[Total Flex] A poesia do jardineiro


Sempre o admirei. Por muitas vezes encontrei Ari Carlos Ferreira dos Santos trabalhando nos canteiros de Canoinhas-SC. Figura quase mítica na cidade, o jardineiro, além da habilidade e paixão por plantas, é um poeta de primeira.

Lembro da primeira vez que o entrevistei. Estava no Batalhão de Polícia Militar, cuidando das flores em uma estufa. Sujeito simples, com o olhar profundo e inocente, como uma criança que pede atenção. Lembro dos seus olhos, azuis, claros e brilhantes por detrás dos óculos. Falamos do seu processo de escrita.

Arcafes não estudou para isso. No auge da sua vida, foi topógrafo, em um tempo em que não era necessário diploma para exercer a função. Caiu aos poucos, por causa da bebedeira. E, agora, almeja subir aos poucos. “Ainda chego lá. Ainda dou a volta por cima.”

O destino ainda quis nos unir mais vezes: semanalmente, Arcafes escreve para o jornal Correio do Norte. Seus poemas/poesias trazem algo de essencial. Trazem a essência humana, a percepção do real por meio de uma visão completamente minimalista, mas não simplista. Uma visão complexa e, diria, completa do mundo.

Enquanto trabalha nos jardins públicos, a mente de Arcafes também trabalha a mil para desenvolver novos textos. Se a ideia é mesmo muito boa, nada custa tirar papel e caneta dos bolsos e anotar. Às vezes, confessa, escreve uma palavra que ainda não existe. Como descobre? Procura no minidicionário. Se não tem o verbete, é um neologismo. A ideia é justamente esta: apresentar aos outros as palavras que não são muito usadas, mas que dão sentido diferente à frase.
O sonho do jardineiro-poeta é escrever um livro. Na verdade, dois. Um com as poesias e outro com a sua biografia. Já tentou, mas o valor do investimento ainda é inviável. A voz calma e a serenidade das palavras mexem com o coração. Quem dera o jornalismo fizesse de mim uma pessoa rica para ajudar nessa realização. Afinal, o destino parece me dizer algo. Como uma missão, talvez. O que será?

[Cantinho Literário] Paulo Leminski o poeta dos breves trocadilhos

Nesta semana o escritor da vez é Paulo Leminski, que sempre chamou de todos por sua intelectualidade, cultura e genialidade, era filho do polonês Paulo Leminski II e Áurea Pereira Mendes, nasceu em Curitiba, Paraná e inventou seu jeito próprio de escrever poesia, preferindo poemas breves, muitas vezes haicais, trocadilhos, ou poesias que brincava com ditados franceses.

