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[Cantinho Literário] Jackie Ormes – A primeira quadrinista negra

Ela era negra, viveu numa época bem distinta, onde não apenas os negros, mas as mulheres quase não tinham voz, mas independente disso, Jackie Ormes virou o jogo e se consagrou na primeira quadrinista e roteirista negra no século 20. Continuar lendo [Cantinho Literário] Jackie Ormes – A primeira quadrinista negra

Cantinho Literário entrevista Thiago Bechara

Primeiro de tudo, quero me desculpar por não ter tido Cantinho Literário semana passada, fiquei até envergonhada de ver a semana editorial aqui n’O Barquinho completa e não ver o meu ‘xodôzinho’, meu espaço literário, no qual divido minhas experiências, dicas,  especiais com grandes autores e apresento novos autores literários.
Mas nesta semana aqui estou, firme e forte, para trazer para toda tripulação o ‘best’ da literatura, nesta semana como comentava algumas vezes, pelas redes sociais,  que até o fim deste mês serão séries de entrevistas, com jornalistas, poetas, escritores e afins, que irão compor este finzinho de 2012, que logo logo se vai.
Nesta semana, abrindo o especial de entrevistas, será o jovem paulistano de 25 anos, mas que daqui dois meses fará 26 (fevereiro), o jornalista, escritor e poeta.
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e é pós-graduado em Jornalismo Cultural pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP, Thiago já tem alguns livros publicados, um deles é o Encenações, lançado em 2004 pela Editora Zouk, com prefácio do jornalista Heródoto Barbeiro.
Mas sem mais delongas, conheçam um pouco deste jovem ‘colega’ (jornalista) de profissão, que ama o que faz, pois ele faz com todo amor e dedicação.

