[Cabine da Pipoca] Entrevista com o ator Fabio Di Martino, o Pai da Maria Joaquina na novela Carrossel

Foto - Arquivo Pessoal: Maria Joaquina (Larissa Manuel) e Fábio Di Martino ( Dr. Miguel) nos intervalos das gravações

Foto: Arquivo Pessoal: Maria Joaquina (Larissa Manuel) e Fabio Di Martino ( Dr. Miguel) nos intervalos das gravações

“Outro dia estava passeando no Parque Vila Lobos e uma criança me perguntou: “Você que é o Pai da Maria Joaquina”?”. Eu disse: “ Não, sou pai do Luca e da Catarina” (seus filhos). A criança ficou triste e então eu falei: “É brincadeira!”. Na verdade a criança não consegue fazer essa diferença”.

Em um papo descontraído tomando um café, o Ator Fabio Di Martino que interpretou o Dr. Miguel na novela Carrossel, esbanjou simpatia falando da sua carreira, dos seus projetos futuros e, sobretudo do preconceito que a personagem Maria Joaquina, interpretada por Larissa Manuela, tinha na trama.

De Campinas para São Paulo, depois de ter que optar entre a Faculdade de administração e o teatro, claro, ele preferiu o teatro. Fabio di Martino iniciou sua carreira na televisão no programa Sandy e Junior. Participou de vários comerciais e programas de TV. Ganhou prêmio de melhor Ator no curta-metragem nacional com “Milímetros”, Festival Paulina de Cinema em 2009. Mas o sucesso veio mesmo foi na pele do Dr. Miguel.

Ainda hoje o assédio dos fãs mirins é muito grande. Segundo ele isso acontece na maioria das vezes que vai levar seu filho ao colégio, no restaurante ou no aeroporto. Muitas vezes esse assédio não vem das crianças e sim dos adultos: “É a mãe que cutuca o filho e o aponta dizendo que é ele o pai da Maria Joaquina e isso é muito bacana”, diz ele.

Preconceito

Foto: Arquivo Pessoal: Jean Paulo Campos (Cirilo) Fábio Di Martino (Dr. Miguel ) nos bastidores esperando para gravar

Foto – Arquivo Pessoal:  Jean Paulo Campos (Cirilo) Fabio Di Martino (Dr. Miguel ) nos bastidores esperando para gravar

Segundo o Ator, na versão da novela Carrossel mexicana o preconceito era escancarado: por várias vezes o personagem Cirilo (Jean Paulo Campos) foi chamado de “preto” sem pudor. Na adaptação de Iris Abravanel (autora da novela) esse tema é abordado de forma leve considerando o público-alvo (crianças). “É legal a novela falar do preconceito, do negro, por exemplo, mas de uma forma gostosa de ouvir e não como um coitadinho, isso tem que ser explicado: olha, ele é negro e você é branco e podem ser amigos porque não! Chama-o para jogar bola, seja amigo dele, na hora de fazer um grupo na escola convida, ele para fazer parte do seu grupo”.

Fabio fala de algumas novelas que abordam o preconceito através de vários assuntos, mas é direcionado para gente grande, que sabem o que estão falando. Já na novela Carrossel o preconceito era falado para criança na forma que a criança iria entender e aplicar. “Tanto que o Personagem Jaime (Nicholas Torres) gostava de comer e assim ficar gordinho e tal, um dia meu personagem o Dr. Miguel falou pra ele, o que deveria comer, o que faria mal, mas tudo isso de uma forma que ele iria entender, delicado, e não de forma escrachada, acho que isso na televisão falta.”

Depois que acabou o contrato com a emissora Fabio di Martino cheio de projetos segue a carreira atuando no que mais gosta, na publicidade e diz: “Vem novidade por ai!”, brinca.

Alguns de seus trabalhos:

• Sandy e Junior- 1998
• Acampamento legal- 2000
• Ou não – seriado CNT-
• Titi-Titi- Globo -2010
• Uma Rosa com Amor
• Milímetros – Curta- melhor ator-209
• Passione – Globo- 2010
• Carrossel – SBT – 2013

Por: Tito Martins

[Total Flex] Quando a tradição se quebra

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Nas últimas semanas, a imprensa especializada em televisão tem noticiado a queda de audiência e a rejeição do público a dois programas tradicionais da Rede Globo: Fantástico e Vídeo Show, o que tem preocupado a direção da emissora.

Ao me deparar com tal fato, li alguns textos e refleti sobre alguns pontos que tratarei ao longo deste texto. Mas antes de fazer uma análise mais concreta, é preciso fazer uma espécie de histórico sobre a TV Globo e suas mudanças.

Acima de tudo, é preciso lembrar que a Rede Globo é tradicionalista. Se fizermos uma breve pesquisa, podemos ver, por exemplo, que temas de abertura de programas como Jornal Nacional e até mesmo do vespertino “Vale A Pena Ver de Novo” (que recentemente ganhou uma estranha versão cantada), mudaram com o passar dos anos, mas a base delas permanece inalterada.

O que quero afirmar é que a Globo sempre promoveu mudanças – afinal é necessário mudar – mas as mudanças sempre ocorreram de forma lenta e gradual, de forma sutil. Era uma mudança ali e outra aqui, o que é saudável e evita que o telespectador “leve um susto” com uma possível mudança brusca.

Mas acontece que, de um tempo para cá, a Globo vem se descaracterizando. A parte gráfica foi completamente alterada. Prateados, coloridos e bem feitos logos da emissora têm sido substituídos por logos mais pobres, que remetem ao símbolo oficial da emissora dos anos 70 e 80.