Com 14 anos Leminski foi para o Mosteiro de São Bento em São Paulo e por lá ficou durante todo o ano (1958), ele participou do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda em Belo Horizonte onde conheceu Haroldo de Campos, amigo e parceiro em várias obras, Paulo se casou cedo, aos 16 anos, ele se casou com a desenhista e artista plástica Neiva Maria de Sousa, mas separou em 1968, e no mesmo ano casou-se com a poetisa Alice Ruiz, com quem viveu durante 20 anos.
No ano de 1964 ele lançou cinco poemas na revista Invenção e também começou a dar aulas de judô, no ano de 1966, foi primeiro lugar no II Concurso Popular de Poesia Moderna.
De 1969 a 1970 decidiu morar no Rio de Janeiro, retornando a Curitiba para se tornar diretor de criação e redator publicitário.
Dentre suas atividades, criou habilidade de letrista e músico. Verdura, de 1981, foi gravada por Caetano Veloso no disco Outras Palavras. A própria bossa nova resulta, em partes iguais, da evolução normal da MPB e do feliz acidente de ter o modernismo criado uma linguagem poética, capaz de se associar com suas letras mais maleáveis e enganadoramente ingênuas às tendências de então da música popular internacional. 
A jovem guarda e o tropicalismo, à sua maneira, atualizariam esse processo ao operar com outras correntes musicais e poéticas. Por sua formação intelectual, Leminski é visto por muitos como um poeta de vanguarda, todavia por ter aderido à contracultura e ter publicado em revistas alternativas, muitos o aproximam da geração de poetas marginais, embora ele jamais tenha sido próximo de poetas como Francisco Alvim, Ana Cristina César ou Cacaso. Por sua vez, em muitas ocasiões declarou sua admiração por Torquato Neto, poeta tropicalista e que antecipou muito da estética da década de 1970.
Na década de 1970, teve poemas e textos publicados em diversas revistas – como Corpo Estranho, Muda Código (editadas por Régis Bonvicino) e Raposa. Em 1975 e lançou o seu ousado Catatau, que denominou “prosa experimental”, em edição particular. Além de poeta e prosista, Leminski era também tradutor (traduziu para o castelhano e o inglês alguns trechos de sua obra Catatau, a qual foi traduzida na íntegra para o castelhano). Na poesia de Paulo Leminski, por exemplo, a influência da MPB é tão clara que o poeta paranaense só poderia mesmo tê-la reconhecido escrevendo belas letras de música, como Verdura.
Em seus últimos anos de (1987 a 1989), Leminski, trabalhou como colunista do jornal Vanguarda que era apresentado por Doris Giessi, na Rede Bandeirantes, no dia 7 junho de 1989, por consequência do agravamento de uma cirrose hepática que o acompanhou por vários anos, Paulo Leminski, faleceu em Curitiba, aos 44 anos de idade.
Leminski fez grandes parcerias como Caetano Veloso, o grupo A Cor do Som e o a banda de punk rock Beijo AA Força4 entre 1970 e 1989. Teve influência da poesia de Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos, convivência com Régis Bonvicino, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Moraes Moreira, Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik, Arnaldo Antunes, Wally Salomão, Antônio Cícero, Antonio Risério, Julio Plaza, Reinaldo Jardim, Regina Silveira, Helena Kolody, Turiba, Ivo Rodrigues. A música estava ligada às obras de Paulo Leminski, uma de suas paixões, proporcionando uma discografia rica e variada.
Veja abaixo as grandes obras publicadas de Paulo Leminski:
Obra poética
Quarenta clics em Curitiba. Poesia e fotografia, com o fotógrafo Jack Pires.
Curitiba, Etecetera, 1976. (2ª edição Secretaria de Estado Cultura, Curitiba, 1990.) n.p.
Polonaises. Curitiba, Ed. do Autor, 1980. n.p.
Não fosse isso e era menos/ não fosse tanto e era quase. Curitiba, Zap, 1980. n.p.
