Neste mês em que se celebra as festas junina, com danças caipiras, muita comida gostosa, como pamonha, pipoca, quentão, milho-verde, entre tantas outras delicias, que a gente só encontra nesta época do ano e para quem é bastante religioso, também é celebrado os dias de Santo Antonio (13), São João (24) e São Pedro (29).
Por isso que nesta semana no Cantinho Literário, será especial festa junina, pois iremos mostrar à vocês a cultura caipira na literatura, que ela é bastante explorada em diversos livros, contos, crônicas e poemas e por isso ela será pauta aqui n’O Barquinho Cultural.
Mas primeiramente, vamos conhecer esta cultura caipira e todo o significado dela, para entendermos o porque se celebra esta festa caipira há tanto tempo.
O caipira seria uma corruptela de “caapora”, palavra de origem tupi que significa “morador do mato”. Outras definições, mais recentes, consideram caipira, matuto ou capiau, o cidadão residente no interior do Estado de São Paulo, o homem ligado ao campo que possui uma identidade e cultura própria, o que de fato era verdade, até meados do século 20, quando os meios de transporte e comunicação de massa interferiram nos costumes locais e regionais, padronizando-os a partir de
modelos urbanos.
Nos centros urbanos, justamente, o termo caipira é com freqüência acompanhado por um sentido pejorativo ligado à timidez, à falta de refinamento ou de informação.
Mas isso é puro preconceito, o que é uma outra história. De fato, trata-se do desprezo com que parte de nossa moderna civilização industrializada se refere ao passado rural do Brasil.
A cultura caipira do passado em termos históricos, representa a adaptação do colonizador europeu ao Brasil e seu modo de ser, pensar e agir no território brasileiro. O modo de vida caipira inclui o fogão a lenha, o café feito no coador de pano, o leite quente ordenhado da vaca, biscoito de polvilho, pães de queijo, broas, bolos de fubá, doces em calda, etc. Sem falar nas geleias, licores de frutas típicas (pequi e jenipapo) e, é claro, na famosa cachaça, que se transformou numa espécie de bebida típica do Brasil.
Um “dedo de prosa”
Nas casas simples, pintadas em azul celeste, rosa, amarelinho, decoradas com fuxicos, toalhas de crochê e colchas de retalho, todos têm direito a um “dedo de prosa” para ouvir um “causo”, passar as horas na janela, sentar na soleira da porta, pitar um cigarro de palha, feito com fumo de rolo picado. Até meados do século 20, essas casas eram feitas de pau-a-pique – madeira trançada e barro batido – e cobertas de palha ou sapé.
Além do interior de São Paulo e Paraná, ainda podemos encontrar esse modo de vida em Minas Gerais, numa parte de Goiás e de Mato Grosso e também perceber semelhanças com os costumes do sertanejo da caatinga, do caboclo da Amazônia, do vaqueiro do pantanal, do gaúcho ou do caiçara litorâneo.
A moda de viola
O caipira formou sua cultura com uma mistura e européia. Herdou a religiosidade dos portugueses, a familiaridade com o mato, a arte das ervas e o ritmo do bate-pé com os índios. Mas sempre se podem encontrar alguns elementos nos mitos e nos ritos do homem do interior.
A autêntica música caipira, a “moda de viola”, na voz dos violeiros, retratava a vida do homem no campo, a lida na roça, o contato com a natureza, a melancolia e a solidão do caboclo. Mais tarde, com a influência da guarânia paraguaia e do bolero mexicano, começou a ser transformar e hoje, misturado ao estilo “country” norte-americano, a chamada música sertaneja guarda pouco de suas origens. Inesita Barroso é uma cantora e estudiosa da música sertaneja original, que ela e outros estudiosos e músicos preferem chamar de música de raiz.
Jeca Tatu
Nas artes plásticas, o caipira típico foi imortalizado por Almeida Junior no quadro que ilustra este artigo. Na literatura, Monteiro Lobato retratou-o em seu personagem Jeca Tatu, do livro “Urupês”. No cinema, o ator e diretor Amácio Mazzaropi assumiu o tipo, com rancheiras e “pula-brejo”, paletó apertado, camisa xadrez e chapéu de palha.
O caipira, hoje, volta a ser valorizado e com razão. Ele faz parte da história do Brasil e ajudou a moldar parte de nossa identidade nacional. Procure numa locadora de DVD, por exemplo, um filme de Mazzaropi e certamente você vai descobrir um aspecto muito interessante da cultura brasileira.