1. O que Jornalismo e literatura significa em sua vida?

O jornalismo é uma ferramenta para a literatura, que é uma necessidade. E isso tudo foi sendo descoberto de maneira muito empírica na minha vida, já que meu sonho sempre foram os palcos, como ator e cantor. O texto falou mais alto e se impôs pouco a pouco, de maneira doce e irreversível. Quando falo em necessidade, não me refiro a nenhuma acepção transcedental da palavra, ou algo que o valha. Quero dizer pura e simplesmente que não sei dormir sem ler um bom livro, da mesma maneira que não sei acordar sem ter em mente algo para ser escrito. Mesmo que eu passe dias sem escrever, estou sempre gestando uma ideia ou a ternura por um sentimento que será registrado de alguma maneira. Seja num poema, num trabalho de pesquisa histórica, numa biografia, num conto, numa crônica, num romance, etc.
2. Música e poesia para você é…  Música é a própria representação da vida. Tons, emoções, altos, baixos. Sempre necessária e desejada, parafraseando Gonzaguinha. Ninguém quer morrer. A não ser os suicidas. Será que quem diz não gostar de música tem uma tendência maior à pulsão de morte, seu tânatos  Poesia é a retina do poeta. Tudo pode ser poesia, desde que seja visto assim. Parece muito simples, porque na verdade é. Pra quê complicar?
3. O que você acha do Jornalismo Cultural de atualmente? Falta algo ou está bom?
Sempre há aspectos positivos ao mesmo tempo que falta algo. E isso não é ruim. Se não faltasse, não haveria para onde nos expandirmos, evoluirmos, pesquisarmos, subvertermos. Bem entendido, quero mais é que continue sempre faltando algo, rs. 
No Brasil, especificamente, temos alguns veículos cuja linha editorial se aproxima mais ou menos do que se entende por Jornalismo Cultural, na sua acepção original do New Jornalism. Quer dizer, pretendem se aproximar disso. No entanto, sinto falta de espaços realmente privilegiados, para grandes e saborosas reportagens, perfis, etc. 
Há muita gente talentosa e capaz disso, mas esse viés acaba ficando mais restrito ao livro na maioria dos casos. No entanto, há razões concretas, financeiras, comerciais para vivermos este tipo de configuração, e acredito que o País vive um avanço gradativo nesse sentido.
4. Sabemos que você tem ‘N’ ganchos na área cultural, conte nos um pouco de seus projetos (passados, presentes e futuros), como seus livros, poemas, canções e afins…
Minha linha de trabalho se divide, pelo menos por enquanto, basicamente em poemas, biografias e perfis, pesquisas históricas e contos. Meus dois primeiros livros foram de poesias (o primeiro independente, em 2002, e o segundo pela Ed. Zouk, 2004). 
O terceiro já foi em 2010 pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, o perfil da atriz e diretora Imara Reis. Amei fazer. É um orgulho que tenho na vida, ser amigo da Imara e ter sido o “encabeçador” desse projeto. Do mesmo modo, acredito demais na importância da biografia da cantora Cida Moreira, que escrevi de 2008 a 2010 e será lançada pela mesma coleção no ano que vem. Concomitantemente ao livro da Imara, eu estava fazendo a biografia do compositor e cantor Luiz Carlos Paraná (1932-1970), primeiro trabalho de maior fôlego nessa seara, já que o biografado era falecido e eu tive a possibilidade de exercitar meu faro de pesquisador. Foi fabuloso. 
Um marco na minha carreira e na minha vida, por diversas razões. Este livro saiu em julho de 2012. Há coisa de uma semana, foi impresso meu próximo trabalho, o livro “A linguagem corporal circense”, pela Ed. Phorte, para o qual fui contratado pela professora de Ed. Física Cristiane Cassoni, para executar o projeto que ela tinha em mente de aplicar pedagogicamente as técnicas circenses ao universo da educação Física. Sairá ano que vem, provavelmente, e colaboraram conosco mais dois professores ligados à arte circense. 
Próximos projetos, não há segredos, rs. Livro de poemas inéditos pronto, livro de contos sendo escrito, primeiro romance começando a ser escrito, biografia da atriz Claudia Alencar sendo escrita, e ideias, muitas ideias. Mas além da literatura, estou encabeçando o projeto do programa “Memória Brasil”, na TV Geração Z (TV UOL – www.tvgeracaoz.com.br) que vai ao ar ao vivo, todas as quintas-feiras, às 16h, por esse site. Já foram entrevistadas personalidades como Karin Rodrigues, Claudia Mello, Elisabeth Hartmann, Tato Fischer, Phedra D. Córdoba, Imara Reis, etc.
5. O que significa arte literária pra você?
Ainda não descobri, rs. Talvez a possibilidade de um encontro meu com o mundo e do mundo comigo, por meio da autodescoberta. Nesse sentido, me veio a associação com o termo “religação”, que dá origem à ideia de religião. Religar. Aco que a arte em termos gerais é minha grande fé na existência de algo superior a nós no mundo.
Thiago Bechara com o professor Antonio Candido
6. Qual seu estilo literário favorito?

Não há apenas um. Também não sei definir exatamente o que me atrai, mas sei que meu olhar está muito mais interessada em questões psicológicas, dramas humanas, ou facetas cômicas da nossa vida cotidiana, do que em enredos estereotipados ou idealizados. Sou mais pé no chão e a literatura só me “pega” quando vejo refletido no universal, questões particulares que nos obrigam a buscarmos a nós mesmos.
7. Um músico favorito…  Essa pergunta no Brasil é uma sacanagem, rs. Sobretudo porque amo músicos de fora também. Terei de superar sua limitação e dar mais de um nome (muito mais): Chico Buarque, Villa-Lobos, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, Mercedes Sosa, Omara Portuondo, Liza Minelli, Clara Nunes, Gal Costa, Cida Moreira, Nelson Freire, Tato Fischer, etc.
8. Um autor favorito… Machado de Assis, Mário de Andrade, Clarice Lispector, Luigi Pirandello, Dostoiévski, Tchekhov, Humberto Werneck, etc, rs.
9. Thiago por Thiago…  Aquariano, autêntico, neurótico, perfeccionista. Só sabe agir se acreditar, só sabe viver se for apaixonado. Ama o silêncio e seus amigos (incluindo os livros).
10. Thiago e o jornalismo cultural… Uma relação descoberta 
11. Promova-se… Conte-nos um pouco de sua ideias, projetos, livros, de sua vida literária e onde podemos encontrar suas obras?
cararicatura de Thiago,
feita por um artista de rua,
próximo ao  Teatro Frei Caneca
Meu site (www.thiagobechara.com.br) é um bom lugar para quem se interessar, ficar sabendo de mais detalhes sobre meus trabalhos, projetos, ver fotos, assistir vídeos com entrevistas minhas ou os programas que apresentei até hoje. A maior parte dos meus trabalhos publicados pode ser encontrado na Livraria Cultura, mas vendo também pelo meu e-mail que é thiagobechara@ig.com.br

