Após o impacto causado na direção de Noites Brutais e na produção de Acompanhante Perfeita, Zach Cregger retorna com força total ao terror ao se unir à New Line Cinema (It: A Coisa e Invocação do Mal). Dessa parceria nasce o angustiante A Hora do Mal, um longa dividido sob a perspectiva de diferentes personagens, que constrói aos poucos a trama do misterioso desaparecimento de 17 crianças da mesma turma. O resultado é uma narrativa densa, envolvente e absolutamente hipnótica, capaz de prender o espectador do início ao fim.
O filme se destaca pela construção de personagens marcantes, todos vividos por um elenco afiado e perfeitamente escalado. A Hora do Mal começa como um conto sombrio e intrigante, mostrando crianças que, por vontade própria, deixam suas casas e levantam suspeitas sobre quem poderia ser o responsável por atraí-las. A escolha é óbvia, a professora da turma.
Interpretada por Julia Garner (Inventando Anna), a personagem passa a ser perseguida pelo angustiado pai vivido por Josh Brolin (Vingadores: Ultimato), que busca desesperadamente descobrir o paradeiro do filho. Ambos entregam atuações poderosas e são, sem dúvida, os grandes destaques do filme, junto ao jovem Cary Christophe. O único aluno da turma que não desapareceu, e que também impressiona em cena.
A trama também apresenta outros quatro personagens fundamentais, todos introduzidos com profundidade e carisma. Cregger demonstra habilidade ao equilibrar o tempo de tela entre eles, permitindo que cada um se desenvolva de maneira orgânica. Sua direção precisa e seu roteiro estruturado fazem com que o filme funcione com cada peça se encaixando no momento certo.
Um dos maiores méritos de Cregger está na construção da atmosfera. Ele domina a arte de criar tensão crescente, intercalando momentos de puro nervosismo com alívios cômicos que funcionam como válvulas de escape para o espectador. Cada cena é guiada por uma inquietação latente, nunca sabemos o que pode acontecer a seguir, e isso torna o filme ainda mais eletrizante.
Além de seres agindo de forma bizarra, a marca registrada do diretor também é a maneira de como ele encerra suas histórias. Em Noite Brutais vemos um excelente filme até a metade dele, já que claramente o filme muda por completo e termina de forma, no mínimo, cômica.
Em A Hora do Mal as coisas são um pouco diferentes, agora o filme inteiro é excelente, mas o final permanece cômico. Isso pode ser visto como um frescor para o gênero, já que, muitas vezes, rimos de filmes de terror justamente por serem mal executados. A Hora do Mal a comédia é proposital, e isso se deve a Zach Cregger ter sido considerado um comediante no início de sua carreira.
Assinando também o roteiro, Cregger comprova seu talento na escrita. Ao dividir a narrativa por múltiplos pontos de vista, ele confere dinamismo à trama e proporciona a cada personagem o tempo necessário para se desenvolver sem pressa, criando uma cadência envolvente e instigante.
Com A Hora do Mal, Zach Cregger entrega uma obra de terror intensa, repleta de cenas macabras, visualmente marcantes e personagens inesquecíveis. É um filme que consegue assustar, provocar e, ainda assim, divertir, algo raro no gênero. Mais do que um bom filme, é uma afirmação de que Cregger veio para ficar. O longa estreia no dia 7 de agosto, nos cinemas brasileiros.
por Giovane Fazello






