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[Cabine da Pipoca] Ela: Um romance do ciberespaço

Mesmo depois de tantas produções de ficção cientifica abusarem da relação homem-máquina, ainda há a possibilidade de analisar o tema na maneira sensível e introspectiva de Spike Jonze. Levando em conta a inteligência artificial na tentativa de simular o sentimento humano, já vista em variados filmes que vão desde Um Robô em Curto Circuito (1986), O Homem Bicentenário (1999), Inteligência Artificial (2001), clipe de Bjork e até episódios de Super Vicky, o diretor detalha seu enredo ao explorar o dilema de um rapaz ao se apaixonar pelo seu sistema operacional. Nada como o apelo comercial de um novo produto para garantir a perfeita companhia a um protagonista no auge de seu isolamento. Desconsiderando a carência emotiva, a solidão abordada chega a lembrar sua adaptação de Onde Vivem os Monstros (2009), porém com a imaginação infantil como suporte à realidade.

Boa parte do longa apresenta o diálogo entre o pacato moço de bigode, interpretado por ninguém menos que Joaquin Phoenix, e sua mini versão de HAL 9000 aprimorada, cuja voz reproduzida por Scarlett Johansson demonstra mais delicadeza e senso humor, contrariando ao comportamento limitado e fatalista de seu homenageado. Além de toda a sensualidade sonora, o pequeno affair de bolso é responsável por fazer acreditar na própria existência de acordo seu potencial em aprender a sentir. Por outro lado, paralelo a toda essa virtualidade, há a personagem de Amy Adams com a mesma fragilidade emocional de Theodore (Phoenix), num tempo diferente à uma real crise de relacionamento.

O cenário da trama ambienta o familiar “futuro” breve com o pé lá no passado ao observar a tecnologia a serviço das coisas esquecidas, como cartas manuscritas na base de palavras forjadas. A beleza estética é dominada por cores vivas que indicam algo mais intimo, tanto no figurino Theodore, como também o vermelho de uma tela de computador, opondo-se ao velho azul do qual estamos acostumados. Para acompanhar a sutil trilha sonora feita por artistas que acompanham os trabalhos de Jonze por muito tempo, a fotografia atrai os olhos viciados pelas habituais cenas de casal quando difere no espaço sempre vazio ao lado do personagem. É como se houvesse acomodação de Theodore dentro de seu cativante novo mundo sem perceber muitas outras pessoas tão solitárias quanto ele à sua volta, até mesmo a vizinha Amy (Adams) na aparente vida padrão.

Ainda que o contexto principal seja questionado com intensidade, mesmo com ritmo sereno, vários outros pontos chamam a atenção ao acompanhar o romance inusitado. O primeiro deles, talvez o mais chocante, é uma terceira pessoa disposta a ser interface numa relação física, movida pela curiosidade de encontrar o exemplo de amor verdadeiro. Isso mostra a inversão de papel imposta por um incrível dispositivo tecnológico ainda com determinadas limitações ao se aproximar da cobiçada existência humana. O segundo é o debate entre um ser ágil no aprendizado através de seus livres elétrons programados contra a básica experiência ciumenta de um pobre mortal. Por ultimo, e mais comovente, está o sentimento de alguém focado no trabalho de escrever cartas para pessoas que nunca chegou a conhecer ao invés de apropriá-lo em seus próprios relacionamentos.

Título original:   Her
Diretor:   Spike Jonze
País:   USA
Categoria:   Drama
Ano:   2013
Atores:   Joaquin Phoenix, Lynn Adrianna, Lisa Renee Pitts, Gabe Gomez, Chris Pratt, Artt Butler, May Lindstrom, Rooney Mara, Bill Hader, Kristen Wiig, Brian Johnson, Scarlett Johansson, Amy Adams, Matt Letscher, Spike Jonze
Avaliação:   9,0
Site oficial: www.herthemovie.com

Sinopse:
Escrito e dirigido por Spike Jonze, Ela se passa em um futuro próximo na cidade de Los Angeles e acompanha Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um homem complexo e emotivo que trabalha escrevendo cartas pessoais e tocantes para outras pessoas. Com o coração partido após o final de um relacionamento, ele começa a ficar intrigado com um novo e avançado sistema operacional que promete ser uma entidade intuitiva e única. Ao iniciá-lo, ele tem o prazer de conhecer Samantha (Scarlett Johansson), uma voz feminina perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. A medida em que as necessidades dela aumentam junto com as dele, a amizade dos dois se aprofunda em um eventual amor um pelo outro. Ela é uma história de amor original que explora a natureza evolutiva – e os riscos – da intimidade no mundo moderno.