Contatos:


Esperamos que tenham gostado em conhecer o Thiago, pois ele disponibilizou um tempo de sua vida,  para nos conceder esta entrevista ao “O Barquinho Cultural” e nós ficamos muito grata por essa entrevista.
Mas é isso ai tripulação, a maratona entrevista no Cantinho Literário está apenas começando, semana que vem tem mais e o próximo entrevistado já está mais que preparado será o poeta, músico e produtor cultural Jaime Matos.
Boa semana e até mais!

Cantinho Literário

Essa semana não será de dicas de livros, mas sim falaremos de um escritor, jornalista, premiado por diversos prêmios da língua portuguesa, membro da Acadêmia Brasileira de Letras e também um grande amigo do cineasta Glauber Rocha. Quem pensou em João Ubaldo Ribeiro acertou, pois ele será o homenageado dessa semana.

A ideia surgiu depois de assistir ao programa Roda Vida na TV Cultura, ai então brilhou uma lanterninha, para este especial, afinal, por aqui n’ O Barquinho, o jornalismo está sempre em primeiro lugar, pois não importa a editoria, mais se tem jornalismo no meio, então pode ter certeza que falaremos aqui. (Fomos o tipo de pessoas viciadas em jornalismo.. hehe)
João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro, nasceu em Itaparica, 23 de janeiro de 1941 é um escritor, jornalista, roteirista e professor brasileiro, formado em direito e membro da Academia Brasileira de Letras. É ganhador do Prêmio Camões de 2008, maior premiação para autores de língua portuguesa.
Ubaldo Ribeiro teve algumas obras adaptadas para a televisão e para o cinema, além de ter sido distinguido em outros países, como a Alemanha. É autor de romances como Sargento Getúlio, O Sorriso do Lagarto, A Casa dos Budas Ditosos, que causou polêmica e ficou proibido em alguns estabelecimentos, e Viva o Povo Brasileiro, tendo sido, esse último, destacado como samba-enredo pela escola de samba Império da Tijuca, no Carnaval de 1987. É pai do ator e VJ da MTV Bento Ribeiro.
Abaixo segue obras do escritor…

Romances
Setembro não tem sentido – 1968
Sargento Getúlio – 1971
Vila Real – 1979
Viva o povo brasileiro – 1984
O sorriso do lagarto – 1989
O feitiço da Ilha do Pavão – 1997
A Casa dos Budas Ditosos – 1999
Miséria e grandeza do amor de Benedita (primeiro livro virtual lançado no Brasil) – 2000
Diário do Farol – 2002
O Albatroz Azul – 2009
Contos
Vencecavalo e o outro povo – 1974
Livro de histórias – 1981. Reeditado em 1991, incluindo os contos “Patrocinando a arte” e “O estouro da boiada”, sob o título de Já podeis da pátria filhos
Crônicas
Sempre aos domingos – 1988
Um brasileiro em Berlim – 1995
Arte e ciência de roubar galinhas – 1999
O Conselheiro Come – 2000
A gente se acostuma a tudo – 2006
O Rei da Noite – 2008
Ensaios
Política: quem manda, por que manda, como manda – 1981
Literatura infanto-juvenil
Vida e paixão de Pandonar, o cruel – 1983
A vingança de Charles Tiburone – 1990
Dez bons conselhos de meu pai – 2011