Veja abaixo alguns exemplos da cultura caipira na literatura:
Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa
Este é um livro de João Guimarães Rosa escrito em 1956. Pensado inicialmente como uma das novelas do livro Corpo de Baile, lançado nesse mesmo ano de 1956, cresceu, ganhou autonomia e tornou-se um dos mais importantes livros da literatura brasileira e da literatura lusófona. No mesmo ano, Rosa também lançou a quarta edição revista de Sagarana.
Em 2006 o Museu da Língua Portuguesa realizou uma exposição sobre a obra no Salão de Exposições Temporárias, cujas fotos ilustram o artigo. Em maio de 2002, o Clube do Livro da Noruega, entidade que congrega editores noruegueses, elegeu os 100 melhores livros de todos os tempos; a bancada de votação contava com 100 escritores de 54 países. Grande Sertão: Veredas é o único livro brasileiro a integrar a lista dos cem melhores de todos os tempos do Clube do Livro da Noruega3 .
Trechos pendurados de Grande Sertão: Veredas, a obra-prima de Guimarães Rosa, no Salão de Exposições Temporárias do Museu da Língua Portuguesa.
A grandiosidade de Grande Sertão: Veredas pode ser exemplificada pelas interpretações, que a abordam sob os mais variados pontos de vista, sem jamais deixar de ressaltar a capacidade e a confiança do autor ao ser inventivo. Extremamente erudito, Rosa incorporou em sua obra aspectos das mais diferentes culturas. Disse uma vez que “para estas duas vidas [viver e escrever], um léxico só não é suficiente.
Os Sertões – Euclides da Cunha
Os Sertões é um livro brasileiro, escrito por Euclides da Cunha e publicado em 1902. Trata da Guerra de Canudos (1896-1897), no interior da Bahia. Euclides da Cunha presenciou uma parte desta guerra como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo. Pertence, ao mesmo tempo, à prosa científica e à prosa artística.
Pode ser entendido como um obra de Sociologia, Geografia, História ou crítica humana. Mas não é errado lê-lo como uma epopeia da vida sertaneja em sua luta diária contra a paisagem e a incompreensão das elites governamentais.
O crítico literário Alexei Bueno considera Os Sertões uma das três grandes epopeias da língua portuguesa, podendo ser comparada à Ilíada, assim como Os Lusíadas podem ser comparados à Eneida e Grande Sertão: Veredas, à Odisseia.
Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto
Morte e Vida severina é um livro do escritor brasileiro João Cabral de Melo Neto, escrito entre 1954 e 1955 e publicado em 1955. O nome do livro é uma alusão ao sofrimento enfrentado pela personagem.
O livro apresenta um poema dramático, que relata a dura trajetória de um migrante nordestino em busca de uma vida mais fácil e favorável no litoral.
Em 1965, Roberto Freire, diretor do teatro TUCA da PUC de São Paulo pediu ao então muito jovem Chico Buarque que musicasse a obra. Desde então sua presença no teatro brasileiro tem sido constante, tendo a peça se tornado um sucesso, inclusive recebendo premiação num festival universitário de Nancy na França.
Morte e Vida Severina em Desenho Animado é uma versão audiovisual da obra prima de João Cabral de Melo Neto, adaptada para os quadrinhos pelo cartunista Miguel Falcão. Preservando o texto original, a animação 3D dá vida e movimento aos personagens deste auto de natal pernambucano, publicado originalmente em 1956.
Em preto e branco, fiel à aspereza do texto e aos traços dos quadrinhos, a animação narra a dura caminhada de Severino, um retirante nordestino, que migra do sertão
para o litoral pernambucano em busca de uma vida melhor.
Quadrilha – Carlos Drummond de Andrade
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história
Boas festas e um feliz dia de São João à todos !!!
Nesta segunda-feira em nosso Cantinho Literário, será especial mulheres, pois depois de publicar diversos autores homens e pouquíssimas mulheres, nós como feministas assumidas e que levantamos a bandeira em prol as mulheres, defendendo os direitos iguais para todos, não poderíamos deixar de nos homenagearmos.
Afinal as mulheres que produziram literatura, que combinavam palavras e mostravam mundos, estiveram sempre presentes, e, embora sem contar com muitos estímulos para prosseguir, prosseguiram, para a nossa sorte e felicidade, pois nesses mundos contados nos vimos várias vezes e tivemos companhia para a nossa solidão.
