‘Sonhos de Trem’ – um drama bucólico e loquaz, envolto de uma jornada inesperável

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O drama histórico, dirigido por Clint Bentley, Sonhos de Trem, traz em sua narrativa loquaz e significativa, as divergências sobre a rotina de um país em transformação. A solidão de um homem que encontra amor apenas na vida adulta e a conexão visceral entre o homem e a natureza, em uma narrativa contemplativa envolta de muita sutileza e impassvidade, envolvendo o espectador diante as paisagens bucólicas apresentadas em cena.

O filme é baseado no prestigiado romance de Denis Johnson, que traz em seu desenvolvimento a jornada de vida de Robert Grainier, iniciando no final do século 19 até o final dos anos de 1960, mostrando um retrato audacioso das mudanças que os Estados Unidos vivia ao longo deste período, em um país dividido pela Guerra Civil, as construções ferroviárias, o processo industrial, a devastação das florestas, e uma trama monumental visto a partir da visão micro e pessoal de um simples homem vivendo sua vida frequente e comum.

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Uma histórica profunda sobre viver da maneira que ela nos presenteia, fazendo com que cada um retire os momentos mais significativos para sua própria felicidade, entre os fardos eventuais que os tenha ao longo da trajetória, a vida é mais do que uma sequência de ações e momentos ocasionais, mas sim de vivências a serem apreciadas a cada dia vivido, já que cada época é um momento oportuno para aprender e existir intensamente as situações mais consideráveis entre as mudanças circundadas sob paisagens calmas, meia à natureza suntuosa, marcando profundamente a jornada do protagonista, que segue vivendo e construindo a própria história entre as dificuldades e relevâncias acrescentadas em sua vida, que fará sentido sobre seu futuro próspero.

Sonhos de Trem é uma produção plena e reflexiva, que não explica sobre a vida, mas sim sobre os sentimentos a serem vividos e expressados, em compreender os momentos, as decisões, nossa capacidade de pensar do que vemos, não necessariamente apenas compreender, já que nem sempre tudo é para ser compreendido de forma literal, pois assim nossa interpretação ficaria exposta a uma vida de dúvidas e repulsas, impedindo que se alcance a um patamar unânime que se pode pertencer.

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Em uma obra tênue e sensitiva, traz com eloquência os momentos mais ímpetos sobre viver e construir a própria jornada, nos momentos mais caóticos, fazendo com que temos que sentir e compreender cada fase, sem invalidar sua jornada, mas usar dos obstáculos enfrentados como conjunções para conquistar os seus ensejos particulares, encontrando o equilíbrio entre a realidade árdua e a melancolia poética.

O filme teve estreia mundial no Festival de Cinema de Sundance em janeiro de 2025, chegando aos cinemas no final do mesmo ano, assim como ao catálogo de streaming da Netflix. Estrelado por Joel Edgerton, Felicity Jones, Nathaniel Arcand , Clifton Collins Jr., John Diehl, Paul Schneider, Kerry Condon e William H. Macy, a produção conta com o roteiro coescrito pelo diretor e roteirista Greg Kwedar, enquanto o brasileiro Adolpho Veloso é o diretor de fotografia.

 

por Patrícia Visconti

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