Tripas. Curitiba, Ed. do Autor, 1980.
Caprichos e relaxos. São Paulo, Brasiliense, 1983. 154p.
e Ruiz, Alice. Hai Tropikais. Ouro Preto, Fundo Cultural de Ouro Preto, 1985. n.p.
Um milhão de coisas. São Paulo, Brasiliense, 1985. 6p.
Caprichos e relaxos. São Paulo, Círculo do Livro, 1987. 154p.
Distraídos Venceremos. São Paulo, Brasiliense, 1987. 133p. (5ª edição 1995)
La vie en close. São Paulo, Brasiliense, 1991.
Winterverno (com desenhos de João Virmond). Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, 1994. (2ª edição publicada pela Iluminuras, 2001. 80p.)
Szórakozott Gyozelmunk (Nossa Senhora Distraída) – Distraídos venceremos, tradução de Zoltán Egressy, Coletânea organizada por Pál Ferenc. Hungria, ed. Kráter, 1994. n.p.
O ex-estranho. Iluminuras, São Paulo, 1996.
Melhores poemas de Paulo Leminski. (seleção Fréd Góes) Global, São Paulo, 1996.
Aviso aos náufragos. Coletânea organizada e traduzida por Rodolfo Mata. Coyoacán – México, Eldorado Ediciones, 1997. n.p.
Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. – Primeira edição de suas poesias completas, que chegou a vender mais de 20 mil exemplares em um mês e meio5 .
Obra em prosa
Catatau (prosa experimental). Curitiba, Ed. do Autor, 1975. 213p.
Agora é que são elas (romance). São Paulo, Brasiliense, 1984.1 63p.
Catatau. 2ª ed. Porto Alegre, Sulina, 1989. 230p.
Metaformose, uma viagem pelo imaginário grego (prosa poética/ensaio). Iluminuras, São Paulo, 1994. (Prêmio Jabuti de poesia , 1995)
Descartes com lentes (conto). Col. Buquinista, Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, 1995.
Agora é que são elas (romance). 2ª ed. Brasiliense / Fundação Cultural de Curitiba, 1999.
Catatau. São Paulo, Iluminuras, 2010. 256p.
Biografias e ensaios
Cruz e Souza. São Paulo, Brasiliense. Coleção “Encanto Radical”, n° 24, 1985. 78p.
Matsuó Bashô. São Paulo, Brasiliense, 1983. 78p.
Jesus. São Paulo, Brasiliense, 1984, 119p.
Trotski: a paixão segundo a revolução. São Paulo, Brasiliense, 1986.
Vida (biografias: Cruz e Souza, Bashô, Jesus e Trótski). Sulina, Porto Alegre, 1990. (2ª edição 1998)
Ensaios
POE, Edgar Allan. O corvo. São Paulo, Expressão, 1986. 80p. (apêndice)
Poesia: a paixão da linguagem. Conferência incluída em “Os Sentidos da paixão”. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 283-306.
Nossa linguagem. In: Revista Leite Quente. Ensaio e direção. Curitiba, Fundação Cultural de Curitiba, v.1, n.1, mar.1989.
Anseios crípticos (anseios teóricos): peripécias de um investigador dos sentido no torvelinho das formas e das idéias. Curitiba, Criar, 1986. 143p.
Metaformose, uma viagem pelo imaginário grego (prosa poética/ensaio). Iluminuras, São Paulo, 1994. (Prêmio Jabuti de poesia , 1995) •
Ensaios e anseios crípticos. Curitiba, Pólo Editorial, 1997. n.p.
Traduções
FANTE, John. Pergunte ao pó. São Paulo, Brasiliense, 1984.
FERLINGHETTI, Lawrence. Vida sem fim (com Nelson Ascher e outros tradutores). São Paulo, Brasiliense, 1984. n.p.
JARRY, Alfred. O supermacho; romance moderno. São Paulo, Brasiliense, 1985. 135p. lndição editorial, posfácio e tradução do francês.
JOYCE, James. Giacomo Joyce. São Paulo, Brasiliense, 1985. 94p. Edição bilingüe, tradução e posfácio.
LENNON, John. Um atrapalho no trabalho. São Paulo, Brasiliense, 1985.
MISHIMA, Yukio. Sol e aço. São Paulo, Brasiliense, 1985.
PETRONIO. Satyricon. São Paulo, Brasiliense, 1985.191 p. Traducão do latim.
BECKETT, Samuel. Malone Morre. São Paulo, Brasiliense, 1986.16Op. lndicação editorial, posfácio e traduções do francês e inglês.
Fogo e água na terra dos deuses. Poesia egípcia antiga. São Paulo, Expresão, 1987. n.p.
Produção musical
1981- Verdura – Caetano Veloso no disco Outras palavras
