No Brasil o racismo institucional vem muitos anos antes de nascermos, pois a uma parcela da sociedade, se acha maioria, e acredita que os pobres e negros não devem chegar à casa grande. E isso, faz com que sonhem baixo e realize apenas para a sobrevivência, sem expectativa de prosperar e lutar lado a lado, sem desigualdade e hipocrisia, apenas existindo e servindo.
Um pouco desse viés cultural chega rasgando no novo quadrinho da escritora e quadrinista Magô Pool, Segue o Baile. Uma obra autêntica e visceral, que coloca o dedo na ferida da sociedade, e abre explicitamente a realidade do governo junto às comunidades das grandes cidades, que ao invés de proteger, apenas prende “suspeitos” e conta corpos, sem explicação ou diálogo, colocando o cano na frente e mostrando quem manda.
A trama apresenta um grupo de amigos que estava apenas querendo comemorar a realização de Renan, que havia sido acabado de ser contratado para atuar nas categorias de base de um grande time de futebol. A caminho do baile funk a festa se transforma em pesadelo, quando o carro em que os amigos estavam é interceptado de maneira violenta e inesperada em uma batida policial.
A operação foi toda gravada e compartilhada ao vivo pela internet por um dos meninos, expondo o abuso de autoridade para milhares de pessoas, mostrando os registros documentados sobre as vulnerabilidades de ser jovem, negro e periférico nas cidades brasileiras, trazendo tensão e comoção diante a uma obra loquaz e significativa para a sociedade brasileira atual.
Segue o Baile foi lançado em novembro de 2025 pela Editora Veneta, e desde então recebeu críticas altamente positivas da mídia especializada. Destaque tanto por seu contexto social quão a narrativa contundente e estética singular, fazendo com que o leitor se torne parte da história como testemunha ocular, mostrando a realidade e a rotina diária das periferias, traduzida de forma gráfica e rítmica, a opressão urbana vivenciada no tema relacionado.
A HQ consolidou-se em 2026 como um dos maiores destaques da produção nacional, ganhando notoriedade e sendo indicada ao Prêmio Jabuti na categoria Histórias em Quadrinhos, tornando Magô Pool a primeira mulher a ser condecorada como finalista na premiação na categoria. Além do mais, a obra conquistou o segundo lugar no Prêmio Adolfo Aizen, categoria dedicada aos quadrinhos no Prêmio Literário da Fundação Biblioteca Nacional. A publicação ainda foi finalista nos prêmios Grampo, o Grito! e no 42º Troféu Angelo Agostini no ano de 2025.
por Patrícia Visconti


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