[Total Flex] Quando a tradição se quebra

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Nas últimas semanas, a imprensa especializada em televisão tem noticiado a queda de audiência e a rejeição do público a dois programas tradicionais da Rede Globo: Fantástico e Vídeo Show, o que tem preocupado a direção da emissora.

Ao me deparar com tal fato, li alguns textos e refleti sobre alguns pontos que tratarei ao longo deste texto. Mas antes de fazer uma análise mais concreta, é preciso fazer uma espécie de histórico sobre a TV Globo e suas mudanças.

Acima de tudo, é preciso lembrar que a Rede Globo é tradicionalista. Se fizermos uma breve pesquisa, podemos ver, por exemplo, que temas de abertura de programas como Jornal Nacional e até mesmo do vespertino “Vale A Pena Ver de Novo” (que recentemente ganhou uma estranha versão cantada), mudaram com o passar dos anos, mas a base delas permanece inalterada.

O que quero afirmar é que a Globo sempre promoveu mudanças – afinal é necessário mudar – mas as mudanças sempre ocorreram de forma lenta e gradual, de forma sutil. Era uma mudança ali e outra aqui, o que é saudável e evita que o telespectador “leve um susto” com uma possível mudança brusca.

Mas acontece que, de um tempo para cá, a Globo vem se descaracterizando. A parte gráfica foi completamente alterada. Prateados, coloridos e bem feitos logos da emissora têm sido substituídos por logos mais pobres, que remetem ao símbolo oficial da emissora dos anos 70 e 80.

Porém o mais arriscado é quando se tem a pretensão de mexer nas bases de programas que já são tradicionais e conquistaram o respeito e afeto do público por causa disso, como é o caso dos dois programas que citei aqui.

Vamos novamente recorrer a um breve histórico sobre eles. Começarei pelo Vídeo Show. O “VS” estreou em 1983, teve diversos apresentadores, mas, com o passar dos anos, deu pra perceber que a fórmula que agradava ao público não tinha nenhum requinte: um cenário pequeno, um apresentador chamando as matérias e o carro-chefe do programa, que são as matérias sobre os bastidores, curiosidades sobre a programação atual e antiga e erros de gravação. O público foi acostumando-se a ver o Vídeo Show deste jeito, principalmente nos 16 anos em que Miguel Falabella esteve à frente do comando da atração, que viveu com ele a sua fase mais popular.

Com o passar dos anos, fatos sobre bastidores foram sendo deixados de lado e o Vídeo Show foi se transformando no TV Fama (programa sobre fofocas exibido pela Rede TV!), falando sobre a vida pessoal dos globais. Além disso, a base dele foi sendo alterada nos últimos anos: a presença de vários apresentadores, o que foi deixando o público carente de uma figura para associar diretamente ao programa, como foi o caso de Falabella e o cenário foi deixando de ser “aconchegante” para o público.

Neste ano, o Vídeo Show sofreu a sua mais agressiva mudança em anos. Todas as características que fizeram o programa ganhar público e que citei aqui foram trocadas por grandes cenários, plateia e apresentadores e repórteres que misturavam de funções e não criavam uma identidade com o público. Além disso, num primeiro momento, o “VS” criou uma relação de dependência com seus entrevistados, dependendo única e exclusivamente deles o bom andamento da atração.

Muito tem se falado sobre Zeca Camargo, o novo apresentador do programa. Uma matéria do site “Notícias da TV” revela, que, em pesquisa, a Globo descobriu que, para parte do público, Zeca é “sofisticado demais” para o Vídeo Show. De fato, ele é sofisticado, culto, mas não acredito que ele seja o problema desta atual situação do programa. Miguel Falabella também é sofisticado, dono de uma vasta bagagem cultural e foi uma figura bem popular no Vídeo Show, o que reforça a tese de que o grande problema na queda de audiência e popularidade do programa está na bruta mudança de um formato tradicional, não no apresentador.

O programa vem sofrendo uma série de alterações. As entrevistas perderam espaço, quadros antigos estão voltando aos poucos e novos vão chegando, como a reedição do game show “8 ou 800”, de perguntas e respostas.