1981- Mudança de estação -A cor do Som no disco Mudança de estação
1981- Valeu – Paulinho Boca de Cantor no disco Valeu
1982- Se houver céu – Paulinho Boca de Cantor no disco Prazer de viver
1982- Razão – A Cor do Som no disco Magia tropical
1990- Verdura – Blindagem no disco Blindagem
1990- Se houver céu – Blindagem no disco Blindagem
1993- Mãos ao alto – Edvaldo Santana no disco Lobo solitário
1994- Luzes – Susana Sales no disco Susana Sales
1996- Mudança de estação – A cor do Som no disco Ao vivo no circo
Gravações em parceria (Letras de Paulo Leminski e música dos parceiros)[editar]
1976- Festa Feira – com Celso Loch no disco MAPA – Movimento de Atuação Paiol
1982- Promessas demais – com Moraes Moreira e Zeca Barreto, gravação por Ney Matogrosso
1982- Baile no meu coração – com Moraes Moreira no disco COISA ACESA
1982- Decote Pronunciado – com Moraes Moreira e Pepeu Gomes no disco COISA ACESA
1982- Pernambuco Meu – com Moraes Moreira no disco COISA ACESA
1983- Sempre Ângela – com Moraes Moreira e Fred Góes no disco SEMPRE ANGÊLA de Ângela Maria
1983- Teu Cabelo – com Moraes Moreira no disco PINTANDO O 8
1983- Oxalá – com Moraes Moreira no disco PINTANDO O 8
1984- Mancha de Dendê não sai – com Moraes Moreira no disco MANCHA DE DENDÊ NÃO SAI
1984- Milongueira da Serra Pelada, O Prazer do Poder, Circo Pirado, Xixi nas estrelas, Cadê Vocês?, Coração de Vidro, Frevo Palhaço, Viva a Vitamina com Guilherme Arantes no disco PIRLIMPIMPIM 2
1985- Alma de Guitarra – com Moraes Moreira no disco TOCANDO A VIDA
1985- Vamos Nessa – com Itamar Assumpção no disco SAMPA MIDNIGHT
1986- Desejos Manifestos – com Moraes Moreira e Zeca Barreto no disco MESTIÇO É ISSO
1986- Morena Absoluta – com Moraes Moreira no disco MESTIÇO É ISSO
1987- Adolescência – com Detrito Federal no disco Vítimas do Milagre
1988- UTI – com Arnaldo Antunes, gravado por Clínica no disco CLÍNICA
1990- Oração de um Suicida -com Pedro Leminski, Blindagem no disco BLINDAGEM
1990- Sou legal eu sei – com Ivo Rodrigues no disco BLINDAGEM
1990- Não posso ver – com Ivo Rodrigues no disco BLINDAGEM
1990- Palavras – com Ivo Rodrigues no disco BLINDAGEM
1990- Hoje – com Ivo Rodrigues no disco BLINDAGEM
1990- Marinheiro – com Ivo Rodrigues no disco BLINDAGEM
1990- Quanto tempo mais – com Ivo Rodrigues no disco BLINDAGEM
1990- Legião de anjos – com Ivo Rodrigues no disco BLINDAGEM
1991- Lêda – com Moraes Moreira no disco CIDADÃO
1991- Morena Absoluta – com Moraes Moreira no disco OPTIMUN IN HABBEAS COPPUS
1992- Polonaise – com José Miguel Wisnik no disco JOSÉ MIGUEL WISNIK
1992- Subir Mais – com José Miguel Wisnik no disco JOSÉ MIGUEL WISNIK
1993- Alles Plastik – com Carlos Careqa no disco TODOS OS HOMENS SÃO IGUAIS
1993- Freguês Distinto – com Edvaldo Santana no disco LOBO SOLITÁRIO
1993- Custa nada sonhar – com Itamar Assumpção no disco BICHO DE 7 CABEÇAS
1994- Polonaise – com José Miguel Wisnik na trilha sonora do filme ED MORT
1995- O Deus – com Edvaldo Santana e Ademir Assunção no disco TÁ ASSUSTADO? de Edvaldo Santana
1996- Filho de Santa Maria – com Itamar Assumpção, gravado por Zizi Possi no disco MAIS SIMPLES
1997- Lua no Cinema – com Eliakin Rufino no disco SANSARA da Sansara
1997- Lêda – com Moraes Moreira no disco 50 CARNAVAIS
1997- Mancha de dendê não sai – com Moraes Moreira no disco 50 CARNAVAIS
1997- Parece que foi ontem – com Bernardo Pelegrini no disco QUERO SEU ENDEREÇO da banda Bernardo ellegrini e o bando do cão sem dono.
1997- Filho de Santa Maria – com Itamar Assunção no disco QUERO SEU ENDEREÇO da banda Bernardo Pellegrini e o bando do cão sem dono.
1998- Legião de Anjos – com Ivo Rodrigues no disco DIAS INCERTOS
1998- Rapidamente – com Ivo Rodrigues no disco DIAS INCERTOS
