Salve salve galerinha literária, hoje é dia de literatura aqui em nossa embarcação e por isso que nós iremos entrar fundo nesta e se aprofundar cada vez mais neste mundo fantástico e mágico.
Esta semana o mundo literário está em festa, afinal quarta-feira (3), começa a Flip 2013 (Festa Literária Internacional de Paraty) e por isso Cantinho da Literatura desta semana é dedicado a este evento que junto poetas, escritores, jornalistas e amantes da literatura de todo o mundo se encontra em um único lugar, na cidade histórica de Paraty, no estado do Rio de Janeiro.
Pois basta andar pelas ruas da cidade que pode se encontra desde o mais velho escritor, até o mais jovem poeta, mas sempre mostrando e unindo o amor e vocação pela literatura.
A FLIP é considerada um dos principais festivais literários do Brasil e da América do Sul, seu financiamento é assegurado por um sistema hierarquizado de patrocinadores e é conduzido pela organização sem fins lucrativos Associação Casa Azul.
Além de palestras também são realizadas discussões, oficinas literárias e eventos paralelos para crianças (Flipinha) e jovens(Flipzona). O sucesso mundial desde seu ano de fundação se deve principalmente ao envolvimento e participação ativa de autores de vários países reconhecidos internacionalmente.
O festival foi idealizado pela editora inglesa Liz Calder, da Bloomsbury, que morou no Brasil e agenciou diversos autores brasileiros, tomando como modelo o festival literário de Hay-on-Wye, no Reino Unido2 . O festival é associado com outros semelhantes, tais como o Festival Internacional de Autores, em Toronto, Canadá, e o Festivaletteratura Mantova na Itália, para mostrar a interculturalidade na literatura.
A cada ano a FLIP homenageia um escritor da literatura brasileira e este ano será o escritor alagoano, Graciliano Ramos, mas veja abaixo, outros autores que já também recebeu homenagem na FLiP.
Neste mês em que se celebra as festas junina, com danças caipiras, muita comida gostosa, como pamonha, pipoca, quentão, milho-verde, entre tantas outras delicias, que a gente só encontra nesta época do ano e para quem é bastante religioso, também é celebrado os dias de Santo Antonio (13), São João (24) e São Pedro (29).
Por isso que nesta semana no Cantinho Literário, será especial festa junina, pois iremos mostrar à vocês a cultura caipira na literatura, que ela é bastante explorada em diversos livros, contos, crônicas e poemas e por isso ela será pauta aqui n’O Barquinho Cultural.
Mas primeiramente, vamos conhecer esta cultura caipira e todo o significado dela, para entendermos o porque se celebra esta festa caipira há tanto tempo.
O caipira seria uma corruptela de “caapora”, palavra de origem tupi que significa “morador do mato”. Outras definições, mais recentes, consideram caipira, matuto ou capiau, o cidadão residente no interior do Estado de São Paulo, o homem ligado ao campo que possui uma identidade e cultura própria, o que de fato era verdade, até meados do século 20, quando os meios de transporte e comunicação de massa interferiram nos costumes locais e regionais, padronizando-os a partir de
modelos urbanos.
Nos centros urbanos, justamente, o termo caipira é com freqüência acompanhado por um sentido pejorativo ligado à timidez, à falta de refinamento ou de informação.
Mas isso é puro preconceito, o que é uma outra história. De fato, trata-se do desprezo com que parte de nossa moderna civilização industrializada se refere ao passado rural do Brasil.
A cultura caipira do passado em termos históricos, representa a adaptação do colonizador europeu ao Brasil e seu modo de ser, pensar e agir no território brasileiro. O modo de vida caipira inclui o fogão a lenha, o café feito no coador de pano, o leite quente ordenhado da vaca, biscoito de polvilho, pães de queijo, broas, bolos de fubá, doces em calda, etc. Sem falar nas geleias, licores de frutas típicas (pequi e jenipapo) e, é claro, na famosa cachaça, que se transformou numa espécie de bebida típica do Brasil.
Um “dedo de prosa”
Nas casas simples, pintadas em azul celeste, rosa, amarelinho, decoradas com fuxicos, toalhas de crochê e colchas de retalho, todos têm direito a um “dedo de prosa” para ouvir um “causo”, passar as horas na janela, sentar na soleira da porta, pitar um cigarro de palha, feito com fumo de rolo picado. Até meados do século 20, essas casas eram feitas de pau-a-pique – madeira trançada e barro batido – e cobertas de palha ou sapé.
Além do interior de São Paulo e Paraná, ainda podemos encontrar esse modo de vida em Minas Gerais, numa parte de Goiás e de Mato Grosso e também perceber semelhanças com os costumes do sertanejo da caatinga, do caboclo da Amazônia, do vaqueiro do pantanal, do gaúcho ou do caiçara litorâneo.
A moda de viola
O caipira formou sua cultura com uma mistura e européia. Herdou a religiosidade dos portugueses, a familiaridade com o mato, a arte das ervas e o ritmo do bate-pé com os índios. Mas sempre se podem encontrar alguns elementos nos mitos e nos ritos do homem do interior.
