Arquivo da categoria: compositor

[Caixa de Som] Vinicius Lopps canta com alma e compartilha emoção em suas canções

Mineiro de Curvelo, Minas Gerais, Vinicius Lopps, conheceu a música ainda na infância, e podemos dizer que foi amor a primeira vista, ou melhor, a primeira ouvida. Na adolescência resolveu profissionalizar essa paixão, e cantava em festas escolares, nos intervalos das aulas e durante elas  também. Além do mais, foi neste período, que o músico começou a escrever e compôr suas primeiras canções.

Após uma viagem de férias à São Paulo, o artista se encantou pela cidade e decidiu que era lá que ele queria consolidar sua carreira, e iria se mudar e conquistar seu espaço nesta megalópole maluca e corrida.
Chegando em Sampa, Vinicius começou a se apresentar na noite, onde ele conquistou muitos amigos e parceiros, e também ingressou no curso de canto livre, na Escola Técnica de Artes (ETEC de Artes), lugar este que abriu um leque de oportunidade ao jovem cantor, que ama o que faz, e se predispõe apoiar a todos propagando e compartilhando seu som aos quatro cantos da cidade.
Influenciado pela nata do pop-rock nacional, Vinicius adora cantar covers daqueles que o inspiram, entre eles estão, Raimundos, Charlie Brow Jr., Nenhum de Nós, Legião Urbana, etc, além de outros artistas que empenharam para que ele seguisse essa formação.
Cantor de voz rouca e grave, potencializa qualquer música que interpreta, porém ele nunca deixa de  obter conhecimento, sempre estudando, para adentrar a cada dia neste mundo musical tão almejado por todos, mas nem sempre conquistado. Por isso, ele mantêm seus pés no chão para absorver a gnose cultural da música em si, ampliando e compartilhando sua real essência neste universo de refrões monossílabo e de sub-celebridades fingido entender de música.
Atualmente, o jovem músico se apresenta na noite paulistana, também está em pré produção de seu primeiro álbum de inéditas, onde haverá canções próprias e a expressão de ideias peculiares de Vinicius. Criando sua identidade e repartindo sua essência com os ouvintes da verdadeira e original música popular brasileira.

Confira abaixo um prévia do talento de Vinicius Lopps:


Mais informações: Facebook | Youtube

[Cabine da Pipoca] Marco Dutra: A nova cara do cinema brasileiro

Temos cinema feito por mãos jovens, com família e mulheres inspiradoras e um quê de thriller fantástico 

 Isso tudo é o cineasta brasileiro Marco Dutra. E aí, preparados? 
Foto de: Caetano Gotardo

Marco Dutra é roteirista, cineasta e paulistano. Provavelmente você já viram ou conhecem alguma das obras dele, já que ele escreve a série “Alice” (2008), de Karin Aïnouz e Sérgio Machado, exibida pela HBO no Brasil.

Formado em cinema pela ECA [Escola de Comunicação e Artes] na USP, e desde então trabalha com a diretora Juliana Rojas.  Aliás, foi ao lado dela que fez o curta metragem “O lençol branco” ( 2004) selecionado, simplesmente, para a mostra Cinéfondation do Festival de Cannes,  especialmente voltada a filmes de escola.

Em 2011, Dutra começa a produzir seu primeiro longa metragem “Trabalhar Cansa”, premiado no Festival de Paulínea em 2011 (Prêmio Especial).

Atualmente, com o roteiro escrito junto com Gabriela Amaral Almeida, o cineasta trabalha na finalização de seu mais recente longa, “Quando eu era vivo“, ainda em finalização.

Abaixo segue a entrevista que Dutra concedeu ao O Barquinho Cultural, onde ele contou sobre sua carreira, projetos, inspirações, entre outras coisas mais que os cinéfilos de plantão têm que conferir.

Pessoas e Artistas Você já esteve ao lado de artistas conhecidos e reconhecidos em festivais e premiações, penso eu,  BC :  como sente que os festivais e seus organizadores observam o cinema brasileiro, poderia citar uma conversa que tenha lhe marcado com algum autor, artista sobre esta temática?

