispusesse de mais orçamento e potencial para superar o primeiro título, a continuação apostou no que deu certo no original, ampliando a escala dos acontecimentos, resultado: um filme que poderia ter sido melhor. Por mais contraditório que seja o título nacional, não se surpreenda se, daqui a alguns anos, tivermos um 3º capítulo da saga. Destruição Final 2 não revive por completo o gênero dos filmes de desastre, mas deixa uma fagulha de interesse acesa que pode ser explorada por outros estúdios ou pela própria franquia.

por Richard Henrique

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