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[Cabine da Pipoca] “Quase em Casa” retrata de forma poética as idas e vindas da vida

Foto por: Vitor Araújo
Foto por: Vitor Araújo

O que vivemos nesta vida, só nos interessa a nós e a quem viveu junto conosco. Mesmo com o passar do tempo e as mudanças sendo inevitáveis, porém o que ficou marca e fica para sempre em nosso retrato.

Baseado nisso, o diretor e produtor Weslley Cruz desenvolveu a obra “Quase em Casa”, inspirada em um dos grandes sucessos de Chico Buarque em parceria com Vinicius de Moraes, “Valsinha”.

Quando somos jovens queremos tudo para já, viver cada momento intensamente, se apaixonar repentinamente, sem visar muito para o amanhã, todavia essas surtos impulsivos podem marcar eternamente nossa vida, dando-a outro rumo e trazendo quem menos esperávamos para perto de nós, e nos afastando de quem nunca pensávamos em viver sem. Porque quando é para ser, nem mesmo o tempo a de impedir.

A vida acaba se tornando uma grande história, onde os encontros e desencontros acontecem de forma oportunas, os amores e desamores vem e vão, fazendo com damos voltas e voltas em torno de uma cena, onde sempre acabamos voltando para aquela que mais nos apetece. Um ciclo comum e rotineiro, em que nos faz priorizar aqueles que serão os primeiros.

O curta-metragem “Quase em Casa” trata um pouco desta cena do cotidiano das pessoas, mostrando que mesmo que a vida de voltas, quem permanece nela, mesmo com seus percalços, permanece.

Assista abaixo o curta “Quase em Casa”, uma produção independente da Siberian Tigers Audiovisual:

Por: Patrícia Visconti

[Cabine Bits] Cinema e Games – Unindo Artes

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E começando aqui mais um debate com algo relacionado a nosso querido mundo dos games, e hoje com algo que agrada muitos fãs, principalmente com expectativas fervorosas. Filmes feitos com base em histórias de games: é possível?

A resposta é mais que óbvia: Mas é claro que sim! Como não lembrar filmes do Resident Evil? Ou até da franquia Mortal Kombat?

A questão é: Bons filmes. Não tenho nada contra com quem gostou das séries citadas acima, mas me refiro a filmes que tragam com mais seriedade a trama já encontrada nos games que possam ser passado das telinhas para às telonas.

Um exemplo claro (e com grandes rumores sobre isto acontecer) é a franquia Assassin’s Creed, da Ubisoft. Há rumores de um filme estar sendo encabeçado e com “previsão” para 2016. Mas, novamente, a questão é: Será um filme bom?

Não só trazer para o cinema, uma adaptação bem feita, mas também um enredo coerente (lembra-se do fiasco de Double
Dragon, em 1991?) e que se encaixe como uma luva com o enredo do game. É trabalho duro, e convenhamos, quem fizer isso merece aplausos e prêmios.

Cortando fora toda essa conversa, o texto ficou curto, mas deixa uma questão muito importante para nós gamers, que tem o sonho de ver nossos heróis e vilões preferidos nas telonas (e com grande estilo!). Você tem vontade de ver seus games favoritos no cinema? Se sim, quais?

Por: Daniel Barris

[8 Bit] O que esperar da nova geração?

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Nossos tão aguardados videogames foram revelados com capacidades acima do esperado, e ainda mais, superaram e muito a expectativa de seus fãs, mas nem todos foram assim, e não vamos citar exemplos. Mas, o mais importante foi que nossas ansiedades foram sanadas, porém mais delas foram criadas.

Pudera! Jogos com temáticas já antigas, mas com novas mecânicas de jogo, tendo um excelente exemplo Assassin’s Creed Unity, onde agora não só teremos a saudosa campanha solo, mas uma nova e bela campanha em grupo, onde é possível concluir o jogo com quatro amigos. Algo que já foi visto em tantos outros jogos, e agora marcando presença nesta franquia de peso da Ubisoft.

Não vamos esquecer da nova sequência de Far Cry, onde agora novos campos serão explorados, mais precisamente no Himalaia, além de uma leve mudança na mecânica do jogo, o que faz o antigo parecer novo. E não para por ai!

Para os fãs da lendária série da Rocksteady, chegará em julho de 2015 (com um delay já dito pela empresa) a conclusão épica desta sequencia: Batman Arkham Knight. Que deve chegar contudo às lojas, e além do mais importante: trará aos fãs do jogo as respostas que tanto aguardavam. Quem será o misterioso Arkham Knight? O que enfim houve com Batman após a morte de seu famoso inimigo? Que planos e alianças nosso Cavaleiro das Trevas encontrará ao longo da trama? Mais e mais perguntas, e a ansiedade crescendo cada vez mais.

E não só os jogos que prometem nesse ano, mas os consoles ficaram cada vez mais poderosos e a maioria aqui já possui uma clara noção das qualidades que cada um traz.