Assista abaixo o trailer oficial do longa:

[Cabine da Pipoca] Cinema x Ciência

As últimas grandes produções de ficção científica tropeçam nos princípios da ciência, como no caso do recém-lançado, “Gravidade”, que estreou na última sexta-feira (11), nas salas de cinema de todo o mundo, com Sandra Bullock e George Clooney no elenco e com direção de Alfonso Cuarón.
Esse tipo de filme é sempre um sucesso de bilheteria em todo o mundo, mas esta aventura espacial contém alguns erros, que foram detectados pelo renome e popular astrofísico norte-americano Neil de Grasse Tyson.

Apesar de Sandra Bullock ter feito um treino específico para astronautas para encarar com perfeição o papel, a produção e os roteiristas não repararam que, na gravidade zero, seu cabelo deveria flutuar livremente sobre sua cabeça, contudo, o que se vê são suas madeixas escovadas. 

Outro deslize é em relação ao lixo espacial que aparece orbitando pela Terra de oeste para leste, mas quase todo o satélite faz a direção ao contrário, como em uma cena o personagem de Clooney solta a astronauta e ela sai voando, mas em uma situação real eles voariam juntos.

Outro momento do filme, é quando o telescópio Hubble, a Estação Espacial Internacional e uma estação espacial chinesa são avistados em um mesmo plano visual, porém, no espaço de verdade, estas estruturas estão separadas por centenas de quilômetros de distância.
Vejam abaixo alguns filmes, que assim como “Gravidade”, também cometeu alguns erros científicos da história do cinema:
O filme “Armagedom”, estrelado por Bruce Willis, tem, ao menos, 168 erros deste tipo, de acordo com especialistas. O mais grave é que seria impossível destruir uma rocha espacial, ou cometa, com apenas uma bomba. 
Em “O Dia Depois de Amanhã”, a cidade de Nova York é inundada completamente de um dia para o outro. Na realidade, para que isso pudesse realmente acontecer, seria necessário que toda a Antártida derretesse e que sua água fosse derramada sobre a metrópole. 
Já o apocalíptico “2012”, considerado por muitos como uma das mais imprecisas histórias da ficção científica, propõe que partículas de neutrinos vindas de explosões solares cozinharam o núcleo da Terra, produzindo terremotos e outras catástrofes. Porém, os neutrinos são partículas neutras que não interagem com substâncias físicas. 
A obra “Epidemia” é baseada na existência de um vírus impossível de existir. O vírus é descrito como tão absurdamente letal que, se existisse de fato, mataria qualquer candidato a portador antes mesmo do contágio. 
Em “Independence Day”, os extraterrestres usam raios para destruir a espécie humana, mas isso seria um gasto desnecessário de energia. O simples pouso daquela gigantesca nave mãe na Terra seria capaz de provocar um desequilíbrio gravitacional que, por si só, causaria o colapso de cidades inteiras. 
Informações sobre “Gravidade”:
Elenco: Sandra Bullock, George Clooney
Diretor: Alfonso Cuarón
Roteiro: Alfonso Cuarón e Jonás Cuarón
Duração: 1 hora e 31 minutos
Gênero: Ficção Científica
Sinopse: 
‘Gravidade’ acompanha a Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock), uma brilhante engenheira em sua primeira missão espacial, com o astronauta veterano Matt Kowalsky (George Clooney). Mas, durante um passeio espacial, aparentemente rotineiro, ocorre um acidente. A nave é destruída, deixando Stone e Kowalsky completamente sozinhos, dependendo um do outro em um ambiente de total escuridão. 
O silêncio ensurdecedor confirma que eles perderam qualquer ligação com a Terra… e qualquer chance de resgate. Conforme o medo vai se tornando pânico, o oxigênio que resta vai sendo consumido desesperadamente. E, provavelmente, o único jeito de ir para casa seja encarar a imensidão assustadora do espaço.
Confira o trailer do filme:

[Cabine da Pipoca] Débi e Lóide está de volta às telonas

No começo dos anos 90 dois amigos malucos e até um pouco retardados ganharam as telonas fazendo loucuras em “Debi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros”.  Após 19 anos desde o primeiro longa, eles estão de volta, e mais atrapalhados do que nunca. 

