A reviravolta que tirou a Netflix do páreo na compra pela Warner Bros.

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No final de 2025, a indústria do cinema e do entretenimento foi surpreendida por uma verdadeira bomba: a compra da Warner pela Netflix pelo valor de 72 bilhões de dólares. O mundo parou, muitos viram o negócio como um renascimento; outros, como a ruína da Warner, não se falava em outra coisa. Ninguém, porém, esperava a reviravolta que viria dois meses depois: a Paramount simplesmente não aceitou a derrota e superou a oferta com uma proposta de 110 bilhões de dólares. Surpreendentemente, a Netflix abriu mão e deixou o caminho livre para que a Paramount comprasse a Warner. Todas essas movimentações têm etapas, e vamos entender seus detalhes.

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A década atual não foi a mais brilhante para a Warner: a companhia teve de se dividir em duas, separando seus estúdios e unidades de streaming: HBO, DC e Warner Bros. de seus canais de TV: CNN, Discovery e TNT. A mudança visava destravar valor, reduzir dívidas e permitir que cada unidade se concentrasse em seu foco; porém isso não evitou o acúmulo de mais de 50 bilhões de dólares em endividamento. A situação caminhava para um desfecho ruim até que a companhia se anunciou no mercado e Netflix, Paramount e Comcast entraram num páreo duro que, segundo o Tudum, já estava, mas a Paramount não recuou

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A Netflix, que aguardava apenas a tramitação burocrática da compra para iniciar suas primeiras movimentações, foi surpreendida pelas investidas cada vez mais robustas da Paramount contra a Warner. Segundo o contrato, caso esta última cedesse a outra empresa, a primeira teria quatro dias para tentar cobrir a oferta; contudo, optou por não entrar em leilão e retirou-se da disputa.

Não mudamos muito o que oferecemos, além de ser em dinheiro, o que faria o processo andar mais rápido. Fico feliz que entramos na disputa e feliz de ver aonde saímos. Soubemos na hora, quando recebemos a mensagem na quinta-feira, que eles tinham feito uma oferta maior e os detalhes do acordo. Sabíamos exatamente que era a hora de desistir.” – Ted Sarandos – CEO da Netflix em entrevista ao Bloomberg.

Essa felicidade não reflete apenas a disciplina financeira da empresa, mas também o impacto no mercado. As ações da Netflix subiram 10% após o anúncio da desistência, além da multa de US$ 3 bilhões que a companhia receberá em decorrência da quebra de contrato pela Warner.

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A Paramount está de olho na Warner desde setembro de 2025, tendo inclusive o apoio do presidente americano Donald Trump e de seus apoiadores. Além disso, diferentemente da Netflix, que só iria comprar os estúdios, a Paramount sempre visou o pacote completo, estúdios e canais de TV, principalmente pelo teor político da mídia; o presidente deixou claro que quem comprasse a Warner deveria “dar um jeito” na CNN, e o CEO da Paramount, David Ellison, é visto como aliado do presidente. Assim, a Paramount trouxe uma oferta de US$ 31 por ação da Warner, totalizando mais de US$ 110 bilhões, superando a Netflix com folga. No contrato anterior, a Netflix já havia confirmado que não mudaria o modus operandi da empresa; até o momento, a Paramount não fez o mesmo pronunciamento, o que pode impactar projetos como o DCU de James Gunn e a série de Harry Potter. Será que HBO Max e Paramount+ se fundirão em um único streaming? Como isso irá impactar o valor das assinaturas?

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A junção da Warner com a Paramount tem um potencial midiático interessantíssimo: agora teremos os desenhos do Cartoon Network e do Nickelodeon sob o mesmo domínio, crossover entre Avatar e a DC? South Park, que sempre alfinetou a Disney, agora teria a Warner oficialmente ao seu lado. Bob Esponja e Pernalonga juntos teriam um potencial enorme, quem sabe um Space Jam 3? Muitas possibilidades estão em jogo; veremos, com o decorrer do tempo, os primeiros passos da Paramount sob o controle da Warner.

por Richard Henrique

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