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[Cabine da Pipoca] 10 filmes nacionais para entender os 50 anos do Golpe Militar 1964

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Nesta semana no Cabine da Pipoca, vamos homenagear os 50 anos do Golpe Militar, que aniveráriou na última quarta-feira, 1º de abril, sendo uma história tensa e bastante triste, para muitos brasileiros, como pais que tiveram filhos mortos e filhos que não conheceram seus pais. Ditadura essa que foi marcada pela contradição dos direitos humanos, diversos casos de tortura e abuso de poder e além de uma situação econômica alarmante.

O Golpe Militar de 1964 designa o conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964 no Brasil, atos que culminaram, no dia 1º de abril de 1964, com um golpe de Estado que encerrou o governo do presidente democraticamente eleito João Goulart, também conhecido como Jango. Jango havia sido democraticamente eleito vice-presidente pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – na mesma eleição que conduziu Jânio da Silva Quadros, do Partido Trabalhista Nacional (PTN), à presidência, apoiado pela União Democrática Nacional (UDN).

Os militares brasileiros favoráveis ao golpe, se declararam herdeiros do país, tornando o Brasil, um regime autoritário e nacionalista, politicamente alinhado aos Estados Unidos, que acarretou profundas modificações na organização política do país, bem como na vida econômica e social. O regime militar durou até 1985, quando Tancredo Neves foi eleito, indiretamente, o primeiro presidente civil desde 1964.

No cinema este período já foi relatado em diversos filmes nacionais, às vezes de maneira lúdica, outras vezes de modo duro e realista, tanto em documentário quanto em ficção. Confira abaixo 10 filmes, que contam um pouco do golpe de 1964.

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Cabra Marcado Para Morrer (1985), de Eduardo Coutinho: O documentário sobre um líder camponês teve que ser interrompido com o golpe militar. Dezessete anos depois, o cineasta retorna ao local onde filmava, e retrata como a ditadura afetou a vida das pessoas envolvidas no filme.

O Dia que Durou 21 Anos (2012), de Camilo Tavares: Documentário sobre a influência norte-americana no golpe, com a grande pressão exercida pelo governo dos Estados Unidos para a retirada de Goulart do poder. Confira a nossa crítica.

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger: Ficção sobre uma criança deixada sozinha quando seus pais são perseguidos e sequestrados durante a ditadura.

Pra Frente, Brasil (1982), de Roberto Farias: Um dia, um trabalhador é confundido com um militante, sequestrado pelo regime militar e brutalmente torturado nos porões da ditadura.

Dossiê Jango (2013), de Paulo Henrique Fontenelle: Documentário sobre o governo de João Goulart e as consequências de sua saída ao poder. Confira a nossa crítica.

Jango (1984), de Silvio Tendler: O documentário retrata toda a história de Jango, desde a sua formação até a entrada na política, o golpe e o exílio no Uruguai.

Ação Entre Amigos (1998), de Beto Brant: Muitos anos após o regime militar, quatro antigos militantes discutem sobre as consequências deste governo no país.

Tatuagem (2013), de Hilton Lacerda: Enquanto os militares controlam e reprimem diversas formas de manifestação artística no Brasil, um soldado se apaixona pelo líder de um grupo teatral anárquico. Confira a nossa crítica.

O Que É Isso, Companheiro? (1997), de Bruno Barreto, e Hércules 56 (2006), de Silvio Da-Rin: Uma ficção e um documentário retratam de maneiras distintas a mesma história sobre o sequestro de Charles Burke Elbrick, embaixador dos Estados Unidos no Brasil, por militantes que exigiam a liberação de presos políticos.

Zuzu Angel (2006), de Sergio Rezende: Quando descobre que seu filho foi torturado e morto por militares, a estilista Zuzu Angel tenta localizar o corpo e enterrá-lo.

Assista abaixo o trailer do filme “Zuzu Angel”, de 2006:


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Sinopse: Brasil, anos 60. A ditadura militar faz o país mergulhar em um dos momentos mais negros de sua história. Alheia a tudo isto, Zuzu Angel (Patrícia Pillar), uma estilista de modas, fica cada vez mais famosa no Brasil e no exterior. O desfile da sua coleção em Nova York consolidou sua carreira, que estava em ascensão.

Paralelamente seu filho, Stuart (Daniel de Oliveira), ingressa na luta armada, que combatia as arbitrariedades dos militares. Resumindo: as diferenças ideológicas entre mãe e filho eram profundas. Ela uma empresária, ele lutando pela revolução socialista e Sônia (Leandra Leal), sua mulher, partilha das mesmas idéias. Numa noite Zuzu recebe uma ligação, dizendo que “Paulo caiu”, ou seja, Stuart tinha sido preso pelos militares.

As forças armadas negam e Zuzu visita uma prisão militar e nada acha, mas viu que as celas estavam tão bem arrumadas que aquilo só podia ser um teatro de mau gosto, orquestrado pela ditadura. Pouco tempo depois ela recebe uma carta dizendo que Stuart foi torturado até a morte na aeronáutica.

Então ela inicia uma batalha aparentemente simples: localizar o corpo do filho e enterrá-lo, mas os militares continuam fazendo seu patético teatro e até “inocentam” Stuart por falta de provas, apesar de já o terem executado. Zuzu vai se tornando uma figura cada vez mais incômoda para a ditadura e ela escreve que não descarta de forma nenhuma a chance de ser morta em um “acidente” ou “assalto”.

Por Priscila Visconti