Havia um tempo em que homens quando passavam dos 40 anos ficavam mais experientes, enquanto a mulher era considerada “acabada” e “fim de carreira”, sem poder ter novas perspectivas e continuar vivendo sua vida como antes, como se tudo parasse no tempo e sua vida acabasse ali, na sua entrada na meia-idade. A mulher virava uma inútil para a sociedade e todos os projetos não poderiam mais ser visados à ela, tendo apenas espaço as mais novas e sem experiência.
Todavia, os tempos hoje são outros, e uma mulher 40+ tem tantas expectativas quão qualquer pessoa, criando, vivendo e buscando as próprias realizações, sem se importar com o que falam e dizem as mentes pequenas, que insistem viver no passado. Sem contar que atualmente uma mulher com 40 muitas vezes aparenta até menos idade do que uma que acabou de entrar, nos 30 (mas isso é pauta para outro assunto).
Entre inovações e ideias prósperas, um grupo de mulheres de 40+ se reuniu e resolveu expressar a indignação de que suas vidas estavam acabadas em uma antologia autêntica e significativa, que aborda o etarismo (preconceito contra pessoas mais velhas) e a discriminação contra a maturidade feminina. Descrito com bom humor, sátira e ironia, a obra conta com relatos reais vivenciados pelas autoras ou conhecidas delas, transcritos com veemência e singularidade, trazendo a reflexão eminente que a sociedade necessita contra as mulheres maduras.
Organizada pela autora Cris Camargo, a antologia Véia na Veia, o livro conta com artes e textos de Alice Pereira, Anna Martino, Cris Camargo, Márcia Ramos, Rachel Paterman, Roberta Cirne, Thina Curtis, Suzana Rezende, Rachel Paterman e Vivi Munhoz. Com relatos verazes e eloquentes, diante de uma produção independente e ousada. Aonde elas levantaram suas vozes e a liberdade em mostrar as donas das próprias vidas e dos próprios corpos, dando visibilidade ao envelhecimento feminino, que muitas vezes são colocados em segundo plano em parâmetro da idade, e não do seu valor.
Uma obra loquaz que traz a visceralidade do preconceito do envelhecimento da mulher, enquanto os homens são frequentemente associados à maturidade, experiência e charme por seus cabelos brancos e calvície proeminente.
por Patrícia Visconti



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