Dutra: Os festivais, tanto brasileiros quanto os internacionais, refletem na seleção de filmes a linha da curadoria e o gosto pessoal dos curadores. O número de bons festivais brasileiros é grande (como a Janela de Cinema do Recife, a Mostra de Tiradentes, a Jornada de Cinema Silencioso…). Os festivais internacionais (como Cannes, Locarno, Sundance) têm prestado atenção aos nossos filmes e costumam contar com curtas interessantes na seleção quase sempre, assim como um ou outro longa que acaba ganhando destaque em mostras ao redor do mundo. Sinto que há ainda muito espaço a conquistar fora do país, inclusive comercialmente, mas muitos curadores e distribuidores estão dispostos a ver nosso trabalho.

Uma viradaMesmo vendo que seus filmes possuem este ar thriller, a questão da família e das relações pessoais, o fantástico, de alguma forma me remete a um Ariano Suassuna, ou uma base literária mais épica como a de Guimarães Rosa em ” Grande Sertão Veredas”.

BC: Você gostaria de adaptar algo épico desta forma, incluiria este tom de humor em seus roteiros, ou está totalmente fora de seus planos?

Dutra: Sim. Tenho a impressão de que nossa literatura foi bem mais longe que nosso cinema em suas estratégias de criação de mundo mágico, em sua mitologia, no fantástico em geral. Não penso em adaptar um romance deste calibre por ora, mas talvez no futuro eu me jogue num desafio assim. Acabo de trabalhar na adaptação de um livro do Lourenço Mutarelli; foi um trabalho muito bom, feito em parceria com Gabriela Amaral Almeida.

Família – Em ambos os filmes, as mulheres, a dona de casa que rompe seu papel, e a mãe que assombra o filho são personas de peso, que criem a ‘angústia’ das cenas, BC: se tivesse que associá-las a algum tipo de arquétipo, quem elas seriam?

Dutra: A figura da mãe aparece em diversos trabalhos meus como uma presença absoluta, poderosa para o bem ou para o mal. Tenho uma relação muito boa com a minha família, mas algo me impulsiona a escrever sobre ambientes íntimos e domésticos como se estes fossem palco para encenações de lutas simbólicas entre bem e mal, sagrado e profano.

BC: A música e a sonoplastia de Dutra – Você citou numa entrevista que em “Quando eu era vivo”, a música é do universo da casa, a sonoplastia é marcante em seus filmes. Uma casa thriller ideal teria qual trilha sonora?

Dutra: A música pode atrapalhar um filme, por isso sempre tive receio em usar trilhas muito presentes. Estou trabalhando uma trilha completa para o filme novo, e aprendendo muito no processo. Tento fazer com que a música brote dos personagens e da ação dramática. É como se ela fosse o som da respiração deles. Tendo a preferir (inclusive como compositor) melodias bem desenhadas, e não “música de clima”.

BC:  Comente um pouco sobre seu gosto musical e como ele lhe inspira? Vi de Caetano, passando por Tom Zé, e Barbra Streisand, o que você anda ouvindo?

Dutra: Ouço de tudo, tudo mesmo! Toco piano e componho um pouco, o que me ajuda ao longo dos processos de criação em geral. Mas tenho, é claro, certas obsessões: Stephen Sondheim e trilhas de filmes da Disney (em especial as compostas pelos irmãos Sherman) estão sempre tocando por aqui. Tom Zé, Dolores Duran e Marlene também. E talvez minha cantora preferida seja Fiona Apple.

InspiraçõesBC: Stephen King, um ator do porte de Marat Descartes sempre presente e Juliana Rojas, como eles aguçam seus roteiro e a inspiração em sua trajetória cinematográfica?

Dutra: As parcerias são parte muito importante do meu processo criativo, e isso inclui os 15 anos de trabalho em dupla com a Juliana – estamos sempre metidos nos filmes um do outro. Cito também Caetano Gotardo, Daniel Turini, Sérgio Silva e João Marcos de Almeida entre os parceiros de vida e trabalho. O Marat, a Helena Albergaria, a Gilda Nomacce e a Clarissa Kiste estão entre atores com quem sempre trabalhamos e com quem pretendemos voltar a trabalhar. Stephen King mora na minha cabeceira desde que tenho doze anos de idade. O primeiro que li foi Misery (Angústia, no Brasil). O último foi Joyland. O universo de King é infinito e ele transita por cada beco com um prazer que não se esgota e que contamina a leitura. Me sinto apaixonado por ele, de certa forma. Há amor envolvido no gesto de ler um livro dele. E sua escrita só melhora com os anos.