Pois historiografia literária no Ocidente sempre foi uma atividade reconhecidamente masculina, mas isso não impediu que as mulheres escrevessem. Elas apenas não eram lidas, no entanto conseguiam furar o cerco fazendo uso dos pseudônimos.
Quem poderia imaginar que George Sand era o nome de Amandine-Aurore-Lucile Dupin ou que George Eliot era o nome de Mary Ann Evans, pois sempre foi difícil aceitar na academia os estudos feministas como análise literária, apesar de grandes clássicos da literatura terem mulheres em seus romances, como Lucíola, Senhora e Diva de José Alencar, que era só assim, que a mulher era vista no meio literário.
Mas atualmente a critica feminina tem sido responsável pelos estudos de produções de mulheres do século XIX, tendo reconhecimento de que elas escreviam, pela reedição de livros raros e por um crítica que possa dar conta de explicar as questões do universo das mulheres, sendo responsável por tornar o esforço de muitas mulheres reconhecido por pessoas posteriores à sua época.
Assista abaixo um especial exibido pela Tv Cultural, sobre Mulheres na Literatura:
Abaixo escolhemos cinco mulheres que enfrentaram tudo e todos e conseguiram ter seus livros publicados e terem o devido reconhecimento merecido, transformando momentos seus dias de dor e solidão se transformando em momentos de prazeres e abrindo caminhos para novas mulheres que sonham em serem escritoras.
Rachel de Queiroz foi uma tradutora, romancista, escritora, jornalista, cronista prolífica e importante dramaturga brasileira. Autora de destaque na ficção social nordestina. Foi primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras.
Clarice Lispector, nascida Haia Pinkhasovna Lispector foi uma escritora e jornalista nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira. Quanto ao estado pertencente, Clarice se declarava pernambucana.
Cecília Benevides de Carvalho Meireles, conhecido também como Cecília Meireles, foi uma poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira. É considerada uma das vozes líricas mais importantes das literaturas de língua portuguesa.
Joanne Rowling, OBE, FRSL, também conhecida como J. K. Rowling, nome com o qual assina as suas obras, ou pelo seu nome de casada, Joanne Murray, é uma escritora britânica de ficção.
Jane Austen foi uma proeminente escritora inglesa. A ironia que utiliza para descrever as personagens de seus romances a coloca entre os clássicos, haja vista sua aceitação, inclusive na atualidade.
É isso ai pessoal, a literatura feita por mulheres, pois seu jeito peculiar, impulsionada pelo desejo de ser expressar, defender direitos, fazer-se ouvir.
Seja como personagem, seja como autora, elas escreveram seus nomes na história e vamos continuar levando essa essência para toda eternidade, pois sem as mulheres não haveria literatura, porque são as mulheres que dão vida a todo este universo literário.
Hoje é dia de literatura bebê… Então vamos entrar fundo no mundo literário e mostrar tudo que acontece nesta fantasia mágica e que te leva para outras dimensões através das palavras, dos versos e de seus conceitos linguísticos.
Nesta semana, não terá especial, dicas de livros e tampouco falaremos do nosso ilustre e inspirador Machado de Assis, mas sim, iremos convidar à todos a irem ao lançamento do livro do professor de literatura, poeta e supervisor de ações culturais da Casa das Rosas, Frederico Barbosa, que irá lançar nesta semana seu livro de poesias “Na Lata – Poesia Reunida”, reunindo os poemas escritos entre 1978 e 2013 pelo próprio autor, um dos poetas brasileiros mais atuantes das últimas décadas.
O livro traduz a tendência à fragmentação e à dispersão da cultura contemporânea, esta obra foi publicada originalmente em veículos diversos: livros, jornais, revistas, sites, blogs, e redes sociais. Assim, o livro Na Lata – Poesia Reunida torna possível ao público leitor encontrar pela primeira vez em um só volume toda a produção do poeta, espalhada, ao longo destes trinta e cinco anos, em tantos meios e locais diferentes.
Veja abaixo o convite do lançamento do livro do poeta e professor Frederico, que será na própria Casa das Rosas, que é um dos maiores pontos de encontro da literatura de todos os tempos.