Wii U trazendo clássicos para um mundo HD, Ps4 entregando aos fãs um console inovador,e o Xbox One com seu logo “All In One”, com várias funções em um único aparelho.
Com tudo isso, temos uma ideia de que esta será uma das gerações mais marcantes, mas também nos faz sonhar com as próximas que vivenciaremos.

Por: Daniel Barris

[Cabine Flex] Fábrica da Cultura realiza seminários para propagar o cinema alternativo na periferia de São Paulo

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Como todos sabemos ontem foi o dia de cinema em nossa embarcação, porém sempre é bom propagar o que a grande mídia não pauta, além do mais os cinéfilos adoram um plus sobre a sétima arte.

Não é de hoje que a periferia e os bairros mais longínquos dos centros das grandes metrópoles é “carente” de cultura além da apresentada nos circuito comercial, como shopping centers ou filmes transmitidos pela TV aberta no horário nobre, porém há sempre aqueles que buscam agregar cultura fora da caixa, e transportar àqueles que não possuem esse discernimento desta erudição.

10418514_1455266901425157_8710547009901655769_nFoi o que a jornalista e moradora do bairro de Taipas, região norte de São Paulo, Jéssica Costa, 23, tentou trazer em um artigo (veja aqui) sobre a estreia do Cine Belas Artes para o Blog Mural, – afiliado ao site do jornal Folha de São Paulo – onde ela mesmo dita sobre as dificuldades que os amantes do cinema na periferia têm para acompanhar o que surgia de novo, fora do circuito comercial. Todavia a repercussão foi tão extrema que ela foi convidada pela Fábrica da Cultura para ministrar um seminário sobre “A aproximação do cinema à periferia“, que percorrerá por todo o mês de setembro por diversos bairros periféricos, como Belém, Sapopemba, Tiradentes, Itaim Paulista e Curuçá, despertando a reflexão e o estímulo do cinema como incentivo cultural, fazendo com que os participantes compreendam os elementos audiovisuais, interprete um roteiro, propague a discussão do conteúdo apresentado nos seminários, tornando os cinéfilos da periferia críticos convictos da sétima arte.

Nestes encontros serão mostrados um longa-metragem fora do circuito comercial, e após disso haverá debates e bate-papos sobre o mesmo, relatando a história do cinema, além do contexto histórico, dando novas diretrizes perceptivas ao espectador.

Essa ideia não surgiu apenas por este artigo, já que Jéssica sempre foi uma apaixonada por cinema e moradora de bairros longínquos do centro sempre buscou alternativa para conhecer filmes diferentes e fora daqueles exibidos nos cinemas dos shopping centers e também, daqueles apresentados na televisão, buscando e conhecendo mais sobre o assunto em sites especializados e em mostras na região central de São Paulo, e hoje visa essa oportunidade para compartilhar com outros adoradores desta arte, mas que não possuem as mesmas ferramentas que ela, mas contemplam a mesma ânsia em buscar o diferenciado e não convencional.

Cada encontro a jornalista apresentará um filme diferente, qual irá gerar um debate sobre o mesmo, e uma discussão sobre a produção, a arte e propagação destas obras junta à periferia.

Segue abaixo o dias e horários de quando acontecerá os seminários:

SERVIÇO

Fábrica da Cultura apresenta:
“Aproximação do Cinema à Periferia”

06/09/2014 – Parque Belém
Horário: 16h às 18h
Exibição do filme: “A Onda”
End: Av. Celso Garcia, nº 2.231 – Portaria 1 ou Rua Nelson Cruz – Portaria 2, na altura do nº 2.200 da Av. Celso Garcia, São Paulo/ SP.

06/09/2014 – Sapopemba
Horário: a partir das 19h30
Exibição do filme: “O Fabuloso destino de Amélie Poulain”
End: R. Augustin Luberti, 300 – Fazenda da Juta, São Paulo/ SP.

13/08/2014 – Tiradentes
Horário: a partir das 19h30
Exibição do filme: “A Viagem de Chihiro”
End: Rua Henriqueta Noguez Brieba, 281 – São Paulo/ SP.

20/09/2014 – Itaim Paulista
Horário: a partir das 19h30
Exibição do filme: “Clube dos Cinco”
End: R. Estudantes da China, 500 – Itaim Paulista, São Paulo/ SP.

23/09/2014 – Curuçá
Horário: a partir das 19h30
Exibição do filme: “Clube da Luta”
End: Rua Pedra Dourada, 65. Próximo a Avenida Nordestina (altura do nº 5800), São Paulo/ SP.

Os ingressos são gratuitos, porém limitados e devem ser retiradas uma horas antes do evento na recepção;

Por: Patrícia Visconti

[Cabine da Pipoca] O cinema em Cem Anos de Solidão

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Enquanto lia os dilemas da família Buendía em Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez, percebi que ele descreve mais um evento inusitado na pequena cidade de Macondo quando o cinema é apresentado para a população. O curioso do texto abaixo como parte de sua obra está na reação do publico ao assistir os primeiros filmes exibidos, da qual tem certa semelhança às histórias que ouvimos sobre a “A chegada de um trem na estação” dos irmãos Lumiére em 1985.