1995- Filho de Santa Maria – com Itamar Assumpção,Banda Beco no disco BECO
1995- V. de Viagem – com Banda Beco no disco BECO
1995- Peso da Lua – com Banda Beco no disco BECO
1998- Coisas – com Celso Loch no disco VERFREMDUNGSEFFEKT BLUES
1998- Além Alma – com Arnaldo Antunes no disco UM SOM
1998- Dor Elegante – com Itamar Assumpção no disco PRETOBRÁS
1999- Perdendo Tempo – com Antonio Thadeu Wojciechowski / Roberto Prado / Walmor Douglas na trilha sonora do filme BAR BABEL da banda Maxixe Machine
2001- Polonaise II – com Anna Toledo no CD Viva!
2001- A palmeira estremece – com Guca Domenico no disco TE VEJO
2004- Isto – com Carlos Careqa no CD Não sou filho de ninguém
2007 – Além Alma – com Cassyano Correr, pela banda Escola de Robô no disco “um mais um mais”
Literatura infanto-juvenil
Guerra dentro da gente. São Paulo, Scipione, 1986. 64p.
A lua foi ao cinema. São Paulo, Pau Brasil, 1989. n.p.
Biografias sobre Leminski
Toninho Vaz. Paulo Leminski – O Bandido Que Sabia Latim. Record, 2001. 378p.
Documentários sobre Leminski
Werner Schumann. Paulo Leminski – Ervilha da Fantasia (1985) – Documentário de Werner Schumann, com Paulo Leminski, é o mais importante trabalho realizado sobre o poeta. No filme, Leminski fala sobre poesia, cinema, literatura, psicanálise e apresenta a sua obra. Quatro anos depois, ele viria falecer em Curitiba. O documentário está disponível na íntegra no YouTube (29 minutos).
REDE MINAS. Programa Diverso. Especial sobre Paulo Leminski, exibido em 23-10-2012. Disponível no YouTube.
Estudos sobre a obra de Leminski
CARVALHO, Tida. O Catatau de Paulo Leminski: descordenadas cartesianas. Cone Sul, 2000.
LIMA NETO, Manoel Ricardo de. “Entre percurso e vanguarda – alguma poesia de Paulo Leminski”. São Paulo: editora Annablume, 2002.
MARQUES, Fabrício. Aço em flor: a poesia de Paulo Leminski. Autêntica Editora, 2001. 135p.
MELO, Marcelo de. Leminski e a Cidade: Poesia, Urbanização e Identidade Cultural. Monografia apresentada ao Curso de História da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1996. 61p.
MENDONÇA, Maurício Arruda. O Romance-idéia Catatau de Paulo Leminski – uma Abordagem Literária e Filosófica – Londrina : Universidade Estadual de Londrina – Centro de Letras e Ciências Humanas, 2009. Dissertação de Mestrado.
MOREIRA, Paula Renata. Massa para o biscoito e biscoito para a massa: tensões entre expressão e construção na poética leminskiana. Fortaleza: UFC, 2006. Dissertação de mestrado.
NOVAIS, Carlos Augusto. O rigor da vida e o vigor do verso: o haikai na poética de Paulo Leminski. Belo Horizonte: UFMG, 1999. Dissertação de mestrado.
NOVAIS, Carlos Augusto. As trapaças de Occam: montagem, palavra-valise e alegoria no Catatau. Belo Horizonte: UFMG, 2008. Tese de doutorado.
OLIVEIRA, Fátima Maria de. Correspondência e vida de Paulo Leminski: f(r)icção de (tr)aços ou essa fúria que quer seja lá o que for. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2004. Tese de doutorado.
REBUZZI, Solange. Leminski, guerreiro da Linguagem. Letras
SALVINO, Romulo Valle. Catatau: Meditações da Incerteza. São Paulo : Educ Fapesp, 2000.
SANDMANN, Marcelo. (org.) A pau a pedra a fogo a pique: dez estudos sobre a obra de Paulo Leminski. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, 2010.
SANTANA, Ivan Justen. Paulo Leminski, intersemiose e carnavalização na tradução. São Paulo: USP, 2002. Dissertação de mestrado.
TECA, William Crusoé de Oliveira. A Carnavalização de Descartes no Catatau de Paulo Leminski. Curitiba: UFPR, 2005. Dissertação de mestrado.
Para conferir os poemas e textos de Paulo Leminski, acesse alguns meios por aqui na WEB:
Boa semana à todos e até semana que vem com mais literatura aqui na embarcação

