Uma época em que o espectro autismo era visto como uma doença, e que pessoas remanescentes a isto, não eram normais, para viver em sociedade, fazendo com que o masking se tornasse inevitável, escondendo sua essência e relevância daquilo que te faz diferente em descobrir um mundo diverso e significante, tornando tudo comum, para que nada fuja do contexto insociável. Ainda mais sendo um protagonista autista e homossexual.
O autor paulistano Gui Ribeiro, trouxe essas idiossincrasias para seu novo romance de época, com Levi Proofwell no protagonismo, um jovem autista que vive numa época em que o autismo ou a homossexualidade não eram reconhecidos socialmente. Morador de um internato para jovens bem nascidos, ele nota que seu relacionamento com os outros garotos é diferente, então, acaba encontrando um refúgio através dos livros, que os compreende e entende sobre aquilo que a sociedade não quer enxergar.
A obra As palavras não ditas, apresenta uma narrativa fluída e assertiva, que coloca Levi em uma situação de descoberta, após a chegada de seu novo colega de quarto, Honorius Logan Shortcutt, estudante descrito como provocador e conhecedor dos segredos do internato. A convivência entre eles vai muito além do que os contatos escolares, mas também com emoção, sentimentos e expressões, das quais o protagonista precisa enfrentar os desafios atribuídos ao convívio e descobertas sobre seu colega e as afeições mais substanciais.
Um romance loquaz e envolvente, que capta as similaridades de temas mais relevantes, como pertencimento, comunicação, representatividade, sexualidade, encobrimento e diagnóstico tardio. Sob uma época difusa e distinta, em que a sociedade não se importava com as diferenças, colocando-os em âmbitos quais não podiam assimilar as verdades sobre a própria identidade, fazendo calar, quando o âmago quer gritar.
por Patrícia Visconti

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