A autêntica música caipira, a “moda de viola”, na voz dos violeiros, retratava a vida do homem no campo, a lida na roça, o contato com a natureza, a melancolia e a solidão do caboclo. Mais tarde, com a influência da guarânia paraguaia e do bolero mexicano, começou a ser transformar e hoje, misturado ao estilo “country” norte-americano, a chamada música sertaneja guarda pouco de suas origens. Inesita Barroso é uma cantora e estudiosa da música sertaneja original, que ela e outros estudiosos e músicos preferem chamar de música de raiz.
Jeca Tatu
Nas artes plásticas, o caipira típico foi imortalizado por Almeida Junior no quadro que ilustra este artigo. Na literatura, Monteiro Lobato retratou-o em seu personagem Jeca Tatu, do livro “Urupês”. No cinema, o ator e diretor Amácio Mazzaropi assumiu o tipo, com rancheiras e “pula-brejo”, paletó apertado, camisa xadrez e chapéu de palha.
O caipira, hoje, volta a ser valorizado e com razão. Ele faz parte da história do Brasil e ajudou a moldar parte de nossa identidade nacional. Procure numa locadora de DVD, por exemplo, um filme de Mazzaropi e certamente você vai descobrir um aspecto muito interessante da cultura brasileira.
Veja abaixo alguns exemplos da cultura caipira na literatura:
Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa
Este é um livro de João Guimarães Rosa escrito em 1956. Pensado inicialmente como uma das novelas do livro Corpo de Baile, lançado nesse mesmo ano de 1956, cresceu, ganhou autonomia e tornou-se um dos mais importantes livros da literatura brasileira e da literatura lusófona. No mesmo ano, Rosa também lançou a quarta edição revista de Sagarana.
Em 2006 o Museu da Língua Portuguesa realizou uma exposição sobre a obra no Salão de Exposições Temporárias, cujas fotos ilustram o artigo. Em maio de 2002, o Clube do Livro da Noruega, entidade que congrega editores noruegueses, elegeu os 100 melhores livros de todos os tempos; a bancada de votação contava com 100 escritores de 54 países. Grande Sertão: Veredas é o único livro brasileiro a integrar a lista dos cem melhores de todos os tempos do Clube do Livro da Noruega3 .
Trechos pendurados de Grande Sertão: Veredas, a obra-prima de Guimarães Rosa, no Salão de Exposições Temporárias do Museu da Língua Portuguesa.
A grandiosidade de Grande Sertão: Veredas pode ser exemplificada pelas interpretações, que a abordam sob os mais variados pontos de vista, sem jamais deixar de ressaltar a capacidade e a confiança do autor ao ser inventivo. Extremamente erudito, Rosa incorporou em sua obra aspectos das mais diferentes culturas. Disse uma vez que “para estas duas vidas [viver e escrever], um léxico só não é suficiente.
Os Sertões – Euclides da Cunha
Os Sertões é um livro brasileiro, escrito por Euclides da Cunha e publicado em 1902. Trata da Guerra de Canudos (1896-1897), no interior da Bahia. Euclides da Cunha presenciou uma parte desta guerra como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo. Pertence, ao mesmo tempo, à prosa científica e à prosa artística.
Pode ser entendido como um obra de Sociologia, Geografia, História ou crítica humana. Mas não é errado lê-lo como uma epopeia da vida sertaneja em sua luta diária contra a paisagem e a incompreensão das elites governamentais.
O crítico literário Alexei Bueno considera Os Sertões uma das três grandes epopeias da língua portuguesa, podendo ser comparada à Ilíada, assim como Os Lusíadas podem ser comparados à Eneida e Grande Sertão: Veredas, à Odisseia.
Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto
Morte e Vida severina é um livro do escritor brasileiro João Cabral de Melo Neto, escrito entre 1954 e 1955 e publicado em 1955. O nome do livro é uma alusão ao sofrimento enfrentado pela personagem.
O livro apresenta um poema dramático, que relata a dura trajetória de um migrante nordestino em busca de uma vida mais fácil e favorável no litoral.
Em 1965, Roberto Freire, diretor do teatro TUCA da PUC de São Paulo pediu ao então muito jovem Chico Buarque que musicasse a obra. Desde então sua presença no teatro brasileiro tem sido constante, tendo a peça se tornado um sucesso, inclusive recebendo premiação num festival universitário de Nancy na França.
Morte e Vida Severina em Desenho Animado é uma versão audiovisual da obra prima de João Cabral de Melo Neto, adaptada para os quadrinhos pelo cartunista Miguel Falcão. Preservando o texto original, a animação 3D dá vida e movimento aos personagens deste auto de natal pernambucano, publicado originalmente em 1956.
Em preto e branco, fiel à aspereza do texto e aos traços dos quadrinhos, a animação narra a dura caminhada de Severino, um retirante nordestino, que migra do sertão
para o litoral pernambucano em busca de uma vida melhor.
Quadrilha – Carlos Drummond de Andrade
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história
Boas festas e um feliz dia de São João à todos !!!