Para mais informações acesse o blog pessoal do professor ou então siga-o no
Desculpa a demora em subir o texto do Cantinho Literário por aqui, mas é que a pauta que tinha selecionado para hoje, deu uma leve caída, que era uma releitura dos poemas de Vinicius de Moraes e Fernando Pessoa, que teve uma curta temporada, aliás curtíssima no Teatro Sesi, na peça “Poema Bar”.
Mas como a mente por aqui não para um minuto e quer sempre passar novidades, dicas e apresentar o ‘quente’ da área literária , claro que não deixaríamos nossa tão amada tripulação na mão, afinal são vocês que nos ajudam e estimulam para que todo dia tem algo novo n’O Barquinho Cultural.
No nosso Cantinho da Literatura de hoje, iremos falar sobre a arte literária e da música, que juntas elas podem fazer magias que nos levam para um mundo fantástico da poesia, dos sons e da harmonia das palavras, será quase um Cantinho do Som, porque misturará música e literatura em um só lugar.
Vejam abaixo um trecho de uma pequena explicação de música e literatura, para vocês conhecerem ou se familiarizarem em duas artes com grande importância no movimento cultural.
“Literatura e a arte de compor trabalhos artísticos,sejam eles em prosa, verso, ou também pode ser um conjunto de obras literárias de uma região,ou de um pais, de uma época.
A musica e a arte e a ciência de ligar ou combinar os sons musicas de um modo agradável associando os trabalhos artísticos as prosas, versos, podendo também utilizar algumas obras literárias para a formação de enredos de samba, musicas, entre outros.
A literatura por ser um movimento de arte, ou de compor trabalhos artísticos, esta diretamente ligada a música pelas suas prosas, versos, trabalhos artísticos de época que formam os enredos e as musicas.”
Onde podemos encontrar música e literatura juntos, com preços acessível e pessoas que tem amor e compaixão nas palavras, são nos Saraus, que em toda metrópole pelo Brasil pode encontrar pessoas que fazem esse tipo de arte, colocando melodia em um poema, prosa ou em uma simples frase.
Mas caso você não mora nos grandes centros e gosta dessa arte, pode reunir seus amigos e conhecidos e montar seu próprio sarau, pois não precisa de glamour e grandes efeitos, para se montar um evento simples e que tem seu foco nos poemas ou suas músicas com dizeres ‘literalísticos’.
Segue abaixo alguns Saraus já conhecidos por algumas pessoas que frequentam a noite literária paulistana:
Mas além dos Saraus, grandes músicos, que até hoje fazem bastante sucesso, também faz literatura e música, como é o caso de Chico Buarque, que suas letras tem como a base a literatura do dia a dia, ou então bandas como Legião Urbana, Titãs, Capital Inicial, entre outras bandas nacionais.
Assista alguns videoclipes de artistas, que fazem da música uma verdadeira arte literária:
Chico Buarque – Roda Vida
Legião Urbana – Tempos Perdidos
Capital Inicial – Natasha
É isso ai tripulação muita prosa, poesia e música para vocês, com muita literatura, pois semana que vem tem mais Cantinho Literário, trazendo sempre algo ‘literalísticos’ (curte esta palavra…hehe), para que todos descobram dentro de si, a verdadeira literatura, não importando qual sua classe social, religião ou sexualidade, o importante é nos unirmos através de uma só arte, que a arte literária.
Essa semana é uma dica para quem anda de táxi pela cidade de São Paulo e também não consegue ficar longe dos livros, vamos falar de Bibliotáxi, com certeza você devem estar imaginando se existe isso é apenas uma ideia de nossas cabeças, mas estamos aqui para mostrar à vocês, que isso existe e pode ser conferida na regiões da Vila Mariana, zona sul da capital paulista, em um ponto na rua Wizard.
O programa visa estimular a população para o uso de táxi e o seu compartilhamento como alternativa para o uso intensivo de seus automóveis, contribuindo para redução dos congestionamentos na cidade e também tem o objetivo de inserir a cultura de ler, na sociedade brasileira, desta forma bairros e comunidades podendo usufruir da cidade mais inclusiva, saudável e sustentável.
Veja abaixo um vídeo apresentando o Bibliotáxi, para todos podermos entender o que é este projeto:
E aí gostaram do Bibliotáxi e ficaram curiosos em andar em uma biblioteca ambulante? Então veja mais informações no blog do projeto ou então siga no twitter (@bibliotaxi) e veja mais novidades literárias e sustentáveis do programa Bibliotáxi.