Vall Santos estreia na literatura infantil trazendo a essência da cultura quilombola, com plena sutileza e saudação

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O autor, poeta e compositor quilombola Vall Santos apresentou em 2025 um projeto surpreendente que incluiu singles expecionais e um livro singular. Domingo na Roça resgata as memórias mais particulares de um menino na comunidade tradicional de Lagoa Grande, com passagens sutis e eloquentes registra a essência do povo local, que atualmente sofre com a desterritoração causados pela urbanidade coletiva.

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A obra é o primeiro lançamento infantil do autor, que celebra com espontaneidade e diligência o Centenário da Mãe Stella de Oxóssi, celebrado em maio de 2025, e que representa em sumo importância a cultura afro-brasileira e a luta contra o preconceito religioso, destacando seu legado imensurável como ialorixá, escritora, defensora dos direitos humanos e primeira líder religiosa de candomblé eleita para a Academia Brasileira de Letras.

Mesmo sendo especialmente dedicado às crianças, Domingo na Roça tem valor poético para leitores de qualquer idade. Abordamos de forma sutil temas primordiais como o convívio em comunidade, a ancestralidade, o cuidado com o meio ambiente e o respeito aos mais velhos. Eu quero que as pessoas de Lagoa Grande se enxerguem nesta obra, pois trabalhamos para registrar a história de um povo que aos poucos, vem sendo desterritorializado pela urbanização. Nosso próximo passo será lançar a versão em audiolivro, pensando nos aspectos da acessibilidade, da pré-alfabetização e no hábito da contação de histórias na hora de dormir. Além de ter mais esta forma de registro e mediação cultural, para manter a memória quilombola viva”, afirma Vall Santos.

Domingo na Roça são memórias da própria infância de Vall, evidenciando lições e valores em relação aos ensinamentos e aprendizados com os mais velhos, o elo comunitário, a imaginação, a relação com a natureza e a vivência em família, envolto de poesias loquazes, recriativas e sensitivas que visa com veemência em manter uma história viva e prolifera eternizado nas páginas dessa obra leve, curiosa e conveniente.

O livro conta com a direção criativa da premiada gestora cultural Aryane Sánchez e ilustrações de Don Guto, que envolve em suas artes esse história relativa e significativa que representa de maneira sensível e poética um Brasil pouco mostrado na literatura, o das infâncias quilombolas e a reverência a ascestralidade, convivência e rendição do meio-ambiente.

por Patrícia Visconti

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