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Jogos que zerei: a era 8-bits

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Quando chega o final da década de 1980, e os consoles entram na 3ª geração, o termo “zerar” vira o objetivo de toda uma geração.

Comecei a jogar videogames na segunda metade da década de 1980, quando meu pai trouxe um Philips Odyssey — ou Odyssey² — para casa. Mas, como a maioria dos jogos da 2ª geração, haviam pouquíssimos jogos com finais. Continuar lendo Jogos que zerei: a era 8-bits

[TOTAL FLEX] Criança sempre!

Dia 12 de outubro é comemorado o dia das crianças, essa fase maravilhosa da vida em que problemas não existem, discussões são apenas para não dividir o brinquedo e sonhar é fácil. Quando criança eu me lembro bem que não queria crescer, e quando mostrava meus desenhos de homens com pernas coladas na cabeça minha mãe elogiava e dizia que estavam lindos (quanta generosidade), me recordo dos “PARA CASA” do período escolar no “Jardim Dom Paulo” que pareciam riscos enormes e desafiadores, me lembro de aprender a dirigir na máquina de costura que tinha lá em casa esquecida no canto, era bom quando o meu pai me dava R$ 1,00 e eu realmente acreditava que aquele dinheiro dava pra comprar todos os doces vendidos na escola pela dona Vanda que ficava cercada no trailer branco. Me lembro ainda de quando o papai vinha e encostava sua barba nas minhas bochechas (e como espinhada!!!) e dizia: “Você é de que quem?” e eu com a resposta mais que ensaiada devido as diversas vezes que fui questionada respondia com um sorriso nos lábios: “Do senhor papai”. Brincadeiras de rua, primos (as), amigos (as), travessuras, encrencas, dias de sol, tardes de chuva, noites com estrelas.

A minha infância foi o momento em que com o coração eu enxerguei o mundo, ou ao menos parte dele sem intervenções alheias que pudessem construir minha opinião, não tinha noticiários e muito menos argumentos quem fizessem construir algum conceito, eu tinha o meu próprio conceito da vida, e do jeito que ela deveria ser vivida, tanto conceito e cheia da opinião que eu gostava tanto do Natal (como ainda gosto) que acreditava que aquele clima natalino duraria enquanto houvesse uma árvore de natal e minha casa e as luzinhas continuassem a piscar, eu acreditava fielmente que na noite do natal o menino Jesus levava o Papai Noel lá em casa pra poder um novo presente me da. Talvez o Natal seja de fato isso, enquanto houver alguma luz acesa dentro de nós mesmos as coisas boas prevalecem. Talvez essa seja a explicação da pureza infantil: Crianças constroem sua própria verdade com base naquilo em que realmente acredita e os princípios passados pelos seus pais e pessoas que convivem dentro da mesma casa.
Hoje aos 24 anos no ápice da minha juventude olho pra minha sobrinha (minha pequena Marianny de 3 anos) e vejo muito de mim nela, e ao mesmo tempo não vejo nada, ela se rende aos encantos da sua infância sem ao menos imaginar que aquele período será o melhor da sua vida e ela vai ser recordar em memorias distantes quase apagadas de tudo que vivemos hoje, até gosto de saber que vou fazer parte de suas memorias, assim como hoje tenho as lembranças de tudo que vivi quando criança, é engraçado pensar mas existem pessoas além da minha família que fazem parte da construção do meu eu que se quer imaginam que no mergulhar dos meus pensamentos as vejo, praticando exatamente o que eu vi na infância, gostaria de citar alguns personagens que fizeram parte da minha dramaturgia infantil: O “Seu Baiano” do picolé, a dona Aurora que limpava a igreja, o Jandair um andarilho que eu o via andando pelas ruas do meu bairro, a moça da padaria, a tia Karine (professora da quarta-série), a moça que vendia doces na porta da escola, a Luana uma amiga da escola que nunca mais a vi mas me lembro exatamente da sua feição de criança e um pouco das nossas conversas no recreio, a menina que me atendia na papelaria “Coisa e Tal” e eu não gostava da cara dela, o Cássio da Vila Belém… São tantos personagens que se apresentaram, que tiveram algumas pontas, algumas conseguir rever, e outras estão por ai perdidas em mundo gigante e que para reencontra-las eu gostaria que fosse pequeno.
Feliz Dia das Crianças!!!

[HUMOR] Dr. Abobrinha

Hoje um vendedor de pacotes do cursinho Expoente veio aqui em casa pra tentar convencer meus pais a pagarem mais de dois mil reais por um curso de videoaulas para meu irmão. Será que nunca ouviram falar em Youtube?

No papel deles estava escrito que os alunos que fizeram esse curso passaram em 1° lugar na UFPR, UEPG, UTFPR… os concorrentes Dom Bosco e Positivo também sempre disseram que foram os primeiros, mas diferente desse, mostram nome do aluno e curso. Estranho, será que os alunos desse cursinho são super-heróis que não podem dizer a identidade ou eles tem vergonha de dizer que estudaram lá?

Queria vender o pacote e fazer com que assinássemos contrato ali, na hora, sem que ao menos fizéssemos um plano financeiro. Parecia o Dr. Abobrinha do Castelo Rá-Tim-Bum.
Meu pai pediu uns dias pra analisar a proposta e ele falou que “não poderia dar o privilégio da mesma família receber sua visita mais de uma vez”. Quem esse cara pensa que é? Um anjo?

Só por morarmos no interior, o super negociador nato tentou usar uns argumentos ridículos, como aceleração instantânea uniformemente variada, pra mostrar que era inteligente. Sinceramente, acho que não existe esse tipo de aceleração. Digo, não existia, mas agora existe. É o que acelera o processo de descobrimento de um papudo enganador.

Quando soube que entrei na PUC sem precisar fazer cursinho, ele foi irônico dizendo que se tivesse feito estaria numa faculdade grátis, já que, segundo ele, “universidades particulares aceitam todos os alunos porque precisam do dinheiro”.

No fim de tudo ele não conseguiu vender o pacote para meu irmão pelos seguintes motivos:
– Temos acesso ao Youtube.
– Não somos burros.
– Meus pais preferem trabalhar duro para pagar uma universidade tradicional e bem conceituada do que um curso de merda que eu nunca tinha ouvido falar.