Crítica – O Pintassilgo

O-Pintassilgo-1068x601

Adaptações literárias são, a muito tempo, uma fonte generosa ao cinema. Grandes obras saíram primeiro nos livros, para só então chegar a tela grande. Exemplos não faltam, de O Poderoso Chefão a trilogia O Senhor dos Anéis. Por tudo isso, não foi de se estranhar a parceria da Warner com a Amazon Studios para realizar uma versão cinematográfica da obra O Pintassilgo, da escritora americana Donna Tartt, vencedora do Pulitzer de 2014, em que parecia uma receita infalível, que não podia dar errado. Todavia, infelizmente não foi bem assim.

Não que seja um filme ruim. O Pintassilgo, do diretor John Crowley (Brooklin, Circuito Fechado) tem seus méritos, o problema é que ficou muito aquém do que prometia.

A história do jovem Theo Decker (Ansel Elgort/Oakes Fegley), traumatizado desde criança pela morte da mãe em um atentado terrorista ao Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque, é acompanhada pela direção de forma a retratar cada fase passada pelo garoto. Sob o peso da culpa por se considerar o responsável pela morte da mãe, e por ter levado do museu um quadro inestimável, que dá nome a obra, vemos a vida de Theo mudar completamente, passando pelo acolhimento pela família da senhora Barbour (Nicole Kidman), o retorno do pai ausente (Luke Wilson) junto com uma nova mulher (Sarah Paulsen), além de suas amizades com Pippa (Aimée Laurence/Ashleigh Cummings) outra sobrevivente do atentado, e com Boris (Finn Wolfhard), um problemático garoto ucraniano.

o-pintassilgo-2

O grande problema, porém, é a pressa. Mesmo sendo um filme longo, ele não se preocupa em apresentar de forma concisa os personagens secundários. Com exceção de Boris, todos os demais parecem muito unidimensionais. Todos são vistos unicamente por suas relações com protagonista, sem explorar seus traços de personalidade ou características.

Outro pecado é o trânsito entre duas diferentes linhas temporais, o que poderia ser uma boa sacada, mas a forma como que é feita não impacta, e pior, as linhas não são bem conectadas. É como dois filmes distintos que não estão totalmente amarrados. Em relação a as atuações temos Nicole Kidman faz um bom papel, embora sem muita personalidade, transmite bem uma preocupação quase maternal. O jovem Oakes Fegley é competente e tem uma ótima performance, ao passo que Ansel Elgort se esforça. Mas na comparação entre os atores que encarnaram o protagonista, há um desnível, que gera um certo incômodo. No entanto, o maior destaque é, sem dúvidas Finn Wolfhard. O ator de Stranger Things vem se tornando um dos queridinhos de Hollywood e não à toa. Novamente ele entrega um papel seguro, ajudando a carregar o segundo ato do filme, de longe o melhor.

content-pic2

A fotografia é bem feita, mas nada demais. A única exceção e destaque são as cenas ambientadas em Las Vegas, que utilizam-se de tons pastéis tanto no ambiente, um deserto, quanto do design das roupas e cenários. Por vezes a impressão que se dá é que estamos vendo uma pintura. Infelizmente, isso também sofre com a pressa do filme.

Em resumo, O Pintassilgo é um filme mediano. Alterna bons e maus momentos, mas no geral arranca mais bocejos que lágrimas. Após os créditos, saímos do cinema com a impressão de termos visto um filme esquecível.

 

Nota: ⭐⭐⭐

Por Rafael De Paula

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s