Música na grade curricular das escolas


A partir de agosto de 2012 as escolas brasileiras terão de ter em sua grade curricular o ensino da música, como disciplina optativa tanto no Ensino Médio quanto no Fundamental. A exigência é baseada em lei federal que impõe a nova mudança. Portanto, os colégios serão obrigados a oferecer o conteúdo musical.

Especialistas em Educação são enfáticos em afirmar que os alunos só têm a ganhar com a medida. Seja no desenvolvimento da arte, da sensibilidade ou das questões humanísticas do jovem.

O ponto de divergência é a maneira como o conteúdo musical especificado na lei federal será abordado.

A diretora da Fundação das Artes de São Caetano, Noemi Munhoz é a favor, mas tem suas ressalvas. “Acho maravilhoso, a Música nunca deveria ter sido tirada da grade curricular. Ajuda no raciocínio matemático, na memória, tira os jovens da rua, além de trabalhar a sociabilidade.”

“A minha única ressalva é quanto ao que será ensinado e por que tipo de profissional. Não é só cantar com as crianças. Trata-se de ensinar a ler partitura ou a tocar um instrumento – e para isso é preciso que seja profissional de Música, alguém com licenciatura e habilitação. Para dar aula de Português, não precisa ser formado em Letras? Com música também é assim.”

A presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Maria Izabel Azevedo Noronha, defende ensino mais voltado para o desenvolvimento da sensibilidade do aluno. “A intenção do conteúdo musical no projeto pedagógico é trabalhar a música dentro da Educação Artística, como mais uma forma de expressão. Aflora a sensibilidade e parte do cérebro acaba se desenvolvendo.”

Maria Izabel acredita que o estudo da parte formal, como as posições das notas musicais nas linhas da partitura, é difícil para o aluno e não atrai a atenção dos jovens. “Isso acaba matando o objetivo no qual a música deveria se esmerar, que é trabalhar a sensibilidade.”

Maria Izabel também é contra o posicionamento da Secretaria do Estado de Educação. O órgão informou que não deve fazer adaptação na grade escolar, porque a música já é abordada nas escolas estaduais de maneira transversal, nas aulas de Educação Artística. “Atualmente os alunos cantam o Hino Nacional, por exemplo, mas sem reflexão, e sem a utilização desse exercício de maneira multidisciplinar”, avaliou. “A música, quando abordada de forma correta, tem papel de auxiliar o professor de diversas matérias, pois ajuda jovem em distintas áreas da sua vida.”

Créditos: Diário do Grande ABC
capturado por: @nickacarter

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