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[Cabine da Pipoca] Cinemateca Brasileira realiza retrospectiva cinematográfica ao ar livre

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As décadas de 50, 60 e 70 o Brasil estava borbulhante de novas ideias e projeções na cena artística do país, movimentos era criados e artistas eram consagrados. Principalmente porque o Brasil passava por um época de transição social, da população da zona rural para a zona urbana, e a indústria se consolidava na sociedade.

Oscar Niemeyer e Lucio Costa davm um novo ar à arquitetura nacional, João Guimarães Rosa, publicava o “Grande Sertão: Veredas” e João Cabral de Melo Neto, “Morte e Vida Severina”, e no teatro, Vinicius de Moraes estreava “Orfeu da Conceição”, com músicas de Tom Jobim, enquanto João Gilberto lançava o disco, “Chega de Saudade”.

Uma época onde a arte era renovava e renascia a cada ano, com algumas influências extremamente nacionais, mostrando o tempero e jeitinho brasileiro, só nós temos.

Desta leva de novos artistas, escritores e poetas, surgiu um grupo de cineasta influenciados pelos filmes Rio 40 graus, de Nelson Pereira dos Santos e O grande momento, de Roberto Santos, pela nouvelle vague, e atentos à movimentação cultural que acontecia, começa a dar forma ao Cinema Novo. Um ápice da cinematografia moderna brasileira, uma nova linguagem dos filmes, e gravações com equipamentos mais leves dos que os habituais.

Desde então, novos facetas foram surgindo e mostrando uma nova maneira de projetar películas no Brasil, entre eles estão, Glauber Rocha, Paulo César Saraceni, Carlos Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Gustavo Dahl, David Neves, entre outros, realizaram obras-primas do cinema brasileiro moderno.

E assim, essas obras são cultuadas e assistidas até hoje, como um marco e referência ao cinema – de qualidade -atual. Baseado nessa propagação deste movimento, a Cinemateca Brasileira, em parceria com a Unifesp, apresenta uma sessão especial de uma das obras-primas de nosso cinema.

Várias películas retomam as telonas com apresentação gratuita na Cinemateca Brasileira. E o longa-metragem deste sábado (23), a partir das 20h30, é a obra de Glauber Rocha, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de 1964.

Tragam suas esteiras, cangas, almofadas e sacos de dormir, cobertores, etc, pois será uma sessão especial ao ar livre curtindo clássicos de movimentos artísticos históricos do Brasil.

A Retrospectiva Cinema – Mostra e Exposição começou no dia 30 de abril e vai até, 14 junho, sempre no mesmo horário e no mesmo lugar. Apenas, a exibição de um filme diferente.

SERVIÇO

c0976_-_p_ster_deus_e_diabo_na_terra_do_solRetrospectiva Cinema – mostra e exposição
Cinemateca ao ar livre: Deus e o Diabo na Terra do Sol

Data: 23/ maio/ 2015
Horário: 20h30
Local: Cinemateca Brasileira
End: Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino/ SP.
Entrada Franca
Mais info: www.cinemateca.gov.br

Por: Patrícia Visconti

[Cabine da Pipoca] O futuro físico que virou cineasta

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Hoje não iremos indicar um filme, ou promover algum lançamento, mas sim falar de uma pessoa, que ingressou na faculdade de Física, mas suas veias artísticas e seu amor pelo cinema falou mais alto, fazendo com que ele desistisse da carreira cientifica.

Joaquim Pedro de Andrade, nasceu na década de 30, viveu parte no Rio de Janeiro, outra em Minas Gerais, filho de Rodrigo Melo Franco de Andrade (fundador do IPHAN) e de Graciema Prates de Sá. Em Minas foi onde ele ingressou na turma dos intelectuais brasileiros da época.

Ao entrar na Faculdade Nacional de Filosofia (1950), onde cursava Física, Joaquim Pedro começou a frequentar o cineclub do CEC (Centro de Estudos Cinematográficos), fundado por Saulo Pereira de Melo e Mário Haroldo Martins, no Rio de Janeiro. Desta época, o futuro cineasta foi incentivado por Plínio Sussekind Rocha, professor de mecânica analítica, teórico e defensor do cinema mudo e fundador do Chaplin Club.

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Além do mais, o cineasta escrevia para o jornal da faculdade sobre cinema, nesta década chegou a fazer experiências no cinema amador.

Atuou no filme ‘Les Thibault’, de Saulo Pereira de Melo, e trabalhou como assistente de direção no curta-metragem Caminhos, de Paulo César Saraceni. E foi nesta época onde o cineasta trocou a Física pelo cinema, foi assistente de direção do longa ‘Rebelião’, mas seu primeiro filme como diretor veio logo na sequência disso, com o curta-metragem ‘O Poeta do Castelo e o Mestre de Apipucos’, financiado pelo Instituto Nacional do Livro. A película registra a intimidade de seu amigo, confidente e afilhado de crisma, o poeta Manoel Bandeira e também, do sociólogo Gilberto Freyre.

Após essa produção, Joaquim produziu o curta ‘Couro de Gato’, filmado no morro do Cantagalo, e fotografado por Mário Carneiro. Ao finalizar esse filme, o cineasta ganhou uma bolsa de estudo do governo francês, para estudar cinema na França.

Ao regressar ao Brasil, foi convidado para dirigir o documentário ‘Garrincha, Alegria do Povo’, idealizado por Luís Carlos Barreto, produtor e roteirista da produção, junto com Armando Nogueira.
Fundou a produtora Filmes do Serro, onde rodou vários filmes, entre eles ‘O Padre e a Moça’, e também o sucesso de crítica inspirado na obra do escritor Mario de Andrade, ‘Macunaíma’, aonde ele filmou após ser libertado das prisões do DOPS, durante a Ditadura Militar em 1969.

Filmou outros curtas e longas-metragem, após disso e faleceu em setembro de 1988, vítima de um câncer de pulmão, antes mesmo de concretizar seu sonho em produzir a adaptação da obra ‘Casa-Grande e Senzala’, de Gilberto Freyre, para o cinema.

Um artista que não pode ser esquecido assim, como se não houvesse passado e construído a história do cinema nacional.

Confira abaixo a filmografia de Joaquim Pedro de Andrade:

Longa-metragens

Garrincha, Alegria do Povo, (1963)
O Padre e a Moça, (1965)
Macunaíma, (1969)
Os Inconfidentes, (1972)
Guerra Conjugal, (1975)
Contos Eróticos, (1977)
O Homem do Pau-Brasil, (1981)

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Curta-metragens

O mestre de Apipucos, (1959)
O Poeta do castelo, (1959)
Couro de gato, (1960, posteriormente incluido como segmento do filme Cinco Vezes Favela de 1962)
Cinema Novo, (1967)
Brasília, contradições de uma cidade nova, (1967)
A linguagem da persuasão, (1970)
O Aleijadinho, (1978)

Trailer de ‘Macunaíma’:

Por: Patrícia Visconti