‘Os esquecidos de domingo’: um história de segredos encobertos e amizades incomensuráveis

001

O novo romance, da autora de Água Fresca para as Flores, a escritora francesa Valérie Perrin, chegou ao Brasil pela Editora Intrínseca. Os esquecidos de domingo, traz em sua narrativa momentos de reflexão, descontentamento e melancolia, em uma obra tênue e comovente, que conecta gerações e revela segredos decisivos do passado que retomam como um furacão, fazendo com que olhamos para o futuro, mas sem esquecer-se de viver o presente, sem deixar o acaso nos perturbar.

O livro conta a história de Justine, de sua vida pacata e monótona em um pequeno vilarejo da Borgonha, onde vive com seus avós e o primo Jules, que perderam os pais em um acidente de carro. A rotina deles é bem tranquila meio ao marasmo do vilarejo, e Jules adora buscar aventuras, o que aproxima muito a relação deles, que acaba sendo mais um irmão para Justine. Além do mais, ela ainda trabalha como auxiliar de enfermagem na Hortênsias, uma casa de repouso onde grande parte dos seus turnos é dedicada a ouvir os relatos dos idosos que vivem ali.

002

E foi na Hortênsias onde ela reconectou seu passado com seu presente, transformando intensamente o futuro que estaria por vir, ao conhecer Hélène Hel, uma residente de quase cem anos, que vive compartilhando momentos e memórias de sua vida, que ao decorrer do tempo aproximação das duas faz com que a jovem enfermeira possa reconstruir a trajetória, que ela acaba registrando em um caderno, na tentativa de salvar a lembrança da idosa, marcada por perdas imensuráveis, grandes amores e pela força da esperança.

Com o tempo, os dias em que Justine ia tomando nota das histórias de Hélène, ela vai percebendo ligações indecifráveis que causam uma pequena revolução da casa de repouso, onde a senhora faz com que a garota veja com mais carinho e atenção ao próprio presente, sob uma nova perspectiva, em saber mais sobre o que causou a morte de seus pais, que o atormentou por toda sua infância diante aos segredos encobertos por sua família, que sempre evita falar do caso, mas que agora pode ser o momento oportuno dela mergulhar de uma vez das verdades de sua história.

Entre conjunturas e relatos, a amizade entre Justine e Hélène se intensifica, já que ela foi a única que abriu seus olhos para descobrir sobre a si mesma, através de memórias, momentos e relações significativas, que emocionam e marcam com precisão uma parte que muitos queriam esquecer, mas no fundo faz parte da vida, mostrando que nem todo segredo fica oculto para sempre, pois as conexões dos fatos revelam com toda concepção, em uma narrativa intrinsicamente sensível e comovente, conectando gerações diante de uma trama que vai do humor à melancolia, em um gratificante sentindo meio às lembranças mais memoráveis.

 

por Patrícia Visconti

Deixe um comentário