Os atores do filmes aproveitou o regresso da continuação do longa para divulgar as novidades sobre o mesmo. 

Jeff Daniels, interprete de Lóide, publicou em seu Twitter oficial os bastidores das gravações da comédia, somada a legenda: “Eles estão de volta”. E Jim Carrey aproveitou as gravações e a atenção do filme para promover seu recém-lançado livro infantil “Rolando Rolls”.
O livro foi lançado no começo desta semana, mas como o próprio Carrey comentou, isso pode ser um pouco sofisticado para o filme.
“‘Roland Rolls’ sai hoje, mas isso pode ser um pouco sofisticado demais para Lóide e Harry. Eles voltaram”,  disse Jim Carrey.
O primeiro filme arrecadou quase 250 milhões de dólares, e foi comandado pelos diretores Bobby e Peter Farrelly, continuam no comando das gravações. 
A sequência do longa, “Debi e Lóide 2”, está em processo de produção e gravação, ainda não há previsão de estreia no Brasil.

Enquanto a continuação de “Débi e Lóide” não chega nas telonas, fiquem com o trailer da primeira saga dos dois amigos atrapalhados em busca de uma aventura e um amor. Assista no player abaixo:

Por: Patrícia Visconti

[Cabine da Pipoca] Filme brasileiro no Oscar 2014

O Brasil já tem o filme para ser representado na maior festa do cinema em todo o mundo, o Oscar, que ainda não tem data para o próximo ano, mas o Ministério da Cultura já divulgou nesta sexta-feira (20). 

O representante da cinedramaturgia brasileira na premiação deixou para trás, filmes favoritos pela maioria do público, como  “Colegas”, “Faroeste Caboclo” e “Gonzaga – De Pai Para Filho”, mas quem vai pra Hollywood representar o Brasil é o filme do diretor Kleber Mendonça Filho, “O Som ao Redor”.
O filme “O som ao redor” vai ser o representante do Brasil na disputa pelo Oscar 2014 na categoria melhor  filme estrangeiro e a seleção final dos filmes que vão concorrer será definida pela organização do Oscar.
O filme é baseado livremente nas memórias do cineasta, combinando uma série de histórias paralelas que acontecem, em sua maioria, em uma rua no Recife. 
Como pano de fundo, a tensa relação entre empregados domésticos e patrões, muito forte ainda no Brasil, mas, especialmente, nas grandes capitais no Nordeste.
“O Som ao Redor” ganhou 10 prêmios em festivais no país – dentre eles de melhor filme pelo júri popular e pela crítica, melhor diretor e melhor som no Festival de 
Gramado.
Também levou estatuetas nos festivais do Rio (Melhor Filme e Roteiro) e na 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Melhor Filme), além de festivais internacionais como Copenhage e Roterdã. Fora do Brasil, participou de 70 festivais.
Assista abaixo o trailer de “O Som ao Redor”:



Sinopse: A presença de uma milícia em uma rua de classe média na zona sul do Recife muda a vida dos moradores do local. Ao mesmo tempo em que alguns comemoram a tranquilidade trazida pela segurança privada, outros passam por momentos de extrema tensão. Ao mesmo tempo, casada e mãe de duas crianças, Bia tenta encontrar um modo de lidar com o barulhento cachorro de seu vizinho. 
Diretor: Kleber Mendonça FilhoGênero: DramaProdução: BrasilDistribuição: Vitrine FilmesClassificação Indicativa: 16 anosDuração: 131 min.Elenco: Irandhir Santos, Sebastião Formiga, Gustavo Jahn
Para mais informações, acesse o site do Espaço Itaú de Cinemas, que lá está passando o filme “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça Filho e mais informações sobre a trama, acesse o site oficial e veja novidades por lá; 
Por Priscila Visconti

[Cabine da Pipoca] Vai ter 3 neste 13! Sol e Mar em sexta treze, só neste barquinho!