Confira a entrevista concebida ao programa Roda Vida, da TV Cultura, do jornalista e escritor, João Ubaldo Ribeiro.
Bom é isso ai pessoal, esperamos que tenham gostado de mais uma ideia literária, pois aqui n’ O Barquinho, o jornalismo e o humanitarismo, tem sempre destaque pois nossas ideias, são sempre focadas no social e humano da sociedade. 
Boa semana a todos e boa leitura.

[Plantão OBC] Me leva mundão em Minas

O jornalista Maurício Kubrusly esteve presente nas cidades mineiras de São Gonçalo do Rio Abaixo e Barão de Cocais. O jornalista famoso através do seu quadro “Me leva Brasil” do Fantástico, foi a grande atração do evento “O Sempre Papo”, o projeto que foi criado em 1986 que tem como objetivo o incentivo a leitura e a contribuição para a formação de cidadãos mais críticos. 
Durante a o evento Kubrusly ainda destribuiu autógrafos e contou sobre sua vasta experiência e conhecimento de grandes partes do Brasil e do mundo: “Andando pelo mundo você vê coisas inacreditáveis”, disse o jornalista que depois da publicação do seu livro “Me leva Brasil” acabou de publicar o “Me leva mundão”. Vamos conferir? 
Até daqui a pouco com mais plantão O.B.C 

Cantinho Literário

Vamos continuar o especial Jornalismo Literário, pois ainda temos algumas semanas para acabar, já que este neste mês será totalmente em especial aos jornalistas da literatura brasileira.

Então para seguir, vamos continuar com um jornalista, que não viveu as épocas de chumbo da imprensa, mas mesmo assim conseguiu deixar sua marca no Jornalismo, na literatura e no mundo. 
Estamos falando de um jovem jornalista, o Daniel Piza, paulistano, do dia 28 de março de 1970, amava o que fazia e com diversos livros escrito, apesar de se formado em Direito, pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco da USP, seu amor pelo jornalismo era tanto, que na metade do curso, ele ingressou no Estado de São Paulo (1991-92), cobrindo especialmente a editoria de Cultura, onde foi repórter do Caderno2 e editor-assistente do Cultura. Trabalhou em seguida na Folha de S. Paulo (1992-95), como repórter e editor-assistente da Ilustrada, cobrindo especialmente as áreas de livros e artes visuais. 
Foi editor e colunista do caderno Fim de Semana da Gazeta Mercantil (1995-2000). Em maio de 2000, retornou ao Estado como editor-executivo e colunista cultural; desde 2004 assinou também uma coluna sobre futebol. 
Traduziu seis títulos, de autores como Herman Melville e Henry James, e organizou seis outros, nas áreas 
de jornalismo cultural e literatura brasileira e também escreveu a biografia do grande autor Machado de Assis, qual houve boas críticas pela grande imprensa.

Daniel, era casado com a também jornalista Renata Piza, mas no final de 2011 (30/Dezembro), ele faleceu devido problemas cardíacos, mas neste pouco tempo que viveu no jornalismo e no mundo, escrevendo obras com grande valor no Jornalismo Literário.
Pois Piza, foi um grande jornalista na área da cultura e seu legado será levado para o todo sempre, no caminho do Jornalismo, pois bons jornalistas, vão só em corpo, pois suas almas são eternizadas por longos anos. 

