[Cantinho Literário] Jackie Ormes – A primeira quadrinista negra

Ela era negra, viveu numa época bem distinta, onde não apenas os negros, mas as mulheres quase não tinham voz, mas independente disso, Jackie Ormes virou o jogo e se consagrou na primeira quadrinista e roteirista negra no século 20.

Nascida em 1º de Agosto de 1911, em Pittsburgh, Pennsylvania, Jackie sempre adorou escrever e desenhar, durante o Ensino Médio foi editora do jornal da escola e semanalmente também escrevia para o jornal African-American, e esses artigos fez com que o editor Robert Van entrasse em contato com ela, fazendo com que a jovem escritora se tornasse correspondente, e a primeira mulher a escrever sobre esportes – boxe -, levando-a se tornar uma fã ávida do esporte.

Todavia, ela era apenas uma freelancer até então, ela ingressou oficialmente no jornalismo como revisora do Pittsburger Courier. Trabalhou como editora e repórter freelancer, escrevendo nas editorias policiais e casos judiciais, além de interesses sociais.

Mas, ao mesmo tempo que ela adorava reportar e escrever sobre a sociedade em geral, o que Jackie mais queria mesmo, era desenhar, e para isso ela não desistiu e continuou batalhando para realizar seu sonho. Sua primeira tirinha, “Torchy Brown in Dixie to Harlem”, apareceu no Pittsburgh Coursier, em 1937 e sucessivamente foi adicionado em outros catorze jornais para negros.

Nesta tirinha traz um humor cômico de um adolescente de Mississippi que encontra a fama cantando e dançando num clube local, fazendo com que muitos negros refletissem suas próprias vidas em Torchy, na jornada de muitos afro-americanos que se aventuraram para o norte durante a grande migração. E também foi por causa de Torchy, que Jackie Ormes tornou-se a primeira mulher afro-americana a produzir uma banda desenhada sindicalizada.

Além de escritora e quadrinista, Ormes expressou seu talento para o design de moda, tal qual sua visão de um belo corpo feminino acompanhando o Torchy Togs, uma boneca de papel que vinha com recortes de roupas para se trocadas. A tira mais conhecida provavelmente foi o episódio de 1954, quando Torchy e seu namorado médico enfrentam o racismo e a poluição ambiental, sendo um alicerce para vários problemas que o mundo sofria naquela época.

Ormes foi mais do que uma revolucionária para época na escrita ou nos quadrinhos, ela apresentada em suas tirinhas um contraste de representações estereotipadas contemporâneas da mídia, mostrando ser uma mulher confiante, inteligente e bastante corajosa.

Jackie Ormes se aposentou em 1956, apesar de continuar criando artes, incluindo murais, naturezas mortas e retratos, mas devido a uma artrite reumatoide tornou impossível continuar trabalhando, porém ela a comunidade de South Side Chicago, oferecendo desfiles e entretenimentos. Foi fundadora da DuSable Musuem of African American History e era ativa na Guys and Gals Funtastique Doll Club, uma Federação Unida de Dolls Club, devido por sua paixão por bonecas, em sua coleção ela havia mais de 150, dentre antigas e modernas.

Jackie faleceu em 26 de Dezembro de 1985, em Chicago, devido a um hemorragia cerebral, e anos mais tarde – bem mais tarde -, em 2014, foi postumamente inclusa no Hall da Fama, na Associação Nacional de Jornalistas Negros.

Por: Patrícia Visconti

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