[Caixa de Som] O Lúdico dos Poetas

Alguns dizem que ele é louco, outros os chamam de pensador, mas Mister Lúdico é mais do que apenas um músico pop da atualidade.

Obstinado por obsessões passageiras, vive entre o moral heroico social,  anti-mofo humanístico privado de respirar na conturbação caótica de uma metrópole engarrafada. Esse é Mister Lúdico, um rebento predileto do senhor do Sol.

Um artista, músico e com compreendedor intelectual dos fatos, eventos e hipóteses criado por uma sociedade caótica e com mil ações e realizações abortada durante a rotina diária.

Além do mais, o artista é conhecido por trabalhados realizados na televisão, como a MTV e na internet (Lengendários), e lançou recentemente o bucólico e ecológico videoclipe, ‘Savanna’, no qual o músico prática yoga e toca violão imaginário, enquanto transmite a mensagem “vislumbre o seu elo com o mundo animal, esqueça o que tu pensas, pois tudo é igual”. Mister Lúdico também divulgou na íntegra para audição o disco ‘Zunha de Violeiro’, que mostra atmosfera psicodélica do início ao fim aos elementos que compõem o álbum folk, que são distribuídos por suas faixas, voz, violão, viola e gaita.

O disco é considerado por Lúdico, “um santo remédio sonoro-homeopático a todos que buscam novos horizontes na música, sem perder o teor inexpugnável dos suspiros que vêm do coração toda vez que se escuta uma moda de viola caipira, superando os limites impostos pela mesmice repetitiva dos que apenas continuam copiando bases e melodias de artistas que já se foram, fazendo como Isaac Newton, que continuou os estudos de onde Galileu Galilei tinha parado exatamente quando morreu“, [ouça aqui].

Lúdico é apenas um poeta criativo e pensante, que propaga o Rock n’ Roll e as ideologias ecológicas e naturais à um mundo que apenas visa o querer e poder, um grande inspirador de Sócrates, Alexis Arguello, Utnapshtim,Buddy Rich, Ramones, Jack Kirby, Tex Willer e Tião Carreiro.

Assista abaixo o primeiro videoclipe do álbum ‘Zunha de violeiro’:


Para conferir mais sobre a vida, carreira, apresentações e novidades sobre o músico, acesse seu Facebook oficial.Por Patrícia Visconti

Cantinho Literário entrevista Thiago Bechara

Primeiro de tudo, quero me desculpar por não ter tido Cantinho Literário semana passada, fiquei até envergonhada de ver a semana editorial aqui n’O Barquinho completa e não ver o meu ‘xodôzinho’, meu espaço literário, no qual divido minhas experiências, dicas,  especiais com grandes autores e apresento novos autores literários.
Mas nesta semana aqui estou, firme e forte, para trazer para toda tripulação o ‘best’ da literatura, nesta semana como comentava algumas vezes, pelas redes sociais,  que até o fim deste mês serão séries de entrevistas, com jornalistas, poetas, escritores e afins, que irão compor este finzinho de 2012, que logo logo se vai.
Nesta semana, abrindo o especial de entrevistas, será o jovem paulistano de 25 anos, mas que daqui dois meses fará 26 (fevereiro), o jornalista, escritor e poeta.
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e é pós-graduado em Jornalismo Cultural pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP, Thiago já tem alguns livros publicados, um deles é o Encenações, lançado em 2004 pela Editora Zouk, com prefácio do jornalista Heródoto Barbeiro.
Mas sem mais delongas, conheçam um pouco deste jovem ‘colega’ (jornalista) de profissão, que ama o que faz, pois ele faz com todo amor e dedicação.