Abaixo segue suas principais obras:
1996 – As Senhoritas de Nova York – Descoberta de Pablo Picasso – FTD
2000 – Questão de Gosto – Ensaios e Resenhas – Record
2001 – Mundois – Bei
2003 – Ora, Bolas – Da Copa de 98 ao Pent – Nova Alexandria
2003 – Leituras do Brasil -Talent
2003 – Jornalismo Cultural – Contexto
2003 – Ayrton Senna – O Eleito – Ediouro
2003 – Academia Brasileira de Letras – Histórias e Revelações – Dezembro Editorial
2004 – Paulo Francis – Brasil na Cabeça – Relume Dumará
2004 – Perfis & Entrevistas – Contexto
2005 – Mistérios da Literatura – Poe, Machado, Conrad e Kafka – Mauad
2005 – Machado de Assis – Um Gênio Brasileiro – Imprensa Oficial
2007 – Contemporâneo de Mim –Dez Anos da Coluna Sinopse Bertrand Brasil
2008 – Aforismos sem Juízo – Bertrand Brasil
2010 – Amazônia de Euclides – LeYa

Site Oficial do Daniel Piza
Twitter de sua esposa Renata Piza – @Renata_Piza 
Bom é isso, espero que estejam curtindo este especial Jornalismo Literário..
Boa semana a todos

Cantinho Literário: Especial Jornaliterário

Para dar um diferencial dos diversos sites e blogs, sobre literatura e não cair na mesmice de dicas e resenhas de livros, como nós d’O Barquinho nos propusemos um especial sobre alguns escritores-jornalistas. Então não há nada mais proveitoso em homenagear esses escritores que também de alma jornalista.
Afinal, o dom e arte de escrever, vem de pessoas de mente aberta, coração puro e uma cabeça cheia de ideias.
Esperamos que curta está dica, e que a paixão pela literatura se aflore a cada dia, e o hábito pela leitura seja algo primordial nas vidas de todos.
Pois uma leitura bem aproveitada pode te levar a mundos mágicos e de extrema importância em suas vidas..

Bom divertimento na primeira semana do especial Jornaliterário, que vamos começar com o grande escrito Nelson Rodrigues, que nasceu em Pernambuco, mas cresceu e viveu toda a sua vida na cidade maravilhosa Rio de Janeiro, que foi lá que começou sua carreira jornalística, no jornal de seu pai, A Manhã, foi repórter policial durante longos anos, de onde acumulou uma vasta experiência para escrever suas peças a respeito da sociedade. 
Curtam um pouco da história e a vida jornaliterária de Nelson Rodrigues…
so enjoy in the literary!!!

“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico(desde menino)”. — Nelson Rodrigues

