[Cabine da Pipoca] Uma adaptação da obra de Nelson Rodrigues proibida e premiada

O filme lançado em 1973, dirigido por Arnaldo Jabor e que gerou uma situação extraordinária em seu lançamento, e com tanto sucesso foi representante oficial do Brasil no “Festival de Berlim”, enquanto nesse meio tempo o General Antônio Bandeira, chefe do serviço da censura, achou imoral, ordenando a proibição do longa. Mas foi novamente liberado, após ter conquistado o festival.

“Toda Nudez Será Castigada” é um longa baseado na peça de teatro homônima de Nelson Rodrigues, e conta a história de um homem puro que tinha tido apenas uma única mulher na vida e promete para seu filho que não teria outra, todavia Patrício dependente dele numa crise de desespero de Herculano mostra uma foto de Geni, uma cantora e prostituta.

Após embebedá-lo, Herculano vai até a zona e encontra Geni, onde passa a noite com ela.
Depois a renega por solidariedade, pois a prostituta havia dito que estava com um caroço no seio, alegando que sempre teve certeza que sua morte viria através de um câncer, até ai já era tarde demais, pois ambos estavam apaixonados.

Herculano leva Geni para viver em sua casa de campo, e seu irmão Patrício leva Serginho (filho de Herculano) para ver o pai e eles o encontra com a prostituta, o filho bastante aborrecido e chateado com a situação, vai até um bar e embriaga-se e briga com um cara qualquer, indo parar na delegacia. Lá ele foi estuprado por um ladrão boliviano.

Herculano culpa Geni, que quase vai embora, mas em uma visita deles a Serginho no hospital, ele diz que quer ver o pai casado com a puta.

No entanto, atendendo ao pedido do filho, Herculano se casa com a garota de programa, e Serginho passa a ser amante dela, traindo o ingênuo do pai.

Tempos depois, Patrício diz a Geni que viu seu filho fugindo com o ladrão boliviano, o que a deixa desesperada e acaba se matando, mas antes amaldiçoa Herculano, Serginho e toda a família.

Como todas as obras de Nelson Rodrigues, a obra fala da hipocrisia das famílias tradicionais. A primeira versão da adaptação foi gravada em 1973, e em 2012 a peça ganhou uma nova visão, com novo elenco e dirigido pelo renomado diretor de teatro Jorge Farjalla, em seu sétimo filme da série EnCURTAndo Nelson.

Assista o trailer da adaptação da obra de Nelson Rodrigues filmada em 2012:

Por Patrícia Visconti

[TOTAL FLEX] A Casa de Bernarda Alba: Um Drama sobre a vida, o amor e a morte

Após o êxito estrondoso no último 21 de março, reestreou na primeira semana de maio o espetáculo de “A Casa de Bernarda Alba”, no Teatro do Ator, em São Paulo.

A adaptação da obra de Federico García Lorca, revivendo um drama de 1936, mas com um desenvolvimento diferente dos já  apresentados anteriormente, mostrando aspectos dos identificados nas entrelinhas do texto, que só podem ser percebidos por um leitor assíduo e incansável da obra.

Dirigido por Marcelo Dias César e Néia Barbosa, que já tem uma longa história desta dupla na direção, pois juntos já dirigiram “Quarto de Estudante”, de Roberto Freire; “Performances”, de Murilo Dias César; “Game Over”, de Wilson Fumoy e “Rapunzel” de Walcyr Carrasco.

A peça também traz um grande diferencial, mostrando uma releitura feita as personagens da obra, de forma mais agressiva e moderna. Tomando outro vieses à peça, aprofundando mais da alma de cada personagem, já que todos são intensos e carregados de histórias, além de mostrar personalidade forte, fazendo com que os atores invistam em uma rigorosa interpretação verticalizada, trazendo a ideia de as personagens são indivíduos humanos com histórias de vida e valores, e não simplesmente arquétipos pré-estabelecidos.

Uma história forte, comovente, emocionante, que com certeza fará os espectadores sair do teatro com uma visão diferente a que entrou em relação a sociedade, família, rotina, amores e desamores.