1. O que Jornalismo e literatura significa em sua vida?

O jornalismo é uma ferramenta para a literatura, que é uma necessidade. E isso tudo foi sendo descoberto de maneira muito empírica na minha vida, já que meu sonho sempre foram os palcos, como ator e cantor. O texto falou mais alto e se impôs pouco a pouco, de maneira doce e irreversível. Quando falo em necessidade, não me refiro a nenhuma acepção transcedental da palavra, ou algo que o valha. Quero dizer pura e simplesmente que não sei dormir sem ler um bom livro, da mesma maneira que não sei acordar sem ter em mente algo para ser escrito. Mesmo que eu passe dias sem escrever, estou sempre gestando uma ideia ou a ternura por um sentimento que será registrado de alguma maneira. Seja num poema, num trabalho de pesquisa histórica, numa biografia, num conto, numa crônica, num romance, etc.
2. Música e poesia para você é…  Música é a própria representação da vida. Tons, emoções, altos, baixos. Sempre necessária e desejada, parafraseando Gonzaguinha. Ninguém quer morrer. A não ser os suicidas. Será que quem diz não gostar de música tem uma tendência maior à pulsão de morte, seu tânatos  Poesia é a retina do poeta. Tudo pode ser poesia, desde que seja visto assim. Parece muito simples, porque na verdade é. Pra quê complicar?
3. O que você acha do Jornalismo Cultural de atualmente? Falta algo ou está bom?
Sempre há aspectos positivos ao mesmo tempo que falta algo. E isso não é ruim. Se não faltasse, não haveria para onde nos expandirmos, evoluirmos, pesquisarmos, subvertermos. Bem entendido, quero mais é que continue sempre faltando algo, rs. 
No Brasil, especificamente, temos alguns veículos cuja linha editorial se aproxima mais ou menos do que se entende por Jornalismo Cultural, na sua acepção original do New Jornalism. Quer dizer, pretendem se aproximar disso. No entanto, sinto falta de espaços realmente privilegiados, para grandes e saborosas reportagens, perfis, etc. 
Há muita gente talentosa e capaz disso, mas esse viés acaba ficando mais restrito ao livro na maioria dos casos. No entanto, há razões concretas, financeiras, comerciais para vivermos este tipo de configuração, e acredito que o País vive um avanço gradativo nesse sentido.
4. Sabemos que você tem ‘N’ ganchos na área cultural, conte nos um pouco de seus projetos (passados, presentes e futuros), como seus livros, poemas, canções e afins…
Minha linha de trabalho se divide, pelo menos por enquanto, basicamente em poemas, biografias e perfis, pesquisas históricas e contos. Meus dois primeiros livros foram de poesias (o primeiro independente, em 2002, e o segundo pela Ed. Zouk, 2004). 
O terceiro já foi em 2010 pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, o perfil da atriz e diretora Imara Reis. Amei fazer. É um orgulho que tenho na vida, ser amigo da Imara e ter sido o “encabeçador” desse projeto. Do mesmo modo, acredito demais na importância da biografia da cantora Cida Moreira, que escrevi de 2008 a 2010 e será lançada pela mesma coleção no ano que vem. Concomitantemente ao livro da Imara, eu estava fazendo a biografia do compositor e cantor Luiz Carlos Paraná (1932-1970), primeiro trabalho de maior fôlego nessa seara, já que o biografado era falecido e eu tive a possibilidade de exercitar meu faro de pesquisador. Foi fabuloso. 
Um marco na minha carreira e na minha vida, por diversas razões. Este livro saiu em julho de 2012. Há coisa de uma semana, foi impresso meu próximo trabalho, o livro “A linguagem corporal circense”, pela Ed. Phorte, para o qual fui contratado pela professora de Ed. Física Cristiane Cassoni, para executar o projeto que ela tinha em mente de aplicar pedagogicamente as técnicas circenses ao universo da educação Física. Sairá ano que vem, provavelmente, e colaboraram conosco mais dois professores ligados à arte circense. 
Próximos projetos, não há segredos, rs. Livro de poemas inéditos pronto, livro de contos sendo escrito, primeiro romance começando a ser escrito, biografia da atriz Claudia Alencar sendo escrita, e ideias, muitas ideias. Mas além da literatura, estou encabeçando o projeto do programa “Memória Brasil”, na TV Geração Z (TV UOL – www.tvgeracaoz.com.br) que vai ao ar ao vivo, todas as quintas-feiras, às 16h, por esse site. Já foram entrevistadas personalidades como Karin Rodrigues, Claudia Mello, Elisabeth Hartmann, Tato Fischer, Phedra D. Córdoba, Imara Reis, etc.
5. O que significa arte literária pra você?
Ainda não descobri, rs. Talvez a possibilidade de um encontro meu com o mundo e do mundo comigo, por meio da autodescoberta. Nesse sentido, me veio a associação com o termo “religação”, que dá origem à ideia de religião. Religar. Aco que a arte em termos gerais é minha grande fé na existência de algo superior a nós no mundo.
Thiago Bechara com o professor Antonio Candido
6. Qual seu estilo literário favorito?