Nascido na capital de Pernambuco e quinto de quatorze irmãos, Nelson Rodrigues mudou-se para o Rio de Janeiro ainda criança, onde viveria por toda sua vida. Seu pai, o ex-deputado federal e jornalista Mário Rodrigues, perseguido politicamente, resolveu estabelecer-se na então capital federal em julho de 1916, empregando-se no jornal Correio da Manhã, de propriedade de Edmundo Bittencourt.
Segundo o próprio Nelson em suas Memórias, seu grande laboratório e inspiração foi a infância vivida na Zona Norte da cidade. Dos anos passados numa casa simples na rua Alegre, 135 (atual rua Almirante João Cândido Brasil), no bairro de Aldeia Campista, saíram para suas crônicas e peças teatrais as situações provocadas pela moral vigente na classe média dos primeiros anos do século XX e suas tensões morais e materiais.
Sua infância foi marcada por este clima e pela personalidade do garoto Nelson. Retraído, era um leitor compulsivo de livros românticos do século XIX. Nesta época ocorreu também para Nelson a descoberta do futebol, uma paixão que conservaria por toda a vida e que lhe marcaria o estilo literário.
Na década de 1920, Mário Rodrigues fundou o jornal A Manhã, após romper com Edmundo Bittencourt. Seria no jornal do pai que Nélson começaria sua carreira jornalística, na seção de polícia, com apenas treze anos de idade. Os relatos de crimes passionais e pactos de morte entre casais apaixonados incendiavam a imaginação do adolescente romântico, que utilizaria muitas das histórias reais que cobria em suas crônicas futuras. Neste período a família Rodrigues conseguiria atingir uma situação financeira confortável, mudando-se para o bairro de Copacabana, então um arrabalde luxuoso da orla carioca.
Apesar da bonança, Mário Rodrigues perderia o controle acionário de A Manhã para o sócio. Mas, em 1928, com o providencial auxílio financeiro do vice-presidente Fernando de Melo Viana, Mário fundou o diário Crítica.
Como cronista esportivo, Nelson escreveu textos antológicos sobre o Fluminense Football Club, clube para o qual torcia fervorosamente. A maioria dos textos eram publicados no Jornal dos Sports. Junto com seu irmão, o jornalista Mário Filho, Nelson foi fundamental para que os Fla-Flu tivessem conquistado o prestígio que conquistaram e se tornassem grandes clássicos do futebol brasileiro. Nelson Rodrigues criou e evocava personagens fictícios como Gravatinha e Sobrenatural de Almeida para elaborar textos a respeito dos acontecimentos esportivos relacionados ao clube do coração. 
Nelson seguiu os seus irmãos Mílton, Mário Filho e Roberto integrando a redação do novo jornal. Ali continuou a escrever na página de polícia, enquanto Mário Filho cuidava dos esportes e Roberto, um talentoso desenhista, fazia as ilustrações. Crítica era um sucesso de vendas, misturando uma cobertura política apaixonada com o relato sensacionalista de crimes. Mas o jornal existiria por pouco tempo. Em 26 de dezembro de 1929, a primeira página de Crítica trouxe o relato da separação do casal Sylvia Serafim e João Thibau Jr. Ilustrada por Roberto e assinada pelo repórter Orestes Barbosa, a matéria provocou uma tragédia. Sylvia, a esposa que se desquitara do marido e cujo nome fora exposto na reportagem invadiu a redação de Crítica e atirou em Roberto com uma arma comprada naquele dia. Nelson testemunhou o crime e a agonia do irmão, que morreu dias depois.
Mário Rodrigues, deprimido com a perda do filho, faleceu poucos meses depois. Sylvia, apoiada pelas sufragistas e por boa parte da imprensa concorrente de Crítica, foi absolvida do crime. Finalmente, durante a Revolução de 30, a gráfica e a redação de Crítica são empastelados e o jornal deixa de existir. Sem seu chefe e sem fonte de sustento, a família Rodrigues mergulha em decadência financeira.
Foram anos de fome e dificuldades para todos. Pouco afinados com o novo regime, os Rodrigues demorariam anos para se recuperarem dos prejuízos causados pela tuberculose.
Ajudado por Mário Filho, amigo de Roberto Marinho, Nélson passa a trabalhar no jornal O Globo, sem salário. Apenas em 1932 é que Nélson seria efetivado como repórter no jornal. Pouco tempo depois, Nelson descobriu-se tuberculoso. Para tratar-se, retira-se do Rio de Janeiro e passa longas temporadas em um sanatório na cidade de Campos do Jordão. Seu tratamento é custeado por Marinho, que conquistou a gratidão de Nélson pelo resto de sua vida. Recuperado, Nelson volta ao Rio e assume a seção cultural de O Globo, fazendo a crítica de ópera.
No O Globo, foi editor do suplemento O Globo Juvenil, além de editar Nelson roteirizou algumas história em quadrinhos para o suplemento, dentre elas uma versão de O fantasma de Canterville de Oscar Wilde.
Em 1940 casou-se com Elza Bretanha, sua colega de redação.
A partir da década de 1940, Nelson divide-se entre o emprego em O Globo e a elaboração de peças teatrais. Em 1941 escreve A mulher sem pecado, que estreou sem sucesso. Pouco tempo depois assina a revolucionária Vestido de noiva, peça dirigida por Zbigniew Ziembinski e que estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro com estrondoso sucesso.
O teatrólogo Nelson Rodrigues seria o criador de uma sintaxe toda particular e inédita nos palcos brasileiros. Suas personagens trouxeram para a ribalta expressões tipicamente cariocas e gírias da época, como “batata!” e “você é cacete, mesmo!”. Vestido de noiva é considerada até hoje como o marco inicial do moderno teatro brasileiro.
Em 1945 abandona O Globo e passa a trabalhar nos Diários Associados. Em O Jornal, um dos veículos de propriedade de Assis Chateaubriand, começa a escrever seu primeiro folhetim, Meu destino é pecar, assinado pelo pseudônimo “Susana Flag”. O sucesso do folhetim alavancou as vendas de O Jornal e estimulou Nelson a escrever sua terceira peça, Álbum de família.
Em fevereiro de 1946, o texto da peça foi submetido à Censura Federal e proibido. Álbum de família só seria liberada em 1965. Em abril de 1948 estreou Anjo negro, peça que possibilitou a Nelson adquirir uma casa no bairro do Andaraí e em 1949 Nelson lançou Doroteia.
Em 1950 passa a trabalhar no jornal de Samuel Wainer, a Última Hora. No jornal, Nélson começa a escrever as crônicas de A vida como ela é, seu maior sucesso jornalístico. Na década seguinte, Nelson passa a trabalhar na recém-fundada TV Globo, participando da bancada da Grande Resenha Esportiva Facit, a primeira “mesa-redonda” sobre futebol da televisão brasileira e, em 1967, passa a publicar suas Memórias no mesmo jornal Correio da Manhã onde seu pai trabalhou cinquenta anos antes.

