No último domingo (09), foi ao ar o último episódio da terceira temporada de “A Casa do Dragão”, série prequel de “Game of Thrones”, adaptado dos livros “As Crônicas de Fogo e Sangue” do escritor George R.R Martin.
A terceira parte da guerra civil familiar dos Targaryen trouxe uma muita movimentação entre as facções, de um lado os Verdes com, Aegon, Aemond, Daeron e Alicent, em momentos distintos pela conjuntura da guerra.
Do outro, a rainha Rhaenyra com Daemon, seu tio e marido, tendo nas mãos pela primeira vez na história, a gestão de Porto Real, após a conquista do Trono de Ferro.
Diferente de muita coisa que é pensada de forma harmônica ao conteúdo original, os produtores de “A Casa do Dragão”, tiveram nessa temporada a liberdade de criar ramificações diferentes para alguns personagens.
Isso significa tirar da história eventos e personagens importantes, levando a trama desses para outros já inseridos. É o caso da Rhaena Velaryon que teve um arco adaptado de outra personagem.
Também o Jacaerys Velaryon que teve outra motivação para entrar na batalha da Goela, e não o resgate dos irmãos como é na obra original.
De qualquer forma, nada disso trouxe um impacto significativo nos eventos seguintes porque, seguindo ou não de forma canônica os principais acontecimentos foram mantidos.
Agora, isso não deixa de evidenciar um problema crônico na construção do arco dramático que é os diálogos, são textos rasos e simplistas para uma guerra de proporções inimagináveis.
Não há uma conversa realmente pontual sobre acontecimentos na série que consiga gerar um impacto forte, tudo carece de cenas extras, seja de impacto com ação ou pequenos conflitos.
E é justamente quando os dragões aparecem que a série encontra uma maneira de compensar a fragilidade do próprio roteiro.
E com relação aos dragões, eles foram, sem dúvidas, a estrela dessa terceira parte, seja na ação ou interação com seus cavaleiros, até mesmo em momentos simples como beber água ou interagindo entre si.
Isso nos leva a ação, porque três eventos envolvendo essas criaturas e seus cavaleiros foram muito bem feitos. A começar pela tão famigerada Batalha da Goela que envolveu três dragões, duas frotas de navios numa batalha campal incrível.
Seguido da cena magnífica da rainha Rhaenyra Targaryen, encontrado a montadora do Dragão Rouba Ovelha, sua enteada Rhaena, responsável pela morte do príncipe Jacaerys Velaryon, na batalha da Goela.
Esse momento tornou-se memorável pela luta de três contra um, no caso, os dragões, Syrax, Caraxes e Seasmoke contra o Rouba Ovelha, sob a ordem da rainha em vingança pela morte do príncipe.
E por último, a entrada do Daemon e Caraxes na batalha de Tumbleton, com vários momentos memoráveis, além da participação incrível de Ulf e Silverwing traindo seus aliados e queimando tudo, para no fim, a cena corta e mostrar uma perseguição envolvendo as três criaturas.
Apesar dos belos efeitos na maior parte do tempo, aqui tem momentos marcantes nas atuações também, dois atores são destaques nessa história, a rainha Rhaenyra, interpretada pela brilhante Emma D’Arcy, que inclusive, tem as melhores cenas dramáticas.
Uma quando a personagem sabe da morte do filho primogênito Jacaerys Velaryon, e outra quando finalmente senta no Trono de Ferro, seu lugar por direito.
Também tem o Tom Glynn-Carney, intérprete do majestoso Aegon, o rei mais estranho que Westeros já teve. Ele se destaca pela conexão com seu dragão Sunfyre, principalmente após esse reencontro entre criatura e cavaleiro.
Ainda assim, A Casa do Dragão sofre pela expectativa criada a partir de um eterno vem aí. É como se o evento principal fosse adiado a cada nova temporada.
A série tem bons pontos, direção de arte, cenografia, figurino, trilha sonora e efeitos visuais. Por outro lado, os diálogos são fracos, as interações pouco profundas e as consequências de ações são inexistentes.
Com tanto para explorar e um limite imposto pela adaptação, é pouco provável que haverá algo mais grandioso no encerramento dessa história, mesmo ainda restando eventos importantes e batalhas entre dragões e cavaleiros.
A Casa do Dragão encerra mais um ano com um “vem aí”, mas dessa vez, sem tempo para pensar. Todos os peões já foram sacrificados e agora restam apenas as principais peças dessa guerra.
A temporada completa com legenda e dublagem está disponível na HBO, e a próxima temporada chegará em algum momento de 2028, sem data oficial de estreia.
por Daniel Guimarães


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