
No início de Dezembro de 2024, a autora e quadrinista sul-coreana, Keum Suk Gendry-Kim, esteve no Brasil para participar da 11ª edição da CCXP, além de promover seu mais novo lançamento, Meu Amigo Kim Jong-un, que saiu simultaneamente na Coreia do Sul e no Brasil, pela editora Pipoca e Nanquim, que foram os responsáveis que trouxeram a artista ao Brasil, em uma troca de experiência significativa e referente em difundir ainda mais suas obras, essência e origem.
Keum Suk realizou sessões de fotos e autógrafos durante o evento, além de um painel extraordinário, onde ela falou sobre suas influências, referências e relações particulares das quais ela se conecta para expressar em suas publicações, entre emoções e reflexões que a fazem buscar os significativos mais intrínsecos para desenvolver suas ideias e aspirações, e como ela se sente comovida com a recepção da qual ela recebe não apenas no Brasil, mas nos países latinos e também europeus, já que em seu país de origem a repercussão de suas obras é vista como algo inferior, pois eles apenas valorizam os webtoons e obras digitais, desdenhando seu estilo único e visceral em interpretar fatos verídicos e momentos pujantes entre os noticiários ao redor do mundo. Todavia, essa repercussão mundial as publicações e a exportação exacerbada da cultura sul-coreana, sendo ainda mais genuíno para que outras pessoas conheça seu trabalho, agregando novos leitores e contribuindo para uma valorização, que pode refletir em seu país natal, expandindo os horizontes e ampliando para novas culturas.

O seu último projeto, o livro Meu Amigo Kim Jong-un, gerou alguns conflitos em seu lançamento, causando polêmicas, devido o fato de se tratar a uma autoridade controversa e de opiniões discrepantes, porém Keum Suk comentou que essa obra não foi algo para desafiar ou debater ideias políticas, mas para mostrar quão a diferença entre as Coreias é explícita e verídica, mesmo não sendo notada na capital da Coreia do Sul, em Seul, onde muitos vivem seus próprios mundos e acredita na extrema divisão, porém, ela como morando na divisa dos países, enxerga uma visão mais aprofundada e disseminada, separando povos por conta de egos e incompatibilidades políticas entre uma nação. Assim, Keum Suk traduz em suas publicações, transmitindo através de seus traços sutis e precisos como a PAZ pode ser muito mais conveniente do que a guerra.

A artista que prefere trabalhar no inverno, já que devido ao rigoroso inverno coreano, ela pode ficar mais em casa e focar exclusivamente em cada projeto, em que ela seleciona as pautas, recorrentes das notícias de momentos que vê nos noticiários, que serão evidenciados em uma série de pesquisas da qual ela mergulha intensamente no assunto e tenta se conectar ao máximo com este, para retransmitir em forma artística e representativa com seus leitores, usando de técnicas contemporâneas e também, influenciada por mangás japoneses. Outras obras das quais ela se inspira são quadrinhos jornalísticos, entre esses Persépolis, da quadrinista francesa, Marjane Satrapi, por tratar de uma HQ autoral e autobiográfica, representa com total singularidade as influência de Keum Suk, já que ela preza muito por essa autenticidade com os fatos, fazendo com que isso torne seu trabalho ligado ao leitor.

Porém, Keum Suk não se deixa levar por sua própria opinião quando está produzindo, assim ela se mantém neutra e pragmática ao tema trabalhado, para não expressar qualquer emoção ou relação próxima às suas obras, tornando-as mais parciais, verazes e viscerais, sem levantar partidos e referências, fazendo com que os leitores absorva suas próprias concepções, e assim conquiste pela essência, refletindo de forma inerente e sagaz a maneira de como a artista se envolveu no desenvolvimento de cada produção, sendo transmitida equanimidade na singular de seu trabalho apresentado.
Após o festival, a artista passou pelo Centro Cultural Coreano, na Avenida Paulista, para um bate-papo com seus leitores, que apesar da chuva que caía no dia, o evento foi exitoso e repleto de oportunidades para compartilhar experiências, motivações, e a representatividade da mulher na literatura coreana, em um momento de comoção e ternura
entre os presentes.
por Patrícia Visconti

