Ambientada 255 anos após os eventos da Lenda de Korra, Avatar: Sete Refúgios apresenta um mundo pós-cataclisma, na qual a humanidade está dividida em sete lugares distintos chamados de Refúgios.
Nele, acompanhamos as irmãs gêmeas Nisha e Pavi no Refúgio de Ellora, onde a guarda da cidade identifica e recruta dobradores a força para fazerem parte da brigada de dobra, uma espécie de força policial.
Enquanto Nisha é protegida pelo capitão da brigada Karthik, a Pavi é, no primeiro momento, uma menina que tenta sobreviver pelas ruas de Ellora, quando o dobrador de Ar Jae a encontra e a leva até o capitão e a irmã gêmea.
Essa descoberta de uma segunda encarnação, coloca em cheque o segredo sobre o Avatar já ter nascido, visto que nesse mundo o dobrador dos quatro elementos é visto como causador de toda a problemática do cataclisma.
Em Sete Refúgios tem um acerto gigante na construção da personalidade das duas reencarnações, porque Nisha cresceu cercada de proteção, atenção com treinamento desde criança para se tornar uma salvadora.
Enquanto isso, Pavi, vive às margens de uma sociedade levemente racionada, seja pela condição do local que limita coisas como uma agricultura mais ampla, ou pelo fato do recrutamento obrigatório de qualquer dobrador identificado pelo Refúgio.
Nisha sabe do seu propósito e o roteiro a desenha de maneira exemplar com dilemas, ações e consequências de cada decisão. Ela tem camadas e segredos apesar de ter apenas nove anos. Pavi, por outro lado, carrega uma história sem memórias do passado, e apesar de sozinha e com uma deficiência física, nada disso tira dela o brilho de continuar, e acreditar que as coisas vão melhorar. É uma personagem escrita com calma e cordialidade.
Outros dois personagens se destacam, o capitão Karthik como guardião e principal difusor da ideia do Avatar ser bom, e o Jae, o dobrador que desde o início decide que vai ajudar a Pavi. Eles caminham em lados iguais até metade da obra, mas no fim, ambos escolhem ou são colocados em caminhos opostos, tudo por um ideal de confiança e apego.
Toda essa construção esbarra na produção, porque as linhas de detalhes são simples, nos trajes, objetos e na cidade, deixando o desenho mais liso, isso claro, ajuda na fluidez na hora de animar os momentos de maior dinâmica no uso dos elementos das dobras.
E apesar dessa mudança no design causar estranhamento no início, depois de alguns episódios sequenciais vem o costume. As dobras também são menos impactantes em relação a outras temporadas, o mesmo não é possível dizer sobre a trilha sonora, já que essa sim continua incrivelmente emocionante e impactante.
Contudo, a coisa mais interessante dessa nova abordagem é sem dúvida a relação das irmãs, que cresce quando elas se reencontram, se firma e amadurece conforme a história avança, mas novamente cada uma segue seu próprio caminho no final.
Ou seja, a história começa com elas separadas e termina com elas novamente separadas, mas diferente da primeira vez que essa divisão aconteceu por decisões de terceiros, dessa vez elas foram as responsáveis por isso.
Isso porque tudo construído em torno delas ganha um novo propósito a partir das descobertas e revelações. É nesse ritmo que a série finaliza, concluindo conflitos, abrindo segredos e deixando ganchos para a continuação dessa história.
Avatar: Sete Refúgios é uma grata surpresa com um bela trama, fluida e cativante pela brilhante ideia de construir um universo com duas reencarnações do ser mais poderoso do planeta, num mundo que sente medo e culpa o antecessor desse ser o responsável pela problemática dessa nova era.
Ou seja, a trama vai caminhar para mostrar uma redenção de alguém que nunca teve culpa alguma, mas que precisa provar não ser mau e mostrar que o mundo necessita do salvador. Avatar: Sete Refúgios está completa com 13 episódios dublados e legendados no Paramount+.
por Daniel Guimarães