Trajetória – BC: Até a adaptação do literário “A Arte de Produzir Efeito sem Causa”, de Lutarelli, para seu roteiro cinematográfico foram cinco anos após a leitura. Como foi esse período de “assimilação”, digamos assim ?  E depois um até curto tempo para a escrita do roteiro. Percebe-se um certo respeito seu, não só pelo seu ritmo como pelo da obra em si, é isso mesmo?

Dutra: Eu li o livro enquanto pesquisava para outro projeto, em 2008. Mas o convite para dirigir a adaptação veio do produtor Rodrigo Teixeira em 2011. O tempo de espera foi providencial, e também natural. Foi bom ter feito esse filme depois do “Trabalhar Cansa”.


Estilo –  BC:  Horror psicológico ou “Horror fantasy”, comparado até ao “O Iluminado” (década de 80), este parece ser o estilo que você imprimiu em seus dois últimos filmes, o que lhe atrai nesta estética? Sua leitura de Stephen King, convive com roteiros que de alguma forma falam da família. De comportamentos familiares, sejam de rompimento e mudança em “Trabalhar Cansa” ou de ‘ claustrofobia’ em ” Quando eu era vivo”. Você quer este rótulo ou não é rótulo…para seus filmes, horror psicológico, este tema familiar ainda terá desdobramentos em outros filmes ou roteiros que possamos esperar? Ou vem alguma, não programada, mas talvez uma virada de estética sua? Você pensa nisso?

Dutra: Eu gosto muito de diversos gêneros, em especial o horror e o musical. Pretendo seguir trabalhando dentro deles, e não me incomoda nem um pouco que os filmes sejam classificados, catalogados, separados em gêneros ou prateleiras. Eu mesmo sempre convivi com isso na época áurea da video locadora. O que me incomoda é que um filme tido como difícil de classificar seja considerado menor ou ruim por conta dessa
dificuldade. Acredito que uma mistura de gêneros é possível, e pode também ser comercial. E acredito que não dá pra remover o humor, qualquer que seja o gênero do trabalho. Como levar as coisas a sério demais? “As Boas Maneiras”, um dos meus próximos filmes com Juliana, retoma diversos dos nossos temas anteriores.

CenárioBC: Há um certo ar ‘ barroco’, é a iluminação ou a falta dela na casa, são anjos, bustos e rostos, um colorido do quarto da inquilina mas em ‘ retalhos’, como essa estrutura da casa foi ganhando vida no seu roteiro?? É isso mesmo, um barroco? (aqui me refiro somente, claro, a ” Quando eu era Vivo”) .

Dutra: Como o filme ainda está em finalização, me limito a dizer que a casa do filme passa por algumas grandes transformações – assim como o protagonista.
O que eu vi e humildemente comento e pergunto – Assisti Carnage, (O Deus da Carnificina) de Polanski, e é sobre relações entre casais, filhos, raiva, e há a claustrofobia, que chega a ser cômica no ‘surto’ durante as discussões dos casais, você gostou deste filme, não há thriller exatamente, mas angústia e
um ritmo entre altos e baixos.

BC: Além de ser uma adaptação, desta vez de uma peça, o que você acredita que o público, de modo geral, reflete ou que eles assimilam de todos estes ‘ sentimentos e detalhes’ que um diretor, como você por exemplo, ou Polanski, tentam imprimir em suas obras? 

Dutra: Eu li a peça Carnage porque admiro o trabalho da dramaturga Yasmina Reza. Li há anos, antes de ver o filme. Gosto muito do texto, mas acredito que é um texto muito complicado de encenar e que a versão do Polanski é certamente muito boa e acertada. Ainda assim, me parece algo pensado para o palco, e que talvez encontre sua potência máxima lá. Ressalvas pontuais feitas, me divirto imensamente com o filme. E acredito que “Deus está nos detalhes”. Tudo conta. Um diretor como Polanski, por exemplo, sabe disso, e inunda o filme, os atores, o cenário, de pequenos comentários, gestos, objetos, cores, mudanças de luz. Quando assistimos a um filme não paramos para pensar em cada detalhe. Mas eles estão lá, e narram, e essa sensação de riqueza narrativa é compreendida pelo nosso corpo em muitos níveis.

Por Fabíola Mello

[Caixa de Som] Adoniran Barbosa: O precursor do samba paulista

Trem das Onze“, “Saudosa Maloca”, “Samba do Arnesto“, entre outras canções que fizeram o êxito deste cantor e compositor que desde pequeno sempre sonhou em ser artista.