Sinopse:
Bernarda Alba é uma matriarca dominadora que mantém as cinco filhas, sob vigilância implacável, transformando a casa onde vivem em um caldeirão de tensões prestes a explodir a qualquer momento. Com a morte de seu segundo marido, a mãe decreta um luto incansável de oito anos. O provável casamento da primogênita desencadeia uma disputa cruel e perigosa com consequências trágicas para a família.

Ficha Técnica

Direção: Marcelo Medeiros e Néia Barbosa
Produção: DOM Produções
Texto: Federico García Lorca
Figurino: Marcio Rodrigues
Trilha composta e executada: Kauan de Medeiros

Elenco:
Theo Moraes como Bernarda Alba
Pôncia: Samara Pereira
Martírio: Carol Hubner
Adela: Dani Salmoria
Madalena: Renata Fazanella
Amélia: Carol Ghirardelli
Angústias: Vanessa Friggo
Criada: Monica Negro
Prudência / Maria Josefa: Néia Barbosa

Serviço:
A Casa de Bernarda Alba
Obra Original: Federico García Lorca
Temporada: De: 21/03 até 23/05
Datas de apresentação: Quintas-feiras, às 21h
Ingressos: R$ 40,00 (meia: R$ 20,00)
Local: Teatro do Ator
Endereço: Praça Franklin Roosevelt, 172 – Consolação – São Paulo – SP
Telefone: (11) 3257 3207
Censura: 16 anos
Duração: 70 min.
Gênero: Drama
Quantidade de lugares: 110
Não tem venda pela internet.

E ai, curtiu o drama de “A Casa de Bernarda Alba”?

Quer ganhar dois convites para assistir esse espetáculo comovente e emocionante, com muito drama no Teatro do Ator, então curta nossa página no Facebook e saiba como participar do nosso concurso cultural que levará você e um acompanhante para assistir uma grande obra de Federico García Lorca.

Cabine da Pipoca

por Estela Marques



Conheço – e você certamente conhece também – pessoas que idolatram uma obra após assistir sua adaptação dos livros para o cinema. Um importante teórico da comunicação chamado Marshall McLuhan disse um dia que a exploração de todos os sentidos atrai mais a atenção humana do que o uso de um ou dois. A ideia deste mocinho explica e me permite compreender a afirmação que fiz no começo desse texto. Nessa tentativa ousada de atrair maior quantidade de pessoas, existe a possibilidade de nem sempre os roteiristas dos filmes conseguirem representar tão bem a obra que adaptaram. Este não foi o caso de O Caçador de Pipas.

Muito embora o filme resuma bastante a obra, dê menos atenção do que deveria a um dos momentos mais emocionantes do romance de Khaled Hosseini – a infância de Amir e Hassan – e falhe no detalhe da ausência de uma interação maior entre as personagens, críticas afirmam que o livro foi fielmente representado no longa de Marc Forster. 
Um dos destaques da adaptação, senão o maior, é a semelhança entre a descrição das personagens com os atores da afegã Cabul (cidade da primeira parte do romance) escolhidos para cada papel. Fala-se, inclusive, que durante as filmagens o próprio Khaled desconstruiu a ideia que tinha das personagens ao descrevê-las em seu livro quando observou pessoalmente seus intérpretes. Espetáculo à parte foram as cenas do torneio de pipas, como destaca Luisa Valle em texto para o Globo Online. Também chama atenção o cenário usado nas filmagens, que trouxeram para as telonas dos anos 2000 um oriente médio de acordo com seus conflitos vividos nos anos 1970 e, mais tarde, em 1990. 
Apesar de concordar com McLuhan quanto à sua afirmação sobre obras e os sentidos humanos, completo seu raciocínio com um porém. Sim, a exploração de uma grande quantidade de sentidos nos é bastante envolvente, mas romances bem escritos e detalhadamente contados exploram além do sensorial: nossa imaginação. Não há nada mais divertido, gostoso e desafiador do que construirmos cada cena descrita nas linhas bem traçadas de um livro. E O Caçador de Pipas, com certeza, faz isso por nós mil vezes.