“TRÊS COROAS NEGRAS” – UMA FICÇÃO FANTÁSTICA QUE ABORDA O PROTAGONISMO FEMININO

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Fennbirn é uma ilha que fica isolada do continente, um lugar único com suas próprias tradições e regras, na qual a magia é apenas mais uma característica. Governado por uma Rainha e seu rei consorte, todas as Rainhas escolhidas sempre dão à luz trigêmeas que precisam lutar entre si para conquistar o direito ao trono. Neste contexto que somos inseridos em “Três Coroas Negras”, nos são apresentadas as irmãs Katherine, Arsinoe e Mirabella no prelúdio para seu inevitável combate. Cada uma foi criada por uma família diferente por ter habilidades mágicas distintas: Katherine é uma envenenadora, que assim como a mãe, é imune aos venenos mais mortais do mundo; Arsinoe é uma naturalista, que pode controlar os animais e as plantas enquanto Mirabella é uma elemental, capaz de controlar os elementos da natureza.

Publicado em 2016, o livro “Três Coroas Negras”, da autora Kendare Blake nos conquista logo no início ao utilizar uma proposta inovadora de apresentar não apenas uma, mas três protagonistas femininas incríveis, além de diversas personagens secundárias que definitivamente roubam a cena, como Jules, a melhor amiga de Arsinoe. Mas, o que mais nos conquista nesse universo além de sua mitologia curiosa e muito bem construída, são as personalidades completamente singulares das protagonistas, pois cada uma tem seu jeito de ver o mundo e cada uma delas é incrível e especial à sua maneira, como todas nós mulheres.

Um dos principais tópicos a serem abordados pela obra é a questão da rivalidade feminina compulsória, incentivada desde a infância em todas as mulheres de nossa sociedade, fazendo-nos acreditar que outras mulheres sempre serão nossas inimigas. Enquanto histórias como “Branca de Neve” – madrasta que tenta assassinar a enteada por sua beleza – e “Cinderela” – na qual uma madrasta e suas duas filhas praticam assédio moral contra a enteada durante toda a vida dela – intensificam a ideia de rivalidade feminina, “Três Coroas Negras” é um livro que ilustra como essas convenções são nocivas. Trata-se de uma história em que três irmãs são obrigadas a literalmente matarem umas às outras até que apenas uma sobreviva para assumir o trono e a crítica à rivalidade está clara desde a premissa do livro.

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O empoderamento tratado no livro é apresentado de maneira sutil, porém constante, pois todos os cargos de liderança apresentados na trama são ocupados por mulheres, desde a Rainha de Fennbirn até as líderes do Conselho e a Alta Sacerdotisa. Até mesmo a religião seguida pelos habitantes tem como divindade uma Deusa, que controla todos os eventos que acontecem na ilha.

A luta das irmãs pela conquista de poder se inicia ao completarem 16 anos de idade, elas são treinadas durante toda a vida por famílias especialistas no poder de cada uma delas, Katherine foi criada por Natalia Arron, matriarca da família envenenadora mais poderosa da ilha, já Arsinoe foi criada pela família naturalista Milone enquanto Mirabella foi criada pela família elemental Westwood.

A ambientação é rica em detalhes e bem elaborada, na qual conseguimos nos imaginar em contato real com o ambiente e até mesmo a própria ilha em si, a escrita de Blake é responsável por nos fazer mergulhar de fato na história bem como o universo criado pela autora, que por sua vez, é extremamente criativo.

A grande questão da trama é se as protagonistas realmente farão o que as regras mandam e assassinar suas irmãs à sangue frio ou se decidirão colocar um fim nessa tradição doentia e decidir seus próprios destinos.

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Uma curiosidade sobre a origem da série é que na Comic Con Portugal, em 2018, a autora revelou que sua inspiração para a história das trigêmeas foram as colônias de abelhas, nas quais as fêmeas competem entre si para decidir quem será a abelha rainha, situação muito similar à do enredo de “Três Coroas Negras”.

Cheio de reviravoltas e cenas impactantes, “Três Coroas Negras” é um dos melhores livros que li em 2019 e com certeza um dos meus preferidos, uma vez que me fez ter vontade de devorar a série toda em apenas um dia. Kendare Blake constrói uma trama densa e sombria meticulosamente para nos envolver no embate sangrento das irmãs, contudo devo avisar que é impossível escolher uma favorita, pois cada uma delas consegue conquistar o leitor à sua maneira.

“Três Coroas Negras” é o primeiro livro da série homônima, que atualmente tem quatro livros publicados nos EUA, mas apenas os três primeiros foram publicados no Brasil enquanto o quarto livro, chamado “Five Dark Fates” (“Cinco Destinos Sombrios”, em tradução livre) segundo a Editora Alt – responsável pela publicação de todos os livros da série no Brasil -, publicou em seu instagram tem seu lançamento previsto para 2020. O segundo livro da série chama-se “Um Trono Negro” (2017) e o terceiro “Dois Reinos Sombrios” (2019), ambos publicados pela editora Editora Alt, selo alternativo da Globo Livros.

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Em seu site e nas redes sociais, Kendare Blake sempre mantém seus fãs atualizados sobre as publicações dessa e de outras séries da autora. Recomendo essa série para todos aqueles que – assim como eu – amam o gênero Fantasia e adoram uma boa história de bruxas, com personagens femininas fortes e cheia de magia.

Por Fernanda Iana

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