Rodrigo era um rapaz estressado. Na faculdade, sempre brigava com os professores por causa das matérias mal explicadas e trabalhos difíceis. Em casa, nunca acordava bem. Coitada da mãe, que sempre queria puxar assunto e acabava no vácuo, sem respostas ou apenas com “uhum”. No ônibus para a faculdade, ficava bravo com a quantidade de gente que ia em pé e as condições desumanas que a empresa oferecia.
Não gostava de conversar. Sentava na poltrona – quando conseguia – e se desligava do mundo quando colocava os fones de ouvido com a música no volume mais alto que podia. Sem exageros, Rodrigo era o homem mais carrancudo que aquelas pessoas já viram. Sorte delas que ele não tinha aula todos os dias. Sorte dele que ninguém puxava assunto. Odiaria tudo aquilo de cumprimentos e de se conhecer, investigar a vida dos outros e relembrar coisas inúteis do passado.
Foi numa noite chuvosa, daquelas noites que Rodrigo mais gostava, que ele conheceu uma garota que mexeu com seus sentimentos, o fez pensar que tudo aquilo, de estresse e braveza, não fazia sentido, que era preciso se abrir às pessoas, ser receptivo.
A garota alternava os movimentos entre digitar no celular e se maquiar. No pouco tempo em que estiveram juntos naquele ônibus, Rodrigo contou pelo menos sete vezes em que a garota pegou um espelho pequeno de dentro da bolsa. Ele a olhava pelo canto dos olhos, mas via perfeitamente os movimentos leves dela. Provavelmente, até o final do percurso – que durava uma hora – ele veria a garota fazer isso mais uma dúzia de vezes. “O que a incomoda?” Rodrigo não entendia. Todos naquele ônibus já estavam cansados de um dia inteiro de trabalho ou estudo. Alguns já dormiam, com os rostos amarrotados.
A garota pegou um creme da bolsa que parecia carregar o mundo. Passou nas mãos, esfregou, passou delicadamente nos cabelos. Rodrigo já podia sentir o perfume do creme exalando dos cabelos dela. Fechou os olhos e imaginou o que aquilo representava. Seria para ele? Para outro rapaz dali do ônibus?
Dormiu imaginando, sem coragem de tirar os fones e conversar com ela. Tímido, como nunca.
Quando acordou, a moça não estava mais ali. Tinha passado por cima das suas pernas e descido em algum ponto antes da faculdade. No banco do ônibus, a garota deixou cair o espelho. Rodrigo pegou-o nas mãos e enxergou alguém que ele já não conhecia. Enxergou um Rodrigo com o qual não gostaria de ser amigo, com o qual não gostaria de conversar, do qual teria até medo. Aquele espelho fez ele enxergar o que precisava mudar. Ele entendeu que precisava recuperar a aparência, mesmo que maquiando a tristeza com sorrisos e serenidade. Percebeu que o que incomodava aos outros era a mesma coisa que incomodava o seu jeito original de ser.
Categoria total flex
[Total Flex] Trabalho que dignifica, educação que constrói
O restaurante oferece almoço e janta para os viajantes do trem. Em alguns dias, cerca de cem almoços são servidos. Ao final do expediente, já à noite, o menino Curt e a senhora do restaurante voltam para a casa dela. A sacola, antes vazia, volta com caixas de charuto cheias de dinheiro. A casa fica perto. Eles passam por uma trilha, onde há um banco para que Tereza sente e descanse um pouco. Acima do peso, com a bengala e com a sacola cheia de dinheiro, ela cansa mais rápido. Tudo escuro. Não há luz.
[Total Flex] Adeus, Márcio Ribeiro!
Por Priscila Visconti
[Total Flex] O encontro
O tic-tac do relógio era quase imperceptível aos ouvidos, mas soava na mente daquele menino, que só queria fugir dali na melhor oportunidade. Com o coração acelerado, nem entendia o que a professora escrevera no quadro. Era a orientação para o tema de casa, mas isso não importaria naquele dia.
No seu relógio, 17 horas. Porém, o sinal da escola ainda não tinha batido. O coração, sim, batia mais rápido. As mãos suavam. As pernas criavam vida própria e não paravam quietas. De segundo em segundo, o garoto olhava o relógio. Era questão de tempo para a aula acabar, mas não sabia quanto tempo.
Subitamente, o som estridente despertou a sala de aula comportada e todos os alunos levantaram para guardar os materiais, exceto ele. O momento esperado chegou, mas, como em estado de choque, não sabia o que fazer.
Pensou em desistir. Deixar para outro dia. Fugir. Sair pelo outro portão. Retomou a consciência. Decidiu. Esperava por esse momento há tanto tempo, por isso não podia desistir.
Não queria demorar, mas parecia que seus movimentos eram cada vez mais lentos, contrários à rotação dos ponteiros do relógio. Foi o último a sair da sala. Manteve a postura confiante, como se essa não fosse a primeira vez. Na verdade, o corpo tremia. As mãos suavam.
No local marcado, encontrou a garota. Ainda de longe, provou o extremo dos sentimentos: admirava a menina mais linda da escola e temia não saber o que fazer. Levitava nos pensamentos e caía ao chão quando lembrava do encontro.
– Oi.
– Oi.
Não havia assunto. Não teria conversa. Em movimentos incertos, ele pegou-a pela mão. Olhou para o chão, tomou coragem e encarou os olhos verdes da garota tímida que também o olhava. Ela sorria lindamente, como uma princesa. E aquele sorriso iluminava ainda mais a sua pele morena. Nele, o sorriso nervoso se instalava.
– Não precisa, se você não quiser.
– Mas eu quero. E já faz tempo – disse o garoto.
Foi aí que ele viu os olhos verdes chegando mais perto. O corpo tremia ainda mais. Os lábios, aos poucos, se encontraram e ele se perdeu em meio ao beijo mais gostoso que já tinha provado. O primeiro beijo.
[Total Flex] Lá vem o Chaves, Chaves, Chaves…
Alexandre Batel (Seu Barriga)
George Dias (Seu Madruga)
Mileine Aliaga (Dona Florinda)
Nando Fox (Chaves)
Rodrigo Lovato (Profº Girafales)
Talita Lima (Chiquinha)
Thiago Benevides (Nhonho)
Victor Cassoni (Quico)
Ingressos:





