[Total Flex] Mário de Andrade além das palavras

Mário de Andrade foi mais do que um autor modernista, ele teve uma ação forte e expressiva na política cultural, principalmente quando o escritor foi secretário de cultura do Estado de São Paulo.

O poeta democratizou o acesso à cultura, proteção do patrimônio histórico, valorização do folclore, educação infantil – o trabalho do autor de Macunaíma se estendeu de forma inovadora em várias vertentes.

Baseado nisso, o programa Ocupação irá retratar durante todo o mês de julho esse lado da vida do escritor, cronista, música, pesquisador da cultura e expoente da Semana de 1922, onde será reunido documentos, fotografias, canções populares, entre outros itens do acervo pessoal do autor.

Além da exposição, o site do Ocupação irá lançar uma seção especial com um conteúdo exclusivo sobre Mário de Andrade.

A exposição começou no último dia 28 de junho e vai até 28 de julho, no Itaú Cultural, na Avenida Paulista, região central de São Paulo e a entrada é gratuita.

Confira um pouco sobre a biografia do Mário de Andrade:

Mário Raul de Moraes Andrade (São Paulo SP 1893 – idem 1945). Poeta, cronista e romancista, crítico de literatura e de arte, musicólogo e pesquisador do folclore brasileiro, fotógrafo. Conclui o curso de piano pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo em 1917. Nesse ano, sob o pseudônimo de Mário Sobral, publica seu primeiro livro de versos, Há Uma Gota de Sangue em Cada Poema. Conhece Oswald de Andrade (1890 – 1954) e assiste à exposição modernista da pintora Anita Malfatti (1889 – 1964).

Em 1918, escreve em A Gazeta como crítico de música e no ano seguinte colabora em A Cigarra, O Echo e continua em A Gazeta. Trabalha assiduamente na revista paulista Papel e Tinta em 1920. Nessa época freqüenta o estúdio do escultor Victor Brecheret (1894 – 1955), de quem compra um exemplar do bronze Cabeça de Cristo. Em 1921, escreve para o Jornal do Comércio a série Mestres do Passado, contra o parnasianismo e colabora com a revista Klaxon, em 1922. Integra o Grupo dos Cinco com Tarsila do Amaral (1886 – 1973), Anita Malfatti, Oswald de Andrade (1890 – 1954) e Menotti del Picchia (1892 – 1988).

Um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922, na ocasião do evento lê seus poemas no palco do Theatro Municipal de São Paulo e é vaiado. Nesse ano, lança seu segundo livro, Paulicéia Desvairada, um marco na literatura moderna brasileira. Leciona história da música e da estética no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Em 1923, compra uma câmera fotográfica Kodak e exerce a atividade de fotógrafo até 1931. Realiza com Olívia Guedes Penteado (1872 – 1934), Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e outros, uma viagem de estudos às cidades históricas mineiras com o objetivo de mostrar o interior do país ao poeta franco-suíço Blaise Cendrars (1887 – 1961), em 1924.

O livro de ensaios A Escrava que Não É Isaura, de 1925, discute algumas tendências da poesia modernista, e firma seu autor como um dos principais teóricos do movimento modernista. Em 1927 viaja pela região amazônica, e, no ano seguinte, pelo Nordeste brasileiro, registrando em fotos as paisagens, a arquitetura e a população dos locais visitados. Também fotografa paisagens de São Paulo, em especial da região central, e cenas na fazenda de Oswald e Tarsila. Lança o romance Amar, Verbo Intransitivo em 1927. Passa a escrever para o Diário Nacional, órgão do Partido Democrático – PD, ao qual se filia. Nesse jornal publica a maior parte de sua produção, entre críticas, contos, crônicas e poemas, até 1932. Em 1928, lança Macunaíma, Herói sem Caráter e Ensaio Sobre Música Brasileira; em 1929, Compêndio da História da Música; em 1930, Modinhas Imperiais e, em 1933,  Música, Doce Música. Sempre interessado pela música erudita e popular, busca promover pesquisas de nacionalização da música brasileira.

De 1933 a 1935, é crítico do Diário de São Paulo. Em 1935, funda, com Paulo Duarte, o Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, do qual se torna o primeiro diretor. Nesse cargo, cria a Discoteca Pública, hoje Discoteca Oneyda Alvarenga. No ano seguinte, participa da elaboração do anteprojeto da criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Sphan. Em 1937, como diretor do Departamento, convida o casal Lévi-Strauss para ministrar um curso de etnografia. Cria, com Dina Lévi-Strauss, a Sociedade de Etnografia e Folclore, e se torna seu primeiro presidente. Organiza o Congresso de Língua Nacional Cantada. É eleito membro da Academia Paulista de Letras.