Falando agora sobre o Fantástico, o programa, que estreou em agosto de 1973, surgiu com identificação de “Show da Vida”, o que entrega que, em seus primeiros anos, o conceito de “show” era mais forte que o de “jornalismo”, com clipes e musicais. Com o passar dos anos, este conceito foi sendo modificado. Os “Clipes do Fantástico” foram extintos nos anos 90, motivados principalmente pelo lançamento da filial brasileira da Music Television, a MTV, e o Fantástico foi se transformando em um programa essencialmente jornalístico, sendo assim até hoje.

Em sua história, o Fantástico sempre teve um relacionamento com a tecnologia. Assuntos ligados aos avanços tecnológicos sempre foram pauta e, principalmente, foram incorporados ao programa. Me lembro que, em uma das edições que assisti nos anos 90, testemunhei Pedro Bial conversando ao vivo com Zeca Camargo direto da China via internet – uma novidade, apesar da precariedade da conexão existente na época.

Mas as novidades no Fantástico sempre foram inseridas no programa de forma lenta para, como já ressaltei aqui, não causar muita estranheza no telespectador. O tempo foi passando, a concorrência com outras emissoras foi ficando mais acirrada e o Fantástico foi perdendo audiência.

Apesar de tudo, aos trancos e barrancos, o Fantástico sempre conseguiu ter boa audiência. O público já estava acostumado com a atual forma do programa, com os apresentadores passeando pelo cenário virtual apresentando a atração, com uma novidade aqui, outra ali. Até que, neste ano, foi prometida uma grande reformulação no “Show da Vida”.

Na estreia, já aconteceu um grande erro: a Globo desrespeitou a sua tradição e apresentou diversas novidades de uma vez. Foi um verdadeiro “vômito de novidades”. E quando “vomita-se” deste jeito, a tendência é que o telespectador estranhe tudo aquilo, pois ele está lidando com algo com o qual não está acostumado. E este foi o maior problema do Fantástico. Logo de cara, vimos um cenário completamente diferente, um “repórter-robô”, bonequinhos virtuais aparecendo na tela com o intuito de reproduzir a reação do telespectador em relação ao que era apresentado, além de quadros que não interessaram ao público, como a “reunião de pauta”.

As equipes dois programas já trabalham para recuperar um pouco do prestígio perdido, realizando alguns ajustes.
Nesses casos específicos, nós, os amantes da televisão e da comunicação, podemos aprender uma grande lição: não só o rádio, mas a televisão precisa apegar-se mais às suas tradições, especialmente a Rede Globo, que, por ser fiel às suas tradições, apesar das mudanças, conseguiu chegar ao posto de maior rede de TV do país. E, quando a tradição é quebrada, a rejeição acontece. E é exatamente isso que estamos testemunhando neste momento na TV brasileira.

Por: Rodrigo Almeida

[Caixa de Som] Neto Lobo e a Cacimba canta a essência do nordeste, com uma pitada de música popular

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Quando mistura-se rock com uma pitada de ritmos interioranos do nordeste, só pode dar música original e de qualidade, afinal o novo sempre cativa aos ouvidos mais apuradas e as mentes abertas. Essa é a tendência da banda Neto Lobo e a Cacimba.

neto_cacimba 2O grupo já segue esse compasso desde 2001, e eles são abertos a todos os estilos, ritmos e inspirações, viajando da poesia a literatura, indo até a longevidade da seca nordestina, qual inspirou também outros autores e poetas, como descreve-se na escrituras literárias brasileiras.

A poesia cantando a efervência nordestina, propagando essa cultura tão rica que há no país, misturando com linguagens do pop, rock, heavy metal e africanas. Uma salada musical com cadência e melodia.

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O primeiro disco da banda foi lançando em 2012, reunindo um apanhado de 11 anos do grupo, com letras que ditam o cotidiano nordestino, entre outras viagens e adversidades frequentada pelos integrantes, embaladas por um sotaque forte regional e pela voz marcante e cativante de Neto Lobo, que canta a alma do povo do nordeste. Confira abaixo o single ‘A peleja do diabo com a flor‘, parte do primeiro álbum do grupo:


Agora, a banda segue a trajetória preste a lançar o segundo álbum, ‘Meu Pé de Umbu’, título dado com base na citação do escritor Euclides da Cunha, no livro ‘Os Sertões’, quando se refere ao umbuzeiro como árvore sagrada do sertão.

O disco traz ainda mais forte as raízes nordestinas afloradas na essência da banda, mostrando quão as origens valem mais do que qualquer modismo, visando a propagação da cultura regional e efervescendo a baianidade, a resistência das tradições e o lado poético-positivo da realidade vista e vivida no interior nordestino.