Não vou mesmo falar de sexta 13, de filmes de terror, dos dez mais de terror de todos os tempos, das melhores trilhas de terror do ano, e sei lá mais o que. Chega de azar, super sexta ensolarada e prometendo um final de semana maravilhoso, e tudo que se vê é filme de terror, dicas dos que virão, aqui no barquinho a onda vai ser outra.

Cinéfilos, peguem suas câmeras, lancem mão de suas ideias e façam as malas. Mar, águas azuis e cristalinas, chuva de verão, casas nada assombradas e sim muito bem equipadas para recebê-los! Isso é o que teremos aqui, uma seleção de filmes os mais diversos sobre férias, finais de semana inesquecíveis, aquela caminhada na areia fofa que faz você refletir.

Ah, aqui não tem perigo, nem precisa de filtro solar, só escolher o filme e vejo vocês no mar, até lá:

– Águas francesas: Pequenas Mentiras entre Amigos – sim, serão duas horas e meia, sim há Marion Cotillard (aquela que interpretou no cinema a cantora Piaf). Temos amigos, um hotel sob a direção do ator François  Cluzet (o mesmo de Intocáveis). Talvez seja um bom começo, ou melhor, mergulho, para quem não está habituado com as águas do cinema francês. A linguagem é bem mais simples do que convém, os atores são ótimos, os conflitos envolventes.
Fica mais fácil assim, ça vá? Direção de Guillaume Canet; Dica: ótima trilha sonora, muito engraçada, moderninha e em francês!)

– Mar e aventura: O filme Expedição Kon Tiki recria a odisseia de Thor Heyerdahl, que em 1947, com outros 5 homens, queria provar que os nativos da América do Sul poderiam ter ocupado a Polinésia em épocas pré-colombianas.

O documentário da expedição feita em 1947, ganhou o Oscar em 1951, mas era menos palatável na época. Detalhe: os diretores são jovens e publicitários, desde os 13 anos estes dois irmãos, Joachim Ronning e Espen Sandberg, pensam em colocar no cinema a história de Thor. Não foi fácil não, e eles não ganharam o Oscar, mas foi o filme norueguês com maior bilheteria de todos os tempos.

– Festival do Rio: E finalmente chegamos no rio, Rio de Janeiro terá seu festival de 26 de setembro a 10 de outubro. Destaque para o que pode ser um diário, um road movie de Eliza Capai, “Tão Longe é Aqui”.

Eliza viajou sozinha, por sete meses, por vários locais da África. Ela mesma narra para sua filha, o que pode ser um diário de bordo, uma carta para o futuro, sobre essa viagem a respeito das várias representações das mulheres no continente africano. Veja os longas do Festival e programe-se – [Confira AQUI].

Por Fabíola Mello

[Cabine da Pipoca] Homem de Aço e Homem Morcego juntos nos cinemas

Ainda com as novidades da Comin-Con deste ano, vamos continuar nos super-heróis, semana passada foi tipo um especial ‘Marvel’, nesta semana será a vez dos heróis da liga da justiça, que irá dar o ar de suas graças aqui em nossa embarcação, pois tudo indica que em breve terá uma parceria do homem de aço com o homem morcego, as dois grandes personagens da liga da DC.
O diretor Zack Snyder anunciou na Comic-Con deste ano, que Batman e Superman estarão juntos no filme que segue o sucesso “O Homem de Aço”, da Warner, porém ainda não escolheu o ator que viverá o Homem-Morcego no novo filme.