Nos anos 70, consagrado como jornalista e teatrólogo, a saúde de Nélson começa a decair, por causa de problemas gastroenteorológicos e cardíacos de que era portador. O período coincide com os anos da ditadura militar, que Nelson sempre apoiou. Entretanto, seu filho Nelson Rodrigues Filho torna-se guerrilheiro e passa para a clandestinidade. Neste período também aconteceu o fim de seu casamento com Elza e o início do relacionamento com Lúcia Cruz Lima, com quem teria uma filha, Daniela, nascida com problemas mentais. Depois do término do relacionamento com Lúcia, Nelson ainda manteria um rápido casamento com sua secretária Helena Maria, antes de reatar seu casamento com Elza. 

Nelson faleceu numa manhã de domingo, em 1980, aos 68 anos de idade, de complicações cardíacas e respiratórias. Foi enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo. No fim da tarde daquele mesmo dia ele faria treze pontos na Loteria Esportiva, num “bolão” com seu irmão Augusto e alguns amigos de “O Globo”. Dois meses depois, Elza atendia ao pedido do marido — de, ainda em vida, gravar o seu nome ao lado do dele na lápide de seu túmulo, sob a inscrição: “Unidos para além da vida e da morte. E é só”.


Estreias das peças (todas no Rio de Janeiro)
A mulher sem pecado – 1941 – Direção: Rodolfo Mayer
Vestido de noiva – 1943 – Direção: Zbigniew Ziembinski
Álbum de família – 1946 – Direção: Kleber Santos
Anjo negro – 1947 – Direção: Zbigniew Ziembinski
Senhora dos Afogados – 1947 – Direção: Bibi Ferreira
Doroteia – 1949 – Direção: Zbigniew Ziembinski
Valsa nº 6 – 1951 – Direção: Milton Rodrigues
A falecida – 1953 – Direção: José Maria Monteiro
Perdoa-me por me traíres – 1957 – Direção: Léo Júsi
Viúva, porém honesta – 1957 – Direção: Willy Keller
Os sete gatinhos – 1958 – Direção: Willy Keller
Boca de ouro – 1959 – Direção: José Renato
O beijo no asfalto – 1960 – Direção: Fernando Torres
Bonitinha, mas ordinária – 1962 – Direção Martim Gonçalves
Toda nudez será castigada – 1965 – Direção: Zbigniew Ziembinski
Anti-Nélson Rodrigues – 1974 – Direção: Paulo César Pereio
A serpente – 1978 – Direção: Marcos Flaksman

