O adeus ao Mestre Ziraldo

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E assim o Brasil vai ficando mais triste e pobre culturalmente, pois perdemos um dos maiores ícones e influenciadores literários da história, faleceu neste sábado, dia 6 de abril, o grande Ziraldo, que foi responsável por educar e incentivar milhares pessoas com sua obras, que fazem sucesso até hoje. Ziraldo era mineiro de Caratinga, um comunicador e espoleta, o artista estava sempre criando suas próprias histórias e brincadeiras quando criança.

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Ziraldo Alves Pinto era de família de classe média, viveu toda sua infância em Caratinga, mas concluiu ensino médio no Rio de Janeiro, que depois retornou para sua cidade natal. Formado em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1957, porém seu talento na arte se manifestava desde quando começou a falar aos 3 a 4 anos.

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Um de seus primeiros empregos foi em 1954 no jornal Folha da Manhã, mas foi na revista O Cruzeiro, que Ziraldo ganhou notoriedade e logo em seguida foi para o Jornal do Brasil conquistando os leitores com seus personagens – Jeremias, o Bom, a Supermãe e o Mirinho. Sua primeira revista em quadrinhos Turma do Pererê, lançada em 1960, também foi a primeiro quadrinho a cores totalmente produzido no Brasil.

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Seu primeiro prêmio foi em 1969, no “Nobel” Internacional de Humor, no 32º Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas e também o prêmio Merghantealler, principal premiação da imprensa livre da América Latina. Ziraldo foi fundador e diretor de O Pasquim, um tabloide de oposição ao regime militar, uma das prováveis razões de sua prisão, ocorrida um dia após a promulgação do AI-5.

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O quadrinista e mais 20 jornalista foram perseguidos durante a ditadura militar, tendo como seu processo de anistia aprovado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, e foi indenizado em mais de 1 milhão de reais, além de receber uma pensão vitalícia de cerca de 4,3 mil reais. Ziraldo e o cartunista Jaguar, receberam as maiores indenizações.

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Mas foi em 1980 que o cartunista lançou seu maior trabalho mundial, o livro O Menino Maluquinho, seu maior sucesso editorial, na qual foi adaptado para a televisão e o cinema. Para televisão, foi adaptado em 2006 pela TV Brasil, chamada Um Menino muito Maluquinho, que durou uma temporada com vinte e seis episódios sob a direção de Anna Muylaert e Cao Hamburger.

No cinema, foi adaptado três vezes, a primeira em Menino Maluquinho – O Filme em 1995 e uma sequência em 1998 dirigida por Fernando Meirelles, Menino Maluquinho 2 – A Aventura. A adaptação mais recente da série é Uma Professora Muito Maluquinha de 2010, estrelado por Paolla Oliveira.

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O desenhista já ilustrou diversas publicações internacionais como as revistas “Private Eye” da Inglaterra, “Plexus” da França e “Mad”, dos Estados Unidos. Desde o ano de 2000 participa da “Oficina do Texto”, maior iniciativa de coautoria de livros do Mundo, criada por Samuel Ferrari Lago então diretor do Portal Educacional, onde já ilustrou histórias que ganharam textos de alunos de escolas do Brasil todo, totalizando aproximadamente 1 milhão de diferentes obras editadas em coautoria com igual número de crianças.

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Sempre bem humorado, Ziraldo criou a Revista Bundas, e em uma de suas publicações sobre o cotidiano fez uma brincadeira com a Revista Caras, que é voltada o dia a dia de festas e ostentação da elite brasileira.

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O cartunista, chargista, pintor, escritor, dramaturgo, cartazista, caricaturista, poeta, cronista, desenhista, apresentador, humorista e jornalista brasileiro, foi casado por 42 anos com a Vilma Gontijo, que faleceu em 2000 anos 66 anos, depois se casou novamente com Márcia Martins. O escritor era pai da cineasta Daniela Thomas e do compositor Antonio Pinto.

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Ziraldo foi fumante durante 40 anos e só conseguiu abandonar o vício em 2013, depois de passar mal em um evento literário em Frankfurt na Alemanha, onde teve que passar por um procedimento de cateterismo, ele também sofreu um AVC, chegando a ficar em estado grave na UTI e neste sábado (6), o autor e cartunista mineiro faleceu em sua residência no Rio de Janeiro aos 91 anos devido seus problemas de saúde.

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por Priscila Visconti

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