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Jogos que zerei: a era 8-bits

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Quando chega o final da década de 1980, e os consoles entram na 3ª geração, o termo “zerar” vira o objetivo de toda uma geração.

Comecei a jogar videogames na segunda metade da década de 1980, quando meu pai trouxe um Philips Odyssey — ou Odyssey² — para casa. Mas, como a maioria dos jogos da 2ª geração, haviam pouquíssimos jogos com finais. Continuar lendo Jogos que zerei: a era 8-bits

[Total Flex] ‘Freud e Anna Freud: Uma Leitura Performática’ o espetáculo que humaniza o mito

Caixas caem. Antes empilhadas, agora derrubadas. Causam um eco de desordem; talvez para que o incômodo se faça presente. Como se o cenário dissesse “não viemos falar de perfeição”.

Interação entre o elenco e as cores, luzes, sombras e o cenário minimalista. No detalhe, a atriz Janaína Pelizzon. (FOTO: Vanessa Santos)
Interação entre o elenco e as cores, luzes, sombras e o cenário minimalista. No detalhe, a atriz Janaína Pelizzon. (FOTO: Vanessa Santos)

Janaína Pelizzon, atravessa o palco; passos firmes. Segura a moldura de um quadro que a transforma num autorretrato vivo e de repente ela não é mais ela. Acontece, também, com Lenira Fleck e Liana Timm. Quando seus movimentos, expressões e falas tomam forma, as performances transcendem a aparência, revelando as personagens. Em segundos, somos tragados para o século XX e nos vemos dentro da casa dos Freud.

É desse modo que o espetáculo “Freud e Anna Freud” tem início; com abdução do presente para o passado. No subtítulo “Uma Leitura Performática“, reside a proposta que rouba o público da quietude e o carrega para a intimidade do pai da psicanálise.

Imagens ora coloridas, ora preto e branco, surgem e desaparecem ao fundo do palco (como um álbum de fotografias gigante), molduras, caixas, uma cadeira de balanço, corrente, fumaça, luz, sombras e sons; todos os itens auxiliam na ambientação e provocam os sentidos, seguindo cronologicamente a história desde a vinda de Anna mundo.

Telefonema de Martha (Lianna Timm) à sua mãe (Janaína Pelizzo) sobre as complicações no lar dos Freud. Detalhe para a quadro representado em arte minimalista por Lenira Fleck. (FOTO: Vanessa Santos)
Telefonema de Martha (Liana Timm) à sua mãe (Janaína Pelizzon) sobre as complicações no lar dos Freud. Detalhe para Lenira Fleck no quadro em arte minimalista. (FOTO: Vanessa Santos)

No palco, as atrizes mais poderosas que uma hidra de lerna se multiplicam e transformam-se em várias personagens. Os diálogos que envolvem as personalidades, dão nome ao espetáculo e são intensos, amorosos, elucidativos no sentido do nascimento da própria psicanálise.

Retratando o relacionamento entre a esposa Martha Bernays, a filha Anna Freud, a cunhada Minna Bernays e a governanta Paula Fichtl e os problemas familiares, a peça aborda o lado humano de Freud.

 Tentamos  mostrar como [Freud] era na intimidade e desmistificar a impressão de que ele é inalcançável; na verdade, era uma pessoa, como você e eu., explica Lenira, intérprete de Anna (dentre outras personagens).

As duas apresentações que ocorreram no Teatro Augusta, São Paulo, contaram para uma plateia em sua grande maioria estudantes e conhecedores da figura de Freud a história, narrando o nascimento de sua filha, Anna Freud, as agruras da guerra, o exílio em Londres e, finalmente, as considerações sobre o princípio e a herança da psicanálise.

Freud (Liana Timm) e Anna Freud (Lenira Fleck) em um dos intensos diálogos. (FOTO: Vanessa Santos)
Freud (Liana Timm) e Anna Freud (Lenira Fleck) em um dos intensos diálogos. (FOTO: Vanessa Santos)

É uma narrativa centrada em pai e filha  a única que seguiu a carreira de Freud e preservou o legado  que faz a evocação sobre a condição humana, mas muito plural ao destacar a influência do ambiente familiar e de personalidades do mundo intelectual em situações comuns e peculiares que revelam a pluralidade das relações humanas e as fissuras dentro dos relacionamentos.

Os pontos altos além das interpretações vívidas e conversas intensas  são o uso do cenário como mensagens complementares, os flashbacks em que as citações de Sigmund Freud dialogam com as divagações de sua filha e as sessões de Marylin Monroe.