Não há apenas um. Também não sei definir exatamente o que me atrai, mas sei que meu olhar está muito mais interessada em questões psicológicas, dramas humanas, ou facetas cômicas da nossa vida cotidiana, do que em enredos estereotipados ou idealizados. Sou mais pé no chão e a literatura só me “pega” quando vejo refletido no universal, questões particulares que nos obrigam a buscarmos a nós mesmos.
7. Um músico favorito…  Essa pergunta no Brasil é uma sacanagem, rs. Sobretudo porque amo músicos de fora também. Terei de superar sua limitação e dar mais de um nome (muito mais): Chico Buarque, Villa-Lobos, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, Mercedes Sosa, Omara Portuondo, Liza Minelli, Clara Nunes, Gal Costa, Cida Moreira, Nelson Freire, Tato Fischer, etc.
8. Um autor favorito… Machado de Assis, Mário de Andrade, Clarice Lispector, Luigi Pirandello, Dostoiévski, Tchekhov, Humberto Werneck, etc, rs.
9. Thiago por Thiago…  Aquariano, autêntico, neurótico, perfeccionista. Só sabe agir se acreditar, só sabe viver se for apaixonado. Ama o silêncio e seus amigos (incluindo os livros).
10. Thiago e o jornalismo cultural… Uma relação descoberta 
11. Promova-se… Conte-nos um pouco de sua ideias, projetos, livros, de sua vida literária e onde podemos encontrar suas obras?
cararicatura de Thiago,
feita por um artista de rua,
próximo ao  Teatro Frei Caneca
Meu site (www.thiagobechara.com.br) é um bom lugar para quem se interessar, ficar sabendo de mais detalhes sobre meus trabalhos, projetos, ver fotos, assistir vídeos com entrevistas minhas ou os programas que apresentei até hoje. A maior parte dos meus trabalhos publicados pode ser encontrado na Livraria Cultura, mas vendo também pelo meu e-mail que é thiagobechara@ig.com.br

Contatos:


Esperamos que tenham gostado em conhecer o Thiago, pois ele disponibilizou um tempo de sua vida,  para nos conceder esta entrevista ao “O Barquinho Cultural” e nós ficamos muito grata por essa entrevista.
Mas é isso ai tripulação, a maratona entrevista no Cantinho Literário está apenas começando, semana que vem tem mais e o próximo entrevistado já está mais que preparado será o poeta, músico e produtor cultural Jaime Matos.
Boa semana e até mais!