Porém o mais arriscado é quando se tem a pretensão de mexer nas bases de programas que já são tradicionais e conquistaram o respeito e afeto do público por causa disso, como é o caso dos dois programas que citei aqui.

Vamos novamente recorrer a um breve histórico sobre eles. Começarei pelo Vídeo Show. O “VS” estreou em 1983, teve diversos apresentadores, mas, com o passar dos anos, deu pra perceber que a fórmula que agradava ao público não tinha nenhum requinte: um cenário pequeno, um apresentador chamando as matérias e o carro-chefe do programa, que são as matérias sobre os bastidores, curiosidades sobre a programação atual e antiga e erros de gravação. O público foi acostumando-se a ver o Vídeo Show deste jeito, principalmente nos 16 anos em que Miguel Falabella esteve à frente do comando da atração, que viveu com ele a sua fase mais popular.

Com o passar dos anos, fatos sobre bastidores foram sendo deixados de lado e o Vídeo Show foi se transformando no TV Fama (programa sobre fofocas exibido pela Rede TV!), falando sobre a vida pessoal dos globais. Além disso, a base dele foi sendo alterada nos últimos anos: a presença de vários apresentadores, o que foi deixando o público carente de uma figura para associar diretamente ao programa, como foi o caso de Falabella e o cenário foi deixando de ser “aconchegante” para o público.

Neste ano, o Vídeo Show sofreu a sua mais agressiva mudança em anos. Todas as características que fizeram o programa ganhar público e que citei aqui foram trocadas por grandes cenários, plateia e apresentadores e repórteres que misturavam de funções e não criavam uma identidade com o público. Além disso, num primeiro momento, o “VS” criou uma relação de dependência com seus entrevistados, dependendo única e exclusivamente deles o bom andamento da atração.

Muito tem se falado sobre Zeca Camargo, o novo apresentador do programa. Uma matéria do site “Notícias da TV” revela, que, em pesquisa, a Globo descobriu que, para parte do público, Zeca é “sofisticado demais” para o Vídeo Show. De fato, ele é sofisticado, culto, mas não acredito que ele seja o problema desta atual situação do programa. Miguel Falabella também é sofisticado, dono de uma vasta bagagem cultural e foi uma figura bem popular no Vídeo Show, o que reforça a tese de que o grande problema na queda de audiência e popularidade do programa está na bruta mudança de um formato tradicional, não no apresentador.

O programa vem sofrendo uma série de alterações. As entrevistas perderam espaço, quadros antigos estão voltando aos poucos e novos vão chegando, como a reedição do game show “8 ou 800”, de perguntas e respostas.

Falando agora sobre o Fantástico, o programa, que estreou em agosto de 1973, surgiu com identificação de “Show da Vida”, o que entrega que, em seus primeiros anos, o conceito de “show” era mais forte que o de “jornalismo”, com clipes e musicais. Com o passar dos anos, este conceito foi sendo modificado. Os “Clipes do Fantástico” foram extintos nos anos 90, motivados principalmente pelo lançamento da filial brasileira da Music Television, a MTV, e o Fantástico foi se transformando em um programa essencialmente jornalístico, sendo assim até hoje.

Em sua história, o Fantástico sempre teve um relacionamento com a tecnologia. Assuntos ligados aos avanços tecnológicos sempre foram pauta e, principalmente, foram incorporados ao programa. Me lembro que, em uma das edições que assisti nos anos 90, testemunhei Pedro Bial conversando ao vivo com Zeca Camargo direto da China via internet – uma novidade, apesar da precariedade da conexão existente na época.

Mas as novidades no Fantástico sempre foram inseridas no programa de forma lenta para, como já ressaltei aqui, não causar muita estranheza no telespectador. O tempo foi passando, a concorrência com outras emissoras foi ficando mais acirrada e o Fantástico foi perdendo audiência.

Apesar de tudo, aos trancos e barrancos, o Fantástico sempre conseguiu ter boa audiência. O público já estava acostumado com a atual forma do programa, com os apresentadores passeando pelo cenário virtual apresentando a atração, com uma novidade aqui, outra ali. Até que, neste ano, foi prometida uma grande reformulação no “Show da Vida”.

Na estreia, já aconteceu um grande erro: a Globo desrespeitou a sua tradição e apresentou diversas novidades de uma vez. Foi um verdadeiro “vômito de novidades”. E quando “vomita-se” deste jeito, a tendência é que o telespectador estranhe tudo aquilo, pois ele está lidando com algo com o qual não está acostumado. E este foi o maior problema do Fantástico. Logo de cara, vimos um cenário completamente diferente, um “repórter-robô”, bonequinhos virtuais aparecendo na tela com o intuito de reproduzir a reação do telespectador em relação ao que era apresentado, além de quadros que não interessaram ao público, como a “reunião de pauta”.

As equipes dois programas já trabalham para recuperar um pouco do prestígio perdido, realizando alguns ajustes.
Nesses casos específicos, nós, os amantes da televisão e da comunicação, podemos aprender uma grande lição: não só o rádio, mas a televisão precisa apegar-se mais às suas tradições, especialmente a Rede Globo, que, por ser fiel às suas tradições, apesar das mudanças, conseguiu chegar ao posto de maior rede de TV do país. E, quando a tradição é quebrada, a rejeição acontece. E é exatamente isso que estamos testemunhando neste momento na TV brasileira.

Por: Rodrigo Almeida