“Estou empolgado para voltar a trabalhar com Henry Cavill neste mundo que criamos, e não vejo a hora de expandir o Universo DC neste próximo capítulo”, diz Snyder, que completa: “Vamos falar a verdade, é para lá de mitológico ter o nosso Superman e nosso novo Batman se enfrentando, já que eles são os maiores super-heróis do mundo”.
A próxima aventura com os personagens da DC segue “O Homem de Aço” e ainda não tem título, mas promete uma dinâmica entre Batman e Superman semelhante à retratada por Frank Miller no clássico dos quadrinhos “Batman: O Cavaleiro das Trevas”. A história do novo filme é de Zack Snyder e David Goyer, que também escreve o roteiro.
A aventura, que começa a ser filmada ano que vem para uma estréia na temporada do verão americano de 2015 (enfrentando a continuação de “Os Vingadores”, o novo “Star Wars” e o quinto “Piratas do Caribe” nas bilheterias) é produzida por Charles Roven e Deborah Snyder, com Christopher Nolan como produtor executivo ao lado de Emma Thomas, Benjamin Melniker e Michael E. Uslan.
Henry Lennix apresenta o logo da parecria Superman e Batman, na Comic-Con 2013:


Se ligam, que ainda tem mais novidades cinematográficas da Comic-Con 2013 e iremos intercalar com outras novidades do cinema, por isso, não perca a próxima sessão aqui no O Barquinho Cultural.

[Cabine da Pipoca] Cinema na Flip 2013

Sabemos que hoje não é dia de cinema no O Barquinho Cultural e muito menos é sexta-feira, mas por forças maiores, não deu para subir a coluna da Cabina da Pipoca na semana passada e como não queremos deixar nossa tripulação na mão, por não deixá-los informados sobre o mundo cultural, nós resolvemos subir não um, mas dois textos de cinema para vocês e além é claro, do desta semana, que será especial rock and roll aqui no OBC.

Mas vamos ao que interessa e subir os atrasados, que é claro que iremos falar sobre a Flip 2013, que aconteceu semana passada do dia 3 a 7 de julho, na cidade de Paraty, Rio de Janeiro e a como se sabe, o cinema é uma arte literária e com isso, teve a participação do cineasta Nelson Pereira dos Santos, que marcou presença na última mesa no evento, da sexta-feira (5), o diretor de “Vidas secas” e “Memórias do cárcere” , ambos baseados em obras de Graciliano Ramos, contou histórias dos bastidores das filmagens. Na maior parte do tempo, os episódios eram inicialmente citados pelo mediador, Claudiney Ferreira, que então incentivava Nelson Pereira a detalhá-los.
O debate do cineasta teve exibições de trechos de longa, como o caso da morte da cachorra Baleia em “Vidas secas”. Ali, vieram alguns dos principais momentos da mesa. Nelson Pereira recordou-se do sucesso que o bicho fez no Festival de Cannes em 1964 e de uma acusação de ter assassinado de verdade a “intérprete” da personagem.
“Uma condessa italiana ficou furiosa com o filme, disse que só povo subdesenvolvido, para fazer o filme, mata o animal”, comentou. “Aí, a Air France [companhia aérea] ofereceu uma passagem para a Baleia ir para Cannes. Essa história estourou.” Segundo ele, a tal defensora dos animais seguiu cética, argumentando que, na verdade, a produção encontrou uma nova cachorra apenas para exibir aos desconfiados – “porque vira lata é tudo igual”.
O cineasta detalhou que pretendi, em princípio, trabalhar “cientificamente” com a cachorra para dirigi-la, usando um “método pavloviano, de reflexo condicionado”. Na prática, confessou Nelson Pereira, a ideia era deixá-la sem comer e, apenas na hora das filmagens, distribuir porções de refeição estrategicamente pelo set, conforme a necessidade de movimentá-la pelo espaço.
De acordo com ele, contudo, o plano fracassou. Quem sabotou foi um próprio integrante da equipe, descoberto após alguns dias. Era o próprio ator protagonista, Jofre Soares, responsável pelo papel de Fabiano e por dividir clandestinamente o almoço com Baleia. “O Jofre não comia junto com a equipe, saía andando e ia derrubando pedaço de carne para ela comer. Eu falei: ‘Já que você deu de comer, você vai dirigir a baleia!’.”
Nelson Pereira afirmou que cogitou a possibilidade de, na versão para a tela, dar um novo final à personagem Madalena. No livro, ela se mata. Ao receber uma carta dando conta da proposta de alteração, o próprio Graciliano respondeu que aceitava, mas desde que ficasse desligado da produção.
“A resposta do Graciliano foi: ‘Tudo bem, podem fazer, mas tira o meu nome dessa porcaria’”, apontou. O escritor teria recorrido ao óbvio: o suicídio de Madalena é a razão pela qual o Paulo Honório, o narrador, “escreve o livro”. Sem morte, não haveria romance – nem filme –, portanto. Nelson Pereira, por seu lado, justificou o ponto de vista: “Fiquei apaixonado pela Madalena”. Daí a opção, longo abandonada, por tentar mantê-la vida.
Por fim, o mediador instigou Nelson Pereira a explicar por que não adaptou um terceiro livro de Graciliano, “São Bernardo”. O cineasta contou que foi o próprio autor quem o “impediu” de levar adiante o projeto, quando a ideia do roteiro estava pronta.
Assista abaixo um trecho do filme Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos:


