Arquivo da tag: Cem Anos de Solidão

Clássico da literatura latino-americana, escrito por Gabriel García Márquez ganha adaptação para a Netflix

07140223711102-t1200x480

Após Gabriel García Márquez relutar pela adaptação de seu romance “Cem Anos de Solidão” (“Cien Años de Soledad”, título original) para os meios audiovisuais, a Netflix em parceria com os filhos do autor, Rodrigo Garcia e Gonzalo García Barcha, divulgou que a obra irá virar série, marcando a primeira adaptação do livro para as telas. Continuar lendo Clássico da literatura latino-americana, escrito por Gabriel García Márquez ganha adaptação para a Netflix

[Cabine da Pipoca] O cinema em Cem Anos de Solidão

literar-cemanos-02

Enquanto lia os dilemas da família Buendía em Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez, percebi que ele descreve mais um evento inusitado na pequena cidade de Macondo quando o cinema é apresentado para a população. O curioso do texto abaixo como parte de sua obra está na reação do publico ao assistir os primeiros filmes exibidos, da qual tem certa semelhança às histórias que ouvimos sobre a “A chegada de um trem na estação” dos irmãos Lumiére em 1985.

Enquanto os franceses se espantavam ao acreditar que uma locomotiva pudesse sair da tela, a população de Macondo se revoltava por ver um ator morto no primeiro filme, porém vivo no segundo. Logo me veio em mente a melhor pessoa para explicar o tal fenômeno seria Woody Allen. Porque o que é feito dentro da tela fica dentro da tela, e tudo que acontece dentro dela é ilusão que não se envolve nenhum pouquinho com seus expectadores.

Indignaram-se com as imagens vivas que o próspero comerciante Sr. Bruno Crespi projetava no teatro de bilheterias que imitavam bocas de leão, porque um personagem morto e enterrado num filme, e por cuja desgraça haviam derramado lágrimas de tristeza, reapareceu vivo e transformado em árabe no filme seguinte. O público, que pagava dois centavos para partilhar das vicissitudes dos personagens, não pode suportar aquele logro inaudito e quebrou as poltronas. O alcaide, por insistência do Sr. Bruno Crespi, explicou num decreto que o cinema era uma máquina de ilusão que não merecia os arroubos passionais do público. Diante da desalentadora explicação, muitos acharam que tinham sido vítimas de um novo aparatoso negócio de cigano, de modo que optavam por não voltar ao cinema, considerando que já tinham o suficiente com os seus próprios sofrimentos para chorar por infelicidades fingidas de seres imaginários.

Por: Fábio Astaire
do site @Cinemacombr