De fevereiro a julho de 1938, envia um grupo de pesquisadores ao Norte e ao Nordeste do Brasil. Batizada de Missão de Pesquisas Folclóricas, a expedição por ele idealizada grava, fotografa, filma e estuda uma grande diversidade de melodias cantadas no trabalho, em festas e rezas. Em 1938, transfere-se para o Rio de Janeiro, onde dirige o Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal, além de ocupar a cátedra de história e filosofia da arte. Retorna a São Paulo em 1941. Como técnico da seção paulista do Sphan, viaja por todo o Estado realizando pesquisas. Com outros intelectuais, contrários ao regime ditatorial do Estado Novo, funda em 1942 a Associação Brasileira de Escritores – Abre, entidade que luta pela redemocratização do país. Colabora no Diário de S. Paulo e na Folha de S. Paulo. No salão de conferências da Biblioteca do Ministério das Relações Exteriores ministra a célebre conferência “O movimento modernista”, incluída no livro Aspectos da Literatura Brasileira, de 1943.

Obras publicadas:

Há uma Gota de Sangue em Cada Poema, 1917
Pauliceia Desvairada, 1922
A Escrava que Não É Isaura, 1925
Losango Cáqui, 1926
Primeiro Andar, 1926
O clã do Jabuti, 1927
Amar, Verbo Intransitivo, 1927
Ensaios Sobra a Música Brasileira, 1928
Macunaíma, 1928
Compêndio Da História Da Música, 1929 (Reescrito como Pequena História da Música Brasileira, 1942)
Modinhas Imperiais, 1930
Remate de Males, 1930
Música, Doce Música, 1933
Belasarte, 1934
O Aleijadinho de Álvares De Azevedo, 1935
Lasar Segall, 1935
Música do Brasil, 1941
Poesias, 1941
O Movimento Modernista, 1942
O Baile das Quatro Artes, 1943
Os Filhos da Candinha, 1943
Aspectos da Literatura Brasileira 1943
O Empalhador de Passarinhos, 1944
Lira Paulistana, 1945
O Carro da Miséria, 1947
Contos Novos, 1947
O Banquete, 1978 (Editado por Jorge Coli)
Dicionário Musical Brasileiro, 1989 (editado por Flávia Toni)
Será o Benedito!, 1992
Introdução à estética musical, 1995 (editado por Flávia Toni)

Serviço

MARIO DE ANDRADE NO ITAU CULTURAL

Data: 28/junho a 28/julho
Local: Itau Cultural
Endereço: Avenida Paulista, 149
São Paulo – SP
Horário: Ter a Sex 9 as 20h | Sab, Dom e feriados das 11 as 20h
Entrada Franca
Mais informações: AQUI

[Cabine da Pipoca] Uma adaptação da obra de Nelson Rodrigues proibida e premiada

O filme lançado em 1973, dirigido por Arnaldo Jabor e que gerou uma situação extraordinária em seu lançamento, e com tanto sucesso foi representante oficial do Brasil no “Festival de Berlim”, enquanto nesse meio tempo o General Antônio Bandeira, chefe do serviço da censura, achou imoral, ordenando a proibição do longa. Mas foi novamente liberado, após ter conquistado o festival.

“Toda Nudez Será Castigada” é um longa baseado na peça de teatro homônima de Nelson Rodrigues, e conta a história de um homem puro que tinha tido apenas uma única mulher na vida e promete para seu filho que não teria outra, todavia Patrício dependente dele numa crise de desespero de Herculano mostra uma foto de Geni, uma cantora e prostituta.

Após embebedá-lo, Herculano vai até a zona e encontra Geni, onde passa a noite com ela.
Depois a renega por solidariedade, pois a prostituta havia dito que estava com um caroço no seio, alegando que sempre teve certeza que sua morte viria através de um câncer, até ai já era tarde demais, pois ambos estavam apaixonados.