Isso ai tripulação, aguardem pois ainda terá mais textos da Flip 2013, na coluna do Cantinho Literário.
Por Priscila Visconti

[Cabine da Pipoca] Uma adaptação da obra de Nelson Rodrigues proibida e premiada

O filme lançado em 1973, dirigido por Arnaldo Jabor e que gerou uma situação extraordinária em seu lançamento, e com tanto sucesso foi representante oficial do Brasil no “Festival de Berlim”, enquanto nesse meio tempo o General Antônio Bandeira, chefe do serviço da censura, achou imoral, ordenando a proibição do longa. Mas foi novamente liberado, após ter conquistado o festival.

“Toda Nudez Será Castigada” é um longa baseado na peça de teatro homônima de Nelson Rodrigues, e conta a história de um homem puro que tinha tido apenas uma única mulher na vida e promete para seu filho que não teria outra, todavia Patrício dependente dele numa crise de desespero de Herculano mostra uma foto de Geni, uma cantora e prostituta.

Após embebedá-lo, Herculano vai até a zona e encontra Geni, onde passa a noite com ela.
Depois a renega por solidariedade, pois a prostituta havia dito que estava com um caroço no seio, alegando que sempre teve certeza que sua morte viria através de um câncer, até ai já era tarde demais, pois ambos estavam apaixonados.

Herculano leva Geni para viver em sua casa de campo, e seu irmão Patrício leva Serginho (filho de Herculano) para ver o pai e eles o encontra com a prostituta, o filho bastante aborrecido e chateado com a situação, vai até um bar e embriaga-se e briga com um cara qualquer, indo parar na delegacia. Lá ele foi estuprado por um ladrão boliviano.

Herculano culpa Geni, que quase vai embora, mas em uma visita deles a Serginho no hospital, ele diz que quer ver o pai casado com a puta.

No entanto, atendendo ao pedido do filho, Herculano se casa com a garota de programa, e Serginho passa a ser amante dela, traindo o ingênuo do pai.

Tempos depois, Patrício diz a Geni que viu seu filho fugindo com o ladrão boliviano, o que a deixa desesperada e acaba se matando, mas antes amaldiçoa Herculano, Serginho e toda a família.

Como todas as obras de Nelson Rodrigues, a obra fala da hipocrisia das famílias tradicionais. A primeira versão da adaptação foi gravada em 1973, e em 2012 a peça ganhou uma nova visão, com novo elenco e dirigido pelo renomado diretor de teatro Jorge Farjalla, em seu sétimo filme da série EnCURTAndo Nelson.

Assista o trailer da adaptação da obra de Nelson Rodrigues filmada em 2012:

Por Patrícia Visconti

[Cabine Literária] O Clube de Leitura de Jane Austen

Quem nunca sonhou em montar um clube do livro?

Pois bem, é sobre isso que iremos falar aqui n’ O Barquinho Cultural, não pense que a editoria do Cantinho Literário, mudou de dia, não esta é editoria de cinema, a nossa Cabine da Pipoca, que por tanto tempo ficou nas mãos da nossa querida Estelinha.

Mas no começo desta semana, a internauta, parceira, com seu blog, Resistências e porque não dizer, uma das membro de um mini clube do livro que fazemos através do bate-papo do Facebook, Lucila Neves, (veja também sua página da rede do Facebook) nos enviou como quem não quer nada, um filme um tanto quanto interessante, pois mostra a história de pessoas comum, que se encontram por  intermédio de um livro, então elas montam um clube do livro, fazendo o roteiro do filme ir da comédia, drama e também romance.