1798371_444363542362887_2025076249_nNeto e a Cacimba mostra quão rica é mesclar essas tradições culturais, com ritmos populares da industria fonográfica, transformando o regional em algo novo e original.

Agora é aguardar pelo lançamento de ‘Meu Pé de Umbu’, e atribuir mais da cultura nordestina em nós, cativando o regionalismo e a originalidade de somar a outros estilos e ritmos musicais.

Mais informações sobre Neto Lobo e a Cacimba:
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Por: Patrícia Visconti

[Caixa de Som] Ricardo Stoco apresenta as nuances do Rock ‘n Roll

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Como todos sabemos a maioria dos músicos começam sua trajetória musical na adolescência, mas essa influência vem bem antes, ainda na infância, uns influenciados pelos pais, familiares, amigos, outros por ídolos, mas cada um tem a sua história para relatar com almejado o sucesso.

Nosso artista da vez também começou muito cedo, aos 12 anos ele já arranhava sozinho em seu violão e com 14, ingressou em sua primeira banda, e desde então já arriscava em dedilhar e compôr suas próprias canções.

Ricardo Stoco, um paulista que adora o universo do rock, tanto que suas principais influências são as bandas Ramones e Toy Dolls, mas ele escuta de tudo, sem julgar estilo ou gênero, apenas visando a originalidade, soando verdadeiro e atingindo-o seus ouvidos diretamente, sem muitos efeitos e cópias. Além do mais, o músico adora compor, um de seus hobbies favoritos, e esses empenhos ajudam muito Stoco a escrever, especialmente a sonoridade e timbre.

Stoco gosta de ouvir novidades, e experimentar novos sons, porque assim ele aprende cada vez mais, conhecendo novos timbres, novos ritmos e novas músicas, saindo um pouco da zona de conforto e adentrando a algo novo e nunca ouvido antes. Como ele mesmo diz: “Não me apego só a o que ouço em casa para compor.”

E sempre ouvindo novidades Ricardo pretende em breve lançar seu primeiro EP – ainda em pré-produção -, recentemente ele lançou o single ‘Desabafo’, e têm curtido a repercussão do público, que mostrou interesse ao trabalho do músico e estão sempre buscando em conhecer mais sobre ele, tanto que em breve ele lançará sua segunda canção, ainda sem título definido, afinal ele compõe, produz, grava e divulga quase que tudo sozinho, então às vezes o processo demora um pouco.ricardostoco

Mas, seu intuito principal é ganhar o público e conquistá-los com sua música, e para isso Stoco busca sempre se aprimorar como profissional e ser conhecido como tal, um músico que ama o que faz, e faz o que ama, sem restrições de estilos e visando sempre o seu objetivo, apoderar-se da sua música e fazê-la dela seu passaporte para o tão almejado sucesso.

OUÇA AQUI!

Ouça o primeiro single de Stoco, ‘Desabafo’, uma canção que relata as vivências de um alguém que quer seguir um rumo, mas ainda não decidiu para onde seguir. Confira abaixo:

Mais informações: Site | Facebook | SoundCloud

Por: Patrícia Visconti

[Total Flex] Arte que vem das ruas!

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Artistas de rua, algumas vezes comparados a ambulante, outras a bandido, mas eles só querem difundir e mostrar sua arte, em uma sociedade que apenas cultua uma cultura frívola, alienada e sem fundamentos, onde quem ganha mais, é valorizado, e faz média para conquistar simpatia, enquanto o outro lado é marginalizado e ignorado, por hipócritas e falsos moralistas.

Mas, engana-se que esses “artistas” muito bem divulgado na mídia oportunista, apenas visam apenas a si, ignorando qualquer outro tipo de arte propriamente dita, já que se não tiverem esse tipo de propagação em seu trabalho, nada serão.

Porém, não é essa a pauta em questão, e sim sobre aqueles que ficam de Sol a Sol, chuva a chuva, apenas para propagar seu trabalho e sua arte, afinal as ruas é seu escritório de trabalho.