A escritora de livros infanto-juvenil, Tatiana Belinky, morreu no último sábado (15), aos 94 anos, a autora já estava internada no Hospital Alvorada havia 11 dias, mas segundo a assessoria de imprensa da instituição, não foram divulgados a causa de sua morte. Tatiana foi enterrada na tarde deste domingo (16), no Cemitério Israelita, na região da Vila Mariana, na cidade de São Paulo.
Tatiana Belinky nasceu dia 18 de março de 1919, em São Petersburgo, na Rússia, ela escreveu mais de 250 livros, que lhe renderam diversos prêmios e traduções de algumas de suas obras, entre elas contos do escritor russo Anton Tchekhov, a autora foi responsável, junto ao seu marido Júlio Gouveia, pela adaptação para a televisão em formato de teleteatro, da obra de Monteiro Lobato, Sítio do Pica-Pau Amarelo.
Tatiana foi uma grande incentivadora da leitura e, em muitas de suas entrevistas, sempre ressaltou a importância de que as crianças fossem estimuladas desde cedo a ler e a imaginar. “A fantasia é tudo. Sempre digo aos pequenos que o livro é um objeto mágico, muito maior por dentro do que por fora.
Por fora, ele tem a dimensão real, mas dentro dele cabe um castelo, uma floresta, uma cidade inteira… Um livro a gente pode levar para qualquer lugar. E com ele se leva tudo”, declarou.
Nos últimos anos, a autora costumava receber grupos de crianças em sua casa para contar-lhes histórias e ouvi-las.
“Ela foi uma personalidade muito importante na cultura brasileira e de São Paulo. Não só na literatura, mas também no teatro e na televisão”, disse a escritora Ruth Rocha, amiga da autora e companheira de Academia Paulista de Letras.
Veja mais sobre Tatiana Belinky aqui n’O Barquinho Cultural: Texto 1 | Texto 2 Descanse em paz rainha da literatura infanto-juvenil, pois em todos os anos de sua vida, você contribuiu no incentivo a leitura e isso mostra o tanto que você foi importante na literatura brasileira. Boa semana e até segunda que vem com mais Cantinho LiterárioPor Priscila Visconti
Rodrigo era um rapaz estressado. Na faculdade, sempre brigava com os professores por causa das matérias mal explicadas e trabalhos difíceis. Em casa, nunca acordava bem. Coitada da mãe, que sempre queria puxar assunto e acabava no vácuo, sem respostas ou apenas com “uhum”. No ônibus para a faculdade, ficava bravo com a quantidade de gente que ia em pé e as condições desumanas que a empresa oferecia.
Não gostava de conversar. Sentava na poltrona – quando conseguia – e se desligava do mundo quando colocava os fones de ouvido com a música no volume mais alto que podia. Sem exageros, Rodrigo era o homem mais carrancudo que aquelas pessoas já viram. Sorte delas que ele não tinha aula todos os dias. Sorte dele que ninguém puxava assunto. Odiaria tudo aquilo de cumprimentos e de se conhecer, investigar a vida dos outros e relembrar coisas inúteis do passado. Foi numa noite chuvosa, daquelas noites que Rodrigo mais gostava, que ele conheceu uma garota que mexeu com seus sentimentos, o fez pensar que tudo aquilo, de estresse e braveza, não fazia sentido, que era preciso se abrir às pessoas, ser receptivo. A garota alternava os movimentos entre digitar no celular e se maquiar. No pouco tempo em que estiveram juntos naquele ônibus, Rodrigo contou pelo menos sete vezes em que a garota pegou um espelho pequeno de dentro da bolsa. Ele a olhava pelo canto dos olhos, mas via perfeitamente os movimentos leves dela. Provavelmente, até o final do percurso – que durava uma hora – ele veria a garota fazer isso mais uma dúzia de vezes. “O que a incomoda?” Rodrigo não entendia. Todos naquele ônibus já estavam cansados de um dia inteiro de trabalho ou estudo. Alguns já dormiam, com os rostos amarrotados. A garota pegou um creme da bolsa que parecia carregar o mundo. Passou nas mãos, esfregou, passou delicadamente nos cabelos. Rodrigo já podia sentir o perfume do creme exalando dos cabelos dela. Fechou os olhos e imaginou o que aquilo representava. Seria para ele? Para outro rapaz dali do ônibus? Dormiu imaginando, sem coragem de tirar os fones e conversar com ela. Tímido, como nunca. Quando acordou, a moça não estava mais ali. Tinha passado por cima das suas pernas e descido em algum ponto antes da faculdade. No banco do ônibus, a garota deixou cair o espelho. Rodrigo pegou-o nas mãos e enxergou alguém que ele já não conhecia. Enxergou um Rodrigo com o qual não gostaria de ser amigo, com o qual não gostaria de conversar, do qual teria até medo. Aquele espelho fez ele enxergar o que precisava mudar. Ele entendeu que precisava recuperar a aparência, mesmo que maquiando a tristeza com sorrisos e serenidade. Percebeu que o que incomodava aos outros era a mesma coisa que incomodava o seu jeito original de ser.