O nome deste filme é O Clube de Leitura de Jane Austen, é um filme norte-americano de drama romântico lançado em 2007, escrito e dirigido por Robin Swicord, com roteiro adaptado do romance do mesmo nome de Karen Joy Fowler, que é focado em um clube de discussão de livro formado especificamente para discutir os seis romances escritos por Jane Austen, que ao se aprofundarem na literatura de Austen, os membros do clube encontram-se lidando com experiências de vida que se assemelham aos temas dos livros que estão lendo.
Vejam abaixo a sinopse do filme:

“O clube do livro é criação de Bernadette, uma cinquentona seis vezes divorciada, que se agarra à ideia quando conhece Prudie, uma afetada professora de universidade de Língua Francesa, nos seus 20 e tantos anos e casada, em um festival de cinema de Jane Austen. Sua ideia é ter seis membros e discutir todos os seis romances de Jane Austen, com cada membro recebendo o grupo em sua casa uma vez por mês.


Aceitos também no clube estão: Sylvia, uma bibliotecária que se separara recentemente de seu marido, o advogado Daniel, depois de mais de duas décadas de casamento; Allegra, de 20 e tantos anos, lésbica, filha de Sylvia; Jocelyn, uma solteira maníaca por controle e criadora da raça de cachorros Rhodesian Ridgeback, que tem sido amiga de Sylvia desde a infância; e Grigg, um fã de ficção científica que foi amarrado no grupo por Jocelyn com a esperança de que ele e Sylvia formem um casal compatível.

Com o passar dos meses, cada um dos membros desenvolve características similares àquelas dos personagens de Austen e reagem aos acontecimentos em suas vidas da mesma maneira que seus homólogos ficcionais fariam. Bernadette é a figura matriarcal que sonha em ver todos encontrar a felicidade. Sylvia apega-se à sua crença na benignidade e devoção, e, afinal, se reconcilia com Daniel. Jocelyn renega seus próprios sentimentos por Grigg enquanto brinca de cupido para ele e Sylvia. Prudie, sobrecarregada com a falta de atenção de seu marido Dean, e uma mãe maconheira, de espírito livre e atitudes hippies (um produto da contracultura dos anos 1960), encontra-se tentando desesperadamente não sucumbir aos seus sentimentos por seu atraente aluno Trey. 

Allegra, que tende a encontrar seus amores quando se envolve em atividades que desafiam a morte, sente-se traída quando descobre que sua atual namorada, a aspirante a escritora Corinne, tem usado a vida de Allegra como base para seus contos. Grigg está atraído por Jocelyn e enfeitiçado por sua falta de interesse nele, marcada pela falha de Jocelyn em ler os livros de Ursula K. Le Guin com os quais ele tem esperança de cativar sua afeição. Ele também serve de contraponto cômico para as tomadas muito sérias entre Jocelyn e Prudie.”

O Clube de Leitura de Jane Austen
Data de lançamento: 21 de setembro de 2007
Direção: Robin Swicord
Lançamento em DVD: 5 de fevereiro de 2008
Duração: 106 minutos
Trilha sonora: Aaron Zigman

Elenco
Maria Bello como Jocelyn | Emily Blunt como Prudie |
Kathy Baker como Bernadette
Hugh Dancy como Grigg | Amy Brenneman como Sylvia | Maggie Grace como Allegra
Jimmy Smits como Daniel | Marc Blucas como Dean |
Lynn Redgrave como Mama Sky
Kevin Zegers como Trey | Nancy Travis como Cat Harris | Parisa Fitz-Henley como Corinne | Gwendoline Yeo como Dr. Samantha Yep

Assista abaixo, na integra o filme “O Clube de Leitura de Jane Austen”:

Para saber mais informações sobre o filme acesse o site oficial.
Mas é isso, está atrasado, pois não subi no dia certo do Cabine, afinal estou me adaptando ainda em pautar a editoria de cinema, porque ainda atrapalho um pouco, ai acabo esquecendo de subir o texto, mas relaxem que logo eu pego jeito da ‘coisa ‘ e meto bala na ‘bagaça’.
Boa fim de semana à todos e até a próxima sexta-feira com mais Cabine da Pipoca, que nesta semana virou a Cabine Literária.Por: Priscila Visconti