Enquanto os franceses se espantavam ao acreditar que uma locomotiva pudesse sair da tela, a população de Macondo se revoltava por ver um ator morto no primeiro filme, porém vivo no segundo. Logo me veio em mente a melhor pessoa para explicar o tal fenômeno seria Woody Allen. Porque o que é feito dentro da tela fica dentro da tela, e tudo que acontece dentro dela é ilusão que não se envolve nenhum pouquinho com seus expectadores.

Indignaram-se com as imagens vivas que o próspero comerciante Sr. Bruno Crespi projetava no teatro de bilheterias que imitavam bocas de leão, porque um personagem morto e enterrado num filme, e por cuja desgraça haviam derramado lágrimas de tristeza, reapareceu vivo e transformado em árabe no filme seguinte. O público, que pagava dois centavos para partilhar das vicissitudes dos personagens, não pode suportar aquele logro inaudito e quebrou as poltronas. O alcaide, por insistência do Sr. Bruno Crespi, explicou num decreto que o cinema era uma máquina de ilusão que não merecia os arroubos passionais do público. Diante da desalentadora explicação, muitos acharam que tinham sido vítimas de um novo aparatoso negócio de cigano, de modo que optavam por não voltar ao cinema, considerando que já tinham o suficiente com os seus próprios sofrimentos para chorar por infelicidades fingidas de seres imaginários.

Por: Fábio Astaire
do site @Cinemacombr

[Caixa de Som] O rock nacional está cochilando…

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A primeira vez em que o Brasil teve contato com um rock mais contestador, agressivo e de grande sucesso popular foi com os Secos & Molhados, em 1973. Tudo bem que o trio vocal formado por Ney Matogrosso, Gerson Conrad e João Ricardo pode ser considerado muito mais roqueiro por suas atitudes do que pela música em si. A própria figura de Ney e trechos como “eu não sei falar na hora de falar / então eu escuto” já causavam incômodos aos militares que governavam o país e erguiam a bandeira da “moral e dos bons costumes”.

Mas o tempo passou. Os brasileiros passaram um tempo sem ter contato com um rock contestador, até que chegou a década de 1980. Com ela, vieram o movimento pelas “Diretas Já”, o Rock in Rio (que impulsionou o rock a virar moda por aqui), o enfraquecimento da ditadura e o tão esperado fim da censura, que, embora tenha demorado um pouquinho para desaparecer de fato, deu um ar de mais liberdade, inclusive ao rock nacional.

Por conta disso, o Ultraje a Rigor pôde chamar àqueles de mereciam de “Filha da p…” (em claro desafio à censura), o Paralamas do Sucesso teve a oportunidade de lançar o seu mais bem-sucedido álbum de estúdio “Selvagem?”- um disco contestador por natureza, que chama a atenção para a desigualdade e exclusão social no sucesso, “Alagados” e alerta para o futuro das crianças em “Teerã”, segunda faixa do disco que leva o nome da capital do Irã. Até mesmo o RPM, grupo de maior sucesso da década, falava em revolução e convidava o público a fazer parte dela em “Rádio Pirata”.
Tudo ia bem, até que chegaram os anos 1990. Como são comuns, as tendências mudam e o rock acabou sendo engolido pelo sertanejo, que virou febre entre o público. Naquele momento, algumas bandas acabaram e outras caíram para a chamada “segunda divisão”, ou seja, não deixaram de existir, mas, sem espaço, acabaram sendo deixadas de lado pela mídia e grande público.

A partir da segunda metade da década de 90, o sertanejo acabou perdendo um pouco de sua força e, neste período, novas bandas apareceram. Nesta fase, apareceram Raimundos – misturando hard core com influências nordestinas. Apesar de não ter tido o compromisso de tocar o dedo em questões sociais, a banda brasiliense merece créditos por causa de suas letras politicamente incorretas e transgressoras. Surgiu nesta época também o Charlie Brown Jr., que, em músicas como “Não é sério”, chamou a atenção para a forma como os jovens são tratados no Brasil.

Mas aí entramos nos anos 2000. Uma leva de bandas apareceu. E o movimento do qual tais grupos apareceram tem nome: Emocore. O que se viu a partir daí foi o retrato mais fiel da “dor de cotovelo”. Para os ouvidos do grande público, chegavam músicas melosas, superficiais, que falavam em sua maioria de amores malsucedidos e abandonos. Até então, nenhuma guitarra havia sido tão chorosa.

E como consequência disso, o rock nacional deixa, a cada dia que passa, de ser transgressor. Hoje ele vive comodamente em um ambiente limitado, deixando de olhar para o que acontece em sua volta. Enquanto os amores perdidos são retratados, desvios políticos acontecem e pessoas continuam passando fome. E, além de questões sociais, também há outros assuntos relevantes para tratar. Basta ter força de vontade, e que o rock nacional desperte do seu cochilo, ou pelo menos abra os olhos para o que acontece ao seu redor.

Por: Rodrigo Almeida