34ª Bienal de Arte de São Paulo traz exposição que mostra a urgência dos problemas da vida no mundo atual

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A pandemia não acabou, mas a vida precisa voltar ao normal aos poucos, para que todos os setores voltam a gerar renda para a cidade e o país, e um dos setores mais afetados nessa quarentena, sem dúvida foi o de eventos, que ficou quase um ano e meio parado, fazendo muitos perderem seus empregos, assim aumentando ainda mais o desemprego, que desde esse governo, só vem caindo.

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Mas aos poucos o setor de eventos vai retomando e voltando as suas atividades, mas claro, sempre seguindo as orientações da OMS para prevenção da COVID-19. Um dos primeiros eventos que abriu as portas, foi a 34ª Bienal de Arte de São Paulo, que aconteceria em 2020, mas devido a quarentena extrema, não aconteceu, mas esse ano os organizadores e o Governo de São Paulo, ajustou todas as mudanças, que ora se multiplicam devido à pandemia de Covid-19, são parte integrante e relevante do processo de insistência, transformação e afinação que vai desenhando a 34ª Bienal.

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Afinal a obra de arte é algo permeável às relações que estabelece a todo que a circula e não como algo cristalizado e a 34ª Bienal foi concebida para se expandir no espaço – estendendo-se por meio de parcerias com 25 instituições culturais da cidade e no tempo, com a realização, no Pavilhão da Bienal, de exposições individuais e performances que antecederiam a mostra coletiva.

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Esse projeto curatorial da 34ª Bienal de São Paulo pretende ampliar a mostra, multiplicando as oportunidades de encontro com a arte e reivindicando, ao mesmo tempo, o direito à opacidade tanto das expressões artísticas quanto das identidades de sujeitos e grupos sociais, com a mostra – Faz escuro mas eu canto – uma nova busca por uma linguagem para delinear os campos de força criados pelo encontro de obras produzidas em lugares e momentos distintos, propondo alguns objetos e histórias, como um sino que soou em momentos diversos de uma história que se repete; as imagens do homem mais retratado num tempo em que quase não havia retratos; os bordados que outro homem não teria feito se não fosse às escondidas; cartas que, para chegar a uma criança, tiveram que atravessar as grades da cadeia e os olhos da censura; um conjunto de objetos que sobreviveram de maneiras diferentes ao mesmo incêndio.

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Esses enunciados pontuam a exposição, sugerem o tom no qual podem vibrar as obras ao seu redor, aglutinando e tornando tangíveis as preocupações e as reflexões da curadoria. Funcionam, nesse sentido, como o diapasão que ajuda a afinar um instrumento musical, ou a começar um canto. A curadoria da exposição feita por Jacopo Crivelli Visconti, Paulo Miyada, Carla Zaccagnini, Francesco Stocchi, Ruth Estévez, também é almejado algo parecido com uma afinação, um ajuste não isento de erros, acidentes e desvios, que o tempo expandido da 34ª Bienal nos permitiu.

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A exposição Faz escuro mas eu canto, é um verso do breu que nos cerca, desde os incêndios na Amazônia que escureceram o dia aos lutos e reclusões gerados pela pandemia, além das crises políticas, sociais, ambientais e econômicas que estavam em curso e ora se aprofundam. Ao longo desses meses de trabalho, rodeados por colapsos de toda ordem, nos perguntamos uma e outra vez quais formas de arte e de presença no mundo são agora possíveis e necessárias.

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A 34ª Bienal de Arte de São Paulo está acontecendo no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, também conhecido apenas como Pavilhão da Bienal e está localizado no Parque do Ibirapuera, na capital paulista, começou no último sábado (4) e vai até 5 de dezembro, com entrada gratuita. A mostra Faz escuro mas eu canto é um verso do poeta amazonense que reconhece a urgência dos problemas que desafiam a vida no mundo atual, enquanto reivindicamos a necessidade da arte como um campo de resistência, ruptura e transformação. Pois em tempos escuros, há os cantos que ainda podemos seguir e cantar sem medo.

Por Priscila Visconti

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