Romances

Meu destino é pecar – 1944
Escravas do amor – 1944
Minha vida – 1944
Núpcias de fogo – 1948
A mulher que amou demais – 1949
O homem proibido – 1959
A mentira – 1953
Asfalto selvagem – 1959 (também conhecido como Engraçadinha)
O casamento – 1966
[editar]Contos
Cem contos escolhidos – A vida como ela é… – 1972
Elas gostam de apanhar – 1974
A vida como ela é — O homem fiel e outros contos – 1992
A dama do lotação e outros contos e crônicas – 1992
A coroa de orquídeas – 1992

Crônicas

Memórias de Nélson Rodrigues – 1967
O óbvio ululante: primeiras confissões – 1968
A cabra vadia – 1970
O reacionário: memórias e confissões – 1977
Fla-Flu…e as multidões despertaram – 1987
O remador de Ben-Hur – 1992
A cabra vadia – Novas confissões – 1992
A pátria sem chuteiras – Novas Crônicas de Futebol – 1992
A menina sem estrela – memórias – 1992
À sombra das chuteiras imortais – Crônicas de Futebol – 1992
A mulher do próximo – 1992
Nélson Rodrigues, o Profeta Tricolor – 2002
O Berro impresso nas Manchetes – 2007
O quadrúpede de vinte e oito patas
Telenovelas
Baseadas na obra de Nélson Rodrigues
A morta sem espelho – TV Rio – 1963
Sonho de amor – TV Rio – 1964
O desconhecido – TV Rio – 1964
O homem proibido – TV Globo – 1982
Meu Destino É Pecar – TV Globo – 1984
Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados – TV Globo – 1995
A Vida Como Ela É – TV Globo – 1996

Filmes
Baseados na obra de Nélson Rodrigues
Somos dois – 1950 – Direção: Milton Rodrigues
Meu destino é pecar – 1952 – Direção: Manuel Pelufo
Mulheres e milhões – 1961 – Direção: Jorge Ileli
Boca de ouro – 1963 – Direção: Nelson Pereira dos Santos
Meu nome é Pelé – 1963 – Direção: Carlos Hugo Christensen
Bonitinha mas ordinária – 1963 – Direção: J.P. de Carvalho
Asfalto selvagem – 1964 – Direção: J.B. Tanko
A falecida – 1965 – Direção: Leon Hirzman
O beijo – 1966 – Direção: Flávio Tambellini
Engraçadinha depois dos trinta – 1966 – Direção: J.B. Tanko
Toda nudez será castigada – 1973 – Direção: Arnaldo Jabor
O casamento – 1975 – Direção: Arnaldo Jabor
A dama do lotação – 1978 – Direção: Neville d’Almeida
Os sete gatinhos – 1980 – Direção: Neville d’Almeida
O beijo no asfalto – 1980 – Direção: Bruno Barreto
Bonitinha mas Ordinária ou Otto Lara Rezende – 1981 – Direção: Braz Chediak
Álbum de família – 1981 – Direção: Braz Chediak
Engraçadinha – 1981 – Direção: Haroldo Marinho Barbosa
Perdoa-me por me traíres – 1983 – Direção: Braz Chediak
Boca de ouro – 1990 – Direção: Walter Avancini
Traição – 1998 – Direcão: Arthur Fontes, Cláudio Torres e José Henrique Fonseca
Gêmeas – 1999 – Direção: Andrucha Waddington
Vestido de noiva – 2006 – Direção de Joffre Rodrigues
Bonitinha mas Ordinária ou Otto Lara Rezende – 2009

Feliz Ano Novo pessoal!
(porque o ano só funciona depois do Carnaval aqui no Brasil.. hehe)
texto e captura das obras por: @pii_littrell