  Marilyn (ou Norma Jeane) amava as obras de Freud e era apaixonada pela psicanálise. Lenira descreve a participação da atriz e modelo norte-americana e continua: Ela chegou a conhecer Anna, com quem realizou entrevistas preliminares em Londres e tempos depois, suicidara-se“.

A aparição de Marilyn Monroe é um pouco alto e divertido do espetáculo (FOTO: Divulgação | Vilmar Carvalho)
A aparição de Marilyn Monroe é um pouco alto e divertido do espetáculo (FOTO: Divulgação | Vilmar Carvalho)

O texto da peça é da atriz Lenira Fleck, também psicanalista. Acompanhando-a na empreitada a artista multimídia Liana Timm e a premiada atriz gaúcha Janaina Pelizzon.

O espetáculo é o 18º texto do projeto Freud e Os Escritores, criado em 2010 e foi dirigido por Graça Nunes e Carlota Albuquerque, mostra a relação de Sigmund Freud (1856-1939) e sua filha Anna Freud (1895-1982).

Além desta, outras montagens foram feitas pelo grupo que propiciaram encontros de Freud com renomados filósofos e escritores. Como Virginia Woolf, Agatha Christie, Hannah Arendt e Simone de Beauvoir.

O espetáculo se dirige ao Rio de Janeiro e tem pretensão de retornar brevemente à São Paulo, entretanto não há data determinada.

Por: Jefferson Gonçalves

[Cyber Cult – 8 Bits] Videogames – A oitava arte?

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Acredito que a maioria (senão todos) os que estão lendo este texto devem ser da minha época. A boa e velha época onde algumas moedas valiam fichas e mais fichas para incansáveis horas de jogatinas em Fliperamas espalhados pela cidade. Seja no velho centro de São Paulo, perto do Minhocão, ou na saudosa região da Lapa. De qualquer forma, não só vocês viveram esta deliciosa época, como também já ouviram de seus pais algo como:

– “Isso não dá futuro!”
– “Videogame influencia as pessoas.”
– “Isto não serve para nada!”

Convenhamos, estas frases deixavam qualquer criança ou amante de um bom videogame triste, e até irritado. Pudera. Naqueles tempos, os tão famosos videogames invadiram a casa de famílias, alegrando a garotada e alguns adolescentes, mas que não apresentavam qualquer outro valor, além de uma “distração”. Podíamos ter lido um livro, andado no parque, mas preferimos adicionar este hobby em nossa lista de afazeres.

Cortando fora a nostalgia e voltando aos agitados dias atuais, vemos que uma das coisas em que com certeza evoluiu nestes últimos tempos, e não só o telefone móvel, o computador, e a informação, vemos que os tão famosos videogames evoluíram de forma rápida, impactante, e para os mais extremos, chocantes. Quer dizer, não só podemos jogar, agora temos em nossas mãos, controles em formas de Tablets, acesso à internet, integração com redes sociais, vídeos, música, mas jamais deixe de esquecer o jogo que podemos nos entreter. Sim, isso é o mais importante, e é isso que mais evoluiu.

Não só o console, com seu design mais simples e suave, mas os jogos aos quais temos extrema familiaridade. Antigamente, eram simples, com comandos e missões simples, que exigiam algum uso de estratégia e pensamento rápido do jogador na hora da tomar a decisão certa, mas temos agora um conjunto completo! Em minha opinião, penso que um jogo, é como um livro: você possui a história, entra nela junto com protagonista (além de vivenciar os fatos como se fosse ele), podemos notar um enredo muito mais elaborado do que antes, com uma história linear incrível, incluindo excelentes músicas, texturas dos cenários de cair o queixo, e o mais importante: a jogabilidade.

Esta sim, é a parte mais importante, pois é esta a diferença que um gamer sentiu durante todos estes anos, sendo o que mais vale a pena em um jogo adquirido pelo mesmo.

Hoje em dia, podemos jogar algo que lide com fatos reais, sendo eventos históricos, ou até algo próximo do nosso cotidiano. E quanto mais algo for próximo de nossa realidade, mais temos a tendência de descobrir algo sobre ele, tendo um desejo de curiosidade sobre isto. Mas claro que não desconsidero os famosos games de fantasias ou de pura ficção, sendo estes mais aclamados e admirados por todos.

Videogame, jogo, game, já são palavras que estão em nossos dicionários pessoais, pelo andar da carruagem, serão coisas que evoluirão cada vez mais.

Por: Daniel Bárris