Herculano leva Geni para viver em sua casa de campo, e seu irmão Patrício leva Serginho (filho de Herculano) para ver o pai e eles o encontra com a prostituta, o filho bastante aborrecido e chateado com a situação, vai até um bar e embriaga-se e briga com um cara qualquer, indo parar na delegacia. Lá ele foi estuprado por um ladrão boliviano.

Herculano culpa Geni, que quase vai embora, mas em uma visita deles a Serginho no hospital, ele diz que quer ver o pai casado com a puta.

No entanto, atendendo ao pedido do filho, Herculano se casa com a garota de programa, e Serginho passa a ser amante dela, traindo o ingênuo do pai.

Tempos depois, Patrício diz a Geni que viu seu filho fugindo com o ladrão boliviano, o que a deixa desesperada e acaba se matando, mas antes amaldiçoa Herculano, Serginho e toda a família.

Como todas as obras de Nelson Rodrigues, a obra fala da hipocrisia das famílias tradicionais. A primeira versão da adaptação foi gravada em 1973, e em 2012 a peça ganhou uma nova visão, com novo elenco e dirigido pelo renomado diretor de teatro Jorge Farjalla, em seu sétimo filme da série EnCURTAndo Nelson.

Assista o trailer da adaptação da obra de Nelson Rodrigues filmada em 2012:

Por Patrícia Visconti

[TOTAL FLEX] A Casa de Bernarda Alba: Um Drama sobre a vida, o amor e a morte

Após o êxito estrondoso no último 21 de março, reestreou na primeira semana de maio o espetáculo de “A Casa de Bernarda Alba”, no Teatro do Ator, em São Paulo.

A adaptação da obra de Federico García Lorca, revivendo um drama de 1936, mas com um desenvolvimento diferente dos já  apresentados anteriormente, mostrando aspectos dos identificados nas entrelinhas do texto, que só podem ser percebidos por um leitor assíduo e incansável da obra.

Dirigido por Marcelo Dias César e Néia Barbosa, que já tem uma longa história desta dupla na direção, pois juntos já dirigiram “Quarto de Estudante”, de Roberto Freire; “Performances”, de Murilo Dias César; “Game Over”, de Wilson Fumoy e “Rapunzel” de Walcyr Carrasco.

A peça também traz um grande diferencial, mostrando uma releitura feita as personagens da obra, de forma mais agressiva e moderna. Tomando outro vieses à peça, aprofundando mais da alma de cada personagem, já que todos são intensos e carregados de histórias, além de mostrar personalidade forte, fazendo com que os atores invistam em uma rigorosa interpretação verticalizada, trazendo a ideia de as personagens são indivíduos humanos com histórias de vida e valores, e não simplesmente arquétipos pré-estabelecidos.

Uma história forte, comovente, emocionante, que com certeza fará os espectadores sair do teatro com uma visão diferente a que entrou em relação a sociedade, família, rotina, amores e desamores.

Sinopse:
Bernarda Alba é uma matriarca dominadora que mantém as cinco filhas, sob vigilância implacável, transformando a casa onde vivem em um caldeirão de tensões prestes a explodir a qualquer momento. Com a morte de seu segundo marido, a mãe decreta um luto incansável de oito anos. O provável casamento da primogênita desencadeia uma disputa cruel e perigosa com consequências trágicas para a família.

Ficha Técnica

Direção: Marcelo Medeiros e Néia Barbosa
Produção: DOM Produções
Texto: Federico García Lorca
Figurino: Marcio Rodrigues
Trilha composta e executada: Kauan de Medeiros

Elenco:
Theo Moraes como Bernarda Alba
Pôncia: Samara Pereira
Martírio: Carol Hubner
Adela: Dani Salmoria
Madalena: Renata Fazanella
Amélia: Carol Ghirardelli
Angústias: Vanessa Friggo
Criada: Monica Negro
Prudência / Maria Josefa: Néia Barbosa

Serviço:
A Casa de Bernarda Alba
Obra Original: Federico García Lorca
Temporada: De: 21/03 até 23/05
Datas de apresentação: Quintas-feiras, às 21h
Ingressos: R$ 40,00 (meia: R$ 20,00)
Local: Teatro do Ator
Endereço: Praça Franklin Roosevelt, 172 – Consolação – São Paulo – SP
Telefone: (11) 3257 3207
Censura: 16 anos
Duração: 70 min.
Gênero: Drama
Quantidade de lugares: 110
Não tem venda pela internet.

E ai, curtiu o drama de “A Casa de Bernarda Alba”?

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