João Rubinato, nasceu em Valinhos, interior de São Paulo, no ano de 1910, porém ele era mais conhecido como Adorinan Barbosa, era cantor, compositor, humorista e ator brasileiro. Começou fazendo interpretações em diversos programas de rádio, entre quais o criatura acabou sendo confundida com seu criador, dando popularidade entre os demais.
Filho de uma família numerosa, e tendo que trabalhar desde cedo, o que ocasionou em abandonar os estudos, mas ok, pois Rubinato nunca foi fã de estudar mesmo.

A carreira artística começa na adolescência, bem antes do advento do rádio, o palco, mas sempre é rejeitado, e como dizem por ai que sem padrinho não segue a lugar algum, o caminho para ele parecia impossível, tendo frustrações a cada teste nos teatros e companhias.

O samba em sua vida, surgiu como um acidente, pois João Rubinato sempre se encantou pelas artes, então ele usou dessas frustrações ocorrentes em sua vida e começou a compôr canções, que depois poderiam ser apresentadas em programas radiofônicos, que neste nicho fez com que aos poucos se entregasse ao papel de ator de rádio, criando diversos ditos populares e interpretações feitas pelo própria, e escritas por Osvaldo Moles. Popularizando e interagindo os programas em todo o Brasil, criando modas, e mexendo com os costumes das pessoas.
O primeiro sucesso musical foi “Trem das Onze“, música que se tornou tão popular que virou quase que um hino nas rodas de samba, e casas de show. Canção que se torna imemorável aos brasileiros, independendo do ano em que nasceu. Com certeza, mesmo que seja um trecho todos conhecem ou já cantarolaram essa música.
Tanto que, anos mais tarde, em 1951, o grupo paulistano Demônios da Garoa regravou novamente, sendo executada pela primeira vez no Rio de Janeiro e com sucesso retumbante.
Adoniran Barbosa era um artista nato, que pode não ter nascido em uma família de artista, mas vivia a arte com todo o coração. Um boêmio que vivia questionamento e em constante dificuldade. 
Ele morreu aos 72 anos (1982) vítima de um enfisema avançado, que o impossibilitava de sair de casa pela noite, fazendo-o com que o sambista dedica-se recriar alguns espaços mágicos que percorrer durante sua vida, criando para si uma pequena arte, com pedaços velhos de lata, de madeira, movidos à eletricidade. 
Rodas-gigantes, trens de ferro, carrosséis. Vários e pequenos objetos da ourivesaria popular – enfeites, cigarreiras, bibelôs… Fiel até o fim à sua escolha. 
Confira abaixo um pouco da carreira de Adoniran Barbosa ano a ano:
Discografia
1951 – “Os mimosos colibris/Saudade da maloca” (78 rpm)
1952 – “Samba do Arnesto/Conselho de mulher” (78 rpm)
1955 – “Saudosa maloca/Samba do Arnesto” (78 rpm)
1958 – “Pra que chorar” (78 rpm)
1958 – “Pafunça/Nois não os bleque tais” (78 rpm)
1972 – “A Música Brasileira Deste Século -Adoniran Barbosa”
1974 – “Adoniran Barbosa”
1975 – “Adoniran Barbosa”
1979 – “Seu Último Show” (Ao Vivo)
1980 – “Adoniran Barbosa e Convidados”
1984 – “Documento Inédito”
2003 – “2 LPs em 1” (Re-lançamento dos LPs de 1974 e 1975)
Coletâneas
1990 – “Claudinha Do céu” (Com interpretes de suas músicas)
1996 – “MPB Compositores: Adoniran Barbosa” (Com participações e interpretes de suas músicas)
1999 – “Meus Momentos: Adoniran Barbosa”
1999 – “Raízes do Samba: Adoniran Barbosa”
2001 – “Para Sempre – Adoniran Barbosa”
2002 – “Identidade: Adoniran Barbosa”
2004 – “O Talento de: Adoniran Barbosa” (Com participações especiais)

Vídeo
1972 – “Programa Ensaio: Adoniran Barbosa”
Principais Musicas
Malvina, 1951
Saudosa maloca, 1951
Joga a chave, 1952
Samba do Arnesto, 1953
As mariposas, 1955
Iracema, 1956
Apaga o fogo Mané, 1956
Bom-dia tristeza, 1958
Abrigo de vagabundo, 1959
No morro da Casa Verde, 1959
Prova de carinho, 1960
Tiro ao Álvaro, 1960
Luz da light, 1964
Trem das Onze, 1964
Trem das Onze com Demônios da Garoa, 1964
Aguenta a mão, 1965
Samba italiano, 1965
Tocar na banda, 1965
Pafunça, 1965
O casamento do Moacir, 1967
Mulher, patrão e cachaça, 1968
Vila Esperança, 1968
Despejo na favela, 1969
Fica mais um pouco, amor, 1975
Acende o candeeiro, 1972
Filmografia
1953 – “O Cangaceiro”
1954 – “Candinho”
1955 – “A Carrocinha”
1956 – “A Estrada”
1956 – “A Pensão da D. Stela”

Ouça o primeiro samba composto por Adoniran Barbosa, “Trem das Onze“:


Por Patrícia Visconti

[Caixa de Som] O Centenário de Wilson Batista

A postagem de hoje era para ser publicada na semana passada, mas por causa de alguns contratempos do tempo, segue hoje à homenagem ao centenário do sambista, compositor, boêmio, carioca e brasileiro. Estamos falando de Wilson Batista.

Nascido em Campos, na primeira década de 1900 – 3 de julho de 1913 -, Wilson Baptista de Oliveira já vivia música desde que ainda era menino, tocou triângulo na Lira de Apolo, banda organizada por seu tio, o maestro Ovídio Batista, além de fazer parte do Bando, onde compunha algumas canções, mas ainda não pretendia seguir carreira musical, pois ele queria aprender o ofício de marceneiro, frequentou o Instituto de Artes e Ofícios.

No começo da adolescência, Wilson Batista se mudou junto com sua família para a capital fluminense, e o menino passou a frequentar cabarés e bares da Lapa e o Bar Esquina do Pecado, na Praça Tiradentes, locais onde os marginais e compositores se encontravam para compôr e bater um papo. Foi nesta época que ele conheceu os irmãos Meira, famosos irmãos malandros da época, onde a amizade lhe rendeu diversas prisões.

Foi eletricista e ajudante de contra-regra no Teatro Recreio, onde compôs seu primeiro samba intitulado, ‘Na Estrada da Vida‘, lançado por Aracy Cortes e gravado apenas em 1933, por Luís Barbosa. A partir daí o jovem sambista começou escrever vários sambas para cantores e intérpretes da época, todos com muito êxito.

Ingressou na Orquestra de Romeu Malagueta, como crooner e ritmista, onde tocava pandeiro.
Com o lançamento da música ‘Lenço no Pescoço’, já gravado em 1933 por Sílvio Caldas, começou a ‘treta’ com Noel Rosa, onde um contrapunha a canção do outro com outra composição, e isso durou por alguns anos essa polêmica de compositores. Até que ambos se conheceram pessoalmente entre um desafio e outro, e tornaram-se amigos, fazendo que todas as canções desse conflito fossem reunidas em 1956, em um disco de dez polegadas da Odeon, interpretadas por Roberto Paiva e Francisco Egídio e intitulado de ‘Polêmica‘.

O sucesso de Wilson Batista expandia cada dia que passava, tocou com a orquestra argentina Almirante Jonas, que estava de passagem no Rio de Janeiro, seguindo com ela para Buenos Aires, Argentina. Voltando, trabalhou da Rádio Atlântica, de Santos e depois da Record, em São Paulo, onde gravou com as Irmãs Vidal, pela Columbia, seu primeiro disco, com Adeus, Adeus (Francisco Malfitano e Frazão) e Ela Não Voltou (dos mesmos compositores e mais Aluísio Silva Araújo).

Fez diversas parcerias em comerciais, dando destaque ao samba do Carnaval de 1940, ‘Oh! Seu Oscar‘, vencendo o concurso de músicas carnavalescas do Departamento de Imprensa e Propaganda do Governo Federal, tendo sido gravado por Ciro Monteiro, intérprete que lançou em disco. A partir daí, Batista início uma série de parcerias com diversos artistas renomadas para a década, compondo grandes sambas que oberam êxitos nos Carnavais dos vintes anos seguintes.

Boêmio assumido, compôs até o fim de sua vida, música era seu combustível e o samba aditivo. No final de sua vida foi fiscal da UBC (União Brasileira de Compositores), entidade que ajudou a criar.
Um artista, boêmio, sambista, que aprendeu na malandragem a viver neste ‘Mundo de Zinco‘, que faleceu em 7 de julho de 1968, no Rio de Janeiro, e está sepultado na tumba da UBC, no Cemitério do Catumbi.

Por Patrícia Visconti