Já que esta é a primeira semana oficial em nossa embarcação, então nada melhor do que relembrar daquelas tecnologias que nos deixaram em 2016, mesmo que umas mal saíram do projeto, porém não emplacaram nem em sua forma beta ao gosto do público. Afinal, não foi só na arte que o mundo perdeu grandes nomes, na tecnologia, havia muita ideia boa, que acabou caindo em desuso dos usuários e extintos de seus programas e smartphones.
Começou nesta terça-feira (26) e vai até domingo (31), no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, a nona edição do evento tecnológico mais aguardado do país, a Campus Party Brasil. Neste ano o evento traz o tema “Feel the Future” (Sinta o Futuro), e irá trazer ao público os grandes desafios e mudanças que a sociedade viverá daqui alguns anos.
Serão seis dias de CPBr, onde pretendem receber cerca de 120 mil visitantes, além dos oito mil campuseiros, que estarão 24 horas ligados nas 700 horas de conteúdos e atividades exclusivas à eles em uma conexão de 40 GBps para compartilhar e conectar suas idealizações com pesquisadores, comunicadores, técnicos da informação e do conhecimento, prosperando e criando algo novo e útil à comunidade. Além do mais, o público poderá bater um papo com grandes nomes, como Eugene (Che) Chereshnev, Grant Imahara, Marie Cosnard, Thaisa Storchi Bergamann, Neil Harbisson, Dado Scheneider, entre outros nomes do empreendedorismo, inovação, criatividade, entretenimento e ciência, com palestras instrutivas e colaborativas a todos os presentes.
Os campuseiros, que muitos chegaram ontem a noite em frente ao local, estão com uma expectativa alta com essa edição da CPBr, em prol em buscar muita informação e conhecimento, afinal essa é a maior feira de tecnologia do país e onde encontra-se pessoas engajadas em busca de referência e parceiragem para futuros projetos.
Como o estudante de filosofia de Vitória (ES), Vinicius Mendonça, 28, que pretende se dedicar para captar informação de ponta e atualizada em diversos segmentos. Como ressaltou o estudante falando sobre o dinamismo cultural na rede digital já que “a atualização da conjuntura geopolítica, como a cibercultura e afins vem influenciando o mundo e tensionando a mudança da dinâmica e sistema político internacional em suas nações especificas. Tenho uma expectativa bastante otimista.”.
Já o desenvolvedor de sistema, e São Manoel, interior de São Paulo, Filipe Ricardo, 28, que já está em sua quarta Campus Party, diz que apesar do cronograma estar segmentado e interessante, ainda há uma ausência em alguns palestrantes estrangeiros, talvez segundo o próprio Filipe a causa disso pode remeter a crise que o país vive atualmente e a atual alta excessiva do dólar, além de haver poucos estandes presentes no evento, em relação as feiras anteriores.
Mas, em geral o evento continua propagando e compartilhando a informação e o conhecimento para quem visa a pesquisa e a tecnologia, procurando o debate e a criação de novas ideias para campuseiros, visitantes, palestrantes e a sociedade em geral.
E por falar em visitantes, nesta quarta-feira (27) até o próximo sábado (30), a ‘Campus Experience’ será aberta para o público em geral, com apresentações de projetos estudantis, 200 start ups, palestras sobre empreendedorismo e diversas atividades interativas para todos que passarem pela feira.
SERVIÇO
Campus Party Brasil 2016 – #CPBR9
Datas:
26 a 31/ Janeiro/ 2016 (campuseiros e inscritos)
27 a 30/ Janeiro/ 2016 (visitantes)
Horário para visitantes: 10h às 21h
Local: Pavilhão de Exposição Anhembi
End: Av. Olavo Fontoura, 1209 – Santana/ SP.
Entrada para visitante: GRÁTIS
Nos tempos atuais, em que o mercado cultural está cada vez mais restrito, pois visa ao lucro certo e imediato, artistas buscam o próprio público para viabilizar seus projetos, como CDs, DVDs, shows. E o crowdfounding (financiamento coletivo) se firma como um mecanismo de concretizar os trabalhos com alguma segurança.
Surgido por volta de 2010 no Brasil, hoje já existem mais de 30 plataformas de financiamento coletivo de projetos, e as iniciativas ultrapassaram a seara musical e há financiamentos nas áreas ambiental, social, acadêmica, para ajuda a animais, a instituições de caridade, de fomento a pequenas empresas (inclusive produção de cervejas artesanais) etc.
“Para os artistas independentes que não têm gravadora nem empresário para patrocinar seus projetos, e também têm dificuldade de conseguir patrocínio de empresas para seus projetos aprovados em leis de incentivo, o financiamento coletivo é uma alternativa um tanto interessante, pois quem escolhe se o projeto será finalizado é o público, são as pessoas físicas, que também podem sentir que fazem parte do processo todo. O público que gosta do artista, que realmente consome seu produto, vai aos shows, divulga o trabalho do artista no boca a boca”, diz a cantora e compositora Juliana Lima, que buscou a plataforma Catarse para finalizar a produção de seu primeiro DVD, “Aquariana” (para apoiar a produção do DVD, acesse catarse.me/julianalima).
Veja o anúncio da campanha de Juliana:
Gustavo Rosseb, do trio Capela, também ressalta a importância desse meio de levar adiante produções artísticas a partir da colaboração dos próprios fãs: “A maior importância é que se trata do poder na mão do povo. Ao invés de esperar por aprovação em algum edital ou coisa do tipo, você pode ter seu projeto custeado por seus amigos, parentes e familiares. É mais fácil de fazer as coisas acontecerem”. O Capela obteve recursos para a gravação de seu segundo CD, “Sangue Novo”, também pelo Catarse. Além do CD, Gustavo – que também é escritor – está recorrendo a essa plataforma para produzir seu audiolivro.
“Hoje o financiamento coletivo tem ganhado muito espaço entre as pessoas que pretendem realizar algum projeto. Depender de editais e coisas assim faz com que você fique à mercê de alguém que está lá do outro lado, recebendo seu projeto para avaliá-lo. Um alguém que você não conhece. Que não tem (e não precisa ter) amor e respeito pelo seu trabalho. Você fica na dependência desse desconhecido para que seu projeto seja aprovado e em um tempo indeterminado. E quantos são os casos em que se escuta que o projeto não saiu?”, acrescenta Gustavo.
“O crowdfunding é o mecanismo ideal para viabilizar projetos com valores mais modestos ou que estão prestes a serem finalizados e é pelo apoio de pessoas físicas, pois contam com o envolvimento dos amigos, dos parentes e do público mais próximo inicialmente. Diferente de uma lei de incentivo como a a Lei Rouanet ou o Proac, que geralmente envolve valores bem maiores e contam com isenção fiscal de empresas e verba pública”, detalha Juliana.
Mas nem só artistas independentes ou fora da grande mídia tem recorrido ao crowdfunding. A plataforma Queremos!, por exemplo, proporciona que os fãs de determinado artista ou banda banquem a apresentação de seus ídolos. A plataforma foi criada em 2010 e já viabilizou a realização de mais de 80 apresentações de bandas internacionais – como Vampire Weekend, Tame Impala e Franz Ferdinand – e brasileiras, casos de Clarice Falcão e Paralamas do Sucesso.
Fundado em 2011, o Catarse é voltado a projetos nas mais diversas áreas, como arquitetura e urbanismo, esportes, teatro, educação, games, além da musical. Segundo o site da plataforma, já foram finalizados quase 3.100 projetos desde então, mais da metade deles em iniciativas voltadas às artes – música, literatura, cinema e teatro.
“O Catarse é a primeira plataforma de financiamento coletivo criada no Brasil, tem muitos projetos bem-sucedidos que passaram por lá, e por isso eles trabalham com seriedade. Na hora de fazer um projeto que tem um envolvimento tão grande de pessoas, é preciso fazer parcerias com quem tem credibilidade”, destaca Juliana, no qual é seguida por Gustavo: “O Catarse é uma plataforma famosa aqui no Brasil. Não só famosa, mas conceituada. Passa segurança para quem apoia e todo o respaldo possível pra quem tem um projeto por lá.”
Essa possibilidade de o próprio “consumidor” financiar o que gosta é uma das principais características desse meio que pode ser considerado o mecenato da atualidade. “Há muito tempo os valores e os papéis se inverteram. O financiamento coletivo é um modo, mesmo que singelo, de fazer as coisas retomarem seu devido lugar. Quem tem o poder de decisão é o público que escolhe o que quer ver e ouvir e não a indústria cultural”, ressalta Juliana.
E ainda observa outro ponto fundamental: “E rola um lance de economia criativa bem interessante. Sabemos que viver de arte no Brasil é outra arte! Eu já perdi a conta de quantas vezes ganhei dinheiro com a música e reinvesti tudo na música novamente, em equipamentos, em instrumentos, em gravações, em produções. Chega uma hora que você não sai do lugar e começa a morrer na praia. Por isso, buscar meios alternativos de financiar os projetos culturais é um modo de prosseguir com esse sonho, que é respirar a arte e espalhá-la por todos os cantos que eu passar”.
As plataformas costumam cobrar um percentual da arrecadação a título de remuneração pela intermediação do serviço, mas há outras que não cobram. Em geral, há uma meta de valor a ser alcançado em determinado período. Se não for alcançado, os que apoiaram têm o dinheiro de volta – é a modalidade “tudo ou nada”. A maioria das plataformas exige que os artistas retribuam a colaboração com alguma recompensa, que vai de um CD autografado a ingressos VIP para os shows viabilizados.
Veja algumas plataformas para financiamento coletivo:
Catarse – para os mais variados projetos; cobra comissão de 13% se o projeto se realizar.
Kickante – para iniciativas de causas sociais e de empreendedorismo; cobra 15% para projetos que não alcancem a meta e 12% dos bem-sucedidos.
Benfeitoria – para iniciativas variadas, inclusive inclusão social e saúde; não cobra comissão, financia-se por meio de doações.
Juntos com Vc – para ações sociais tocadas por pessoas físicas e ONGs; não há comissão, mas cobra taxa de administração para acolher as doações.
Bicharia – para arrecadar fundos de projetos que atendam à causa dos animais; cobra 10% do arrecadado mais taxa de administração.
Queremos! – para o público financiar shows de suas bandas preferidas e para artistas e produtores em busca de apoio aos projetos; cobra 15% sobre os ingressos vendidos.
Impulso – foco em microempreendedores de baixa renda; há seleção prévia dos projetos; cobra 12% do arrecadado em projetos bem-sucedidos.
Social Beers – para financiar produção de cervejas artesanais; taxa de administração varia conforme a complexidade do projeto.
Bookstart – financia publicação de livros inéditos por meio do mecanismo de pré-venda da obra; atende a autores e editoras; cobra taxa de administração em caso de sucesso da campanha, variável conforme os custos envolvidos.
Variável 5 – financia projetos culturais; é ainda uma agência de comunicação e produtora cultural; cobra comissão de 11% se o projeto for bem-sucedido.
Viabilizza – para apoio ao esporte e gestão de projetos esportivos; aceita também financiamento de livros ou filme sobre times, modalidades esportivas e atletas; cobra 15% do arrecadado.
Vakinha – para doar dinheiro para os mais variados fins: de compra de óculos a ajuda a quem perdeu tudo em um assalto; desconta as taxas cobradas pelos meios de pagamento: 6,4% do valor da doação por cartão de crédito; 2,99% por boleto; R$ 0,50 por transação e R$ 5,00 pelo saque.
Vasco Dívida Zero – específico para o time carioca honrar suas dívidas junto à Fazenda Nacional.
Eu Patrocino – para empreendedorismo; cobra 12% sobre o valor bruto arrecadado.
Foto: Arquivo Pessoal: Maria Joaquina (Larissa Manuel) e Fabio Di Martino ( Dr. Miguel) nos intervalos das gravações
“Outro dia estava passeando no Parque Vila Lobos e uma criança me perguntou: “Você que é o Pai da Maria Joaquina”?”. Eu disse: “ Não, sou pai do Luca e da Catarina” (seus filhos). A criança ficou triste e então eu falei: “É brincadeira!”. Na verdade a criança não consegue fazer essa diferença”.
Em um papo descontraído tomando um café, o Ator Fabio Di Martino que interpretou o Dr. Miguel na novela Carrossel, esbanjou simpatia falando da sua carreira, dos seus projetos futuros e, sobretudo do preconceito que a personagem Maria Joaquina, interpretada por Larissa Manuela, tinha na trama.
De Campinas para São Paulo, depois de ter que optar entre a Faculdade de administração e o teatro, claro, ele preferiu o teatro. Fabio di Martino iniciou sua carreira na televisão no programa Sandy e Junior. Participou de vários comerciais e programas de TV. Ganhou prêmio de melhor Ator no curta-metragem nacional com “Milímetros”, Festival Paulina de Cinema em 2