O Super Bowl LX é conhecido como o maior evento esportivo dos Estados Unidos, mas há tempos o jogo divide atenções com outro grande espetáculo, o show do intervalo. No último domingo, 8 de fevereiro, foi exatamente isso que aconteceu. Mais do que uma apresentação musical, o palco se transformou em um espaço de identidade, memória e resistência latina com a performance de Bad Bunny.
Vencedor do Grammy Awards de Melhor Álbum do Ano em 2025, o artista porto-riquenho levou ao Super Bowl LX o universo de seu álbum Debí tirar más fotos, um trabalho que mergulha nas raízes latinas e valoriza histórias, símbolos e vivências que fazem parte do cotidiano de milhões de pessoas.
Inclusive, antes mesmo do show do intervalo, o evento contou com apresentações de outros artistas. Charlie Puth foi o responsável por interpretar o Hino Nacional dos Estados Unidos, enquanto Brandi Carlile apresentou “America the Beautiful”. Já Coco Jones emocionou o público ao cantar “Lift Every Voice and Sing”.
Um palco que contou histórias
Desde os primeiros minutos, a apresentação deixou claro que não seria apenas sobre música. Os cenários remetem ao cotidiano latino, como um casamento tradicional, idosos reunidos em uma partida de dominó e uma manicure com uma criança dormindo na cadeira em meio à festa. Elementos simples, mas profundamente simbólicos.
As icônicas cadeiras de plástico brancas, imagem que estampa a capa do álbum, também marcaram presença e despertaram identificação imediata. São detalhes que talvez passem despercebidos para alguns, mas que carregam forte significado para quem vive ou conhece a cultura latina de perto.
Representatividade em cada detalhe
A performance ganhou ainda mais força no palco com a participação especial de convidados latinos como Jessica Alba, Cardi B e Pedro Pascal, Karol G e entre outros, reforçando a presença e a representatividade.
No campo musical, Lady Gaga surpreendeu ao cantar “Die With a Smile”, dueto com Bruno Mars, em uma versão instrumental com ritmo de salsa, criando uma mistura inesperada e cheia de identidade latina. Já Ricky Martin levou o público ao delírio ao cantar um trecho de “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, acompanhado por uma coreografia marcada por reggaeton e salsa.
Bad Bunny passeou por todo o repertório de seus maiores sucessos, incluindo ‘Tití Me Preguntó’, ‘Yo Perreo Sola’, ‘Safaera’, ‘Monaco’, ‘El Apagón’, ‘Baile Inolvidable’, ‘Café Con Ron’, ‘EoO’, ‘Party’, ‘NUEVAYoL’ e ‘Voy a Llevarte Pa’ PR’, além da faixa-título ‘DtMF’. A apresentação também contou com colaborações especiais que marcaram a noite.
Muito além do entretenimento
Para muitos espectadores, a apresentação foi também um ato político. Em um momento em que imigrantes latinos enfrentam prisões e deportações nos Estados Unidos, conduzidas pelo ICE, o show ganhou um significado ainda mais profundo. No palco, Bad Bunny transforma música em discurso, visibilidade e afirmação cultural.
O encerramento foi um dos momentos mais simbólicos da noite. O cantor citou todos os países da América Latina, incluindo o Brasil, enquanto seus dançarinos carregavam as bandeiras de cada nação. Em seguida, Bad Bunny ergueu uma bola de futebol com a frase “Juntos somos a América”, reforçando a ideia de pertencimento e identidade. Logo após, o telão exibiu a mensagem inspiradora “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”.
Repercussão e impacto
A apresentação teve grande repercussão nas redes sociais e foi amplamente elogiada pela crítica internacional. Ainda assim, o presidente Donald Trump se posicionou de forma contrária, classificando o show como “absolutamente terrível” e afirmando que “ninguém entende uma palavra” do que foi apresentado. A declaração contrasta com a recepção majoritariamente positiva do público e da crítica.
Sem dúvidas, Bad Bunny deixou sua marca no evento com uma performance que falou sobre amor, alegria e as raízes de seu povo, emocionando latinos ao redor do mundo. Ao reafirmar sua identidade e orgulho cultural, o cantor mostrou que a cultura latina vai muito além de tendências passageiras, sendo marcada por história, resistência e vivência, algo que não se copia, se vive. Como ele canta em sua música “El Apagón”, “Ahora todos quieren ser latinos, no, ey, pero les falta sazón.”
por Adyla Paula