Pintores, músicos, artesões, dançarinos, atores, entre outros obreiros da arte, que fazem das ruas, dos becos, vielas e avenidas seu palco, seu ganha pão, sua sobrevivência. Mas, que na maioria das vezes são discriminados e rechaçados, por não terem agentes e pessoas influentes financeiramente compartilhando seu trabalho, porém eles não desistem, e continuam nesta saga interminável e árdua, onde os bons caçam aplausos e medíocres são pagos pelos alienados.

Artistas esses que visam a cultura e a arte, independendo de quanto ganham, ou se a plateia não está completa, mas sim pelo prazer de apresentar sua obra àqueles que apenas buscam pela essência cultural, e não por marketing pago por agentes à mídias oportunistas.

Fazem da arte o seu desfrute e do público o seus fãs, amigos e propagadores dessa arte tão antiga quão a Grécia antiga, mas tão presente e atual como os que encontramos em nosso dia-a-dia. Portanto, quando você trombar com essa galera difundindo a sua arte, prestigie nem se for apenas alguns minutos, pois para você pode não significar nada, mas para eles, será um grande espetáculo.

E para promover essas obras espalhadas ao redor da cidade, um grupo de artistas resolveu materializar essa ideia e transformar esse objetivo, e compartilhar o trabalho de diversos criadores em uma página na web, assim, não apenas estarão visível nas ruas, mas também em todo mundo.

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Confira a página ‘Artista de Rua’ e conheça mais sobre o trabalho dele: AQUI!

Por: Patrícia Visconti

[Caixa de Som] Os 100 anos do grande propagador da cultura baiana

“… escrevi 400 canções e Dorival Caymmi 70. Mas ele tem 70 canções perfeitas e eu não.” — Caetano Veloso

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Se ele estivesse vivo, estaria completando 100 anos de vida, mas infelizmente ele nos deixou alguns anos atrás, por conta de insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos em consequência de um câncer renal que possuía havia nove anos.

dorivalcaymmi1Dorival Caymmi foi um grande propagador da cultura baiana pelo Brasil e o mundo, compunha inspirado nas tradições daquele povo, qual era ele era um nascente, soteropolitano com muito orgulho, cantava com muita influencia na música negra. Desenvolveu seu estilo próprio em se apresentar e compôr suas canções, sempre espontâneo em seus versos, com bastante sensualidade e riqueza melódia.

Caymmi conheceu a música ainda na infância, ouvindo parentes tocando piano, além do mais, seu pai, apesar de ser funcionário público, também era músico amador, tocava piano, violão e bandolim. Já sua mãe, era dona de casa, mas adorava cantar ouvindo rádio.



Mas, foi ouvindo seu fonógrafo e depois a vitrola, Caymmi sentiu ânsia em compor. Ainda menino, cantava no coro da igreja, era baixo-cantante, aos 13, começa a trabalhar na redação do jornal O Imparcial, como auxiliar, em 1929, com o fechamento do jornal, o poeta torna-se vendedor de bebidas. Aos 16 (1930) escreveu sua primeira música, “No Sertão”, e aos 20, estreia finalmente como cantor e violonista em programas da Rádio Clube da Bahia.

Depois disso Caymmi passou a se apresentar com o musical “Caymmi e suas canções praieiras”, performances que rendeu os primeiros prêmios de sua carreira, como compositor, além de concursos de músicas carnavalesca, com o samba “A Bahia também dá”.68D6A854B5924695A5AAF0BDD927E271

O sucesso do músico era tanto, que o diretor da Rádio Clube o incentiva a seguir sua carreira ao sul do país, segue para o Rio de Janeiro para conseguir um emprego como jornalista e realizar o curso preparatório de Direito.
Com o apoio de alguns parentes e amigos, fez alguns trabalhos na imprensa, excedendo ao ofício em ‘O Jornal’, do grupo Diário Associados, mas não parou de compor e cantar, perseverando em seu musical.

Um poeta que cantou sucessos populares, como em suas composições “Saudade de Bahia”, “Samba da minha Terra”, “Doralice”, “Modinha para Gabriela”, “Maracangalha”, “Saudades de Itapuã”, “O Dengo que a nega tem”, “Rosa Morena”, entre outras.

Foi casado com Adelaide Tostes – a cantora Stella Maris -, com quem teve três filhos, os também cantores, Dori Caymmi, Danilo Caymmi e Nana Caymmi.

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Ouça abaixo um dos grandes sucessos de Caymmi, “Rosa Morena”:

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Por: Patrícia Visconti