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[Total Flex] Atitude – Quando um passo leva à conclusão

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Ele cuidava de uma criança. Fazia carinho no cabelo do menino. Eu observava de longe aquela cena que parecia ser de novela. Ele estava sentado no chão, ao lado do garoto que tinha adormecido havia pouco tempo.

Eu observava. Observava tudo. Desde o olhar, o sorriso, o movimento das mãos entre o cabelo da criança e até a forma como parava para pensar. Não sei o que acontecia ao redor. Era só ali que eu me concentrava. Era só nele que eu me perdia.

Quando percebi, já andava em direção a ele. Ninguém se importava com a nossa presença. Então, sentei ao lado dele, olhando a movimentação que ocorria ali. Ainda não sabia o que estava acontecendo. Só estava ali, aproveitando o momento.

Minhas mãos começaram a brincar com o cabelo da criança também, como um pretexto para me aproximar dele. Disse qualquer coisa sobre a forma doce do menino que dormia e vi que os olhos do cara ao meu lado brilhavam. Um sorriso nos lábios e minhas mãos ficaram sem ação.

Trocamos algumas palavras. Sobre o tempo, sobre o que acontecia, sobre as pessoas, sobre a criança. Tempo suficiente para que meus dedos se enroscassem dos dedos dele, como por acidente. Tempo suficiente para que ele percebesse e enroscasse os dedos dele nos meus, de propósito, entendendo o que eu desejava e afirmando o que também queria.

A partir daí, só me lembro do beijo. Calmo, sereno, sentimental.

Respiramos. Meu olhar, mais do que nunca, era nele. E ele também me fitava.

Com semblante sério, me puxou para mais um beijo.

Agora, eu observava de perto aquela cena. Mais que isso, participava. Até acordar.

Por Fábio Rodrigues

[Total Flex] Não chore no domingo

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Todas as vezes que eu te deixava em casa era a mesma coisa. Você me olhava firme nos olhos, sorria com os lábios pouco felizes, e me dizia ‘adeus’. Essa sua mania constante de me deixar completamente confuso a cada despedida, com um aperto no coração e a incerteza se te veria novamente, se aquilo era apenas mais um tchau ou se representava uma despedida definitiva.

Apesar de prometermos um ao outro não lembrar, eu recordo de cada gesto e de cada palavra dita na nossa última noite juntos. ‘Não chore no domingo.’ Era para ser apenas a tradução da música que eu jurava estar cantando alto. Você levou a sério. Tão a sério que, a partir daí, nosso mundo virou de um jeito totalmente desagradável. A crise de choro sem sentido, o aperto no peito e a vontade de abraçar para nunca mais largar. Hoje interpreto como sinais do que estava para acontecer.

Talvez seja por causa daquele beijo que eu te dei no ouvido que o último ‘adeus’ foi definitivo. Aquele beijo ainda dói em mim. Sim, em mim, mesmo sabendo que te resultou em uma infecção. Dói em mim porque essa é uma das últimas lembranças que você leva. E, por ser a pior recordação, talvez te enoje e reafirme o ‘adeus’ no seu inconsciente – muito mais do que no seu consciente.

Eu ainda não aprendi a dizer ‘adeus’. As vezes que te correspondi assim eram sempre acreditando entregar a Deus o nosso amor, para que caminhasse da melhor forma e fosse abençoado por Ele.

Ainda estou esperando a ligação. A ligação que nunca chega. Ainda estou esperando o melhor, já que não era com você. Esperando alguém que faça a casa no meu cangote e aqui permaneça. Ainda acredito em mágica e, talvez, só isso te traga de volta.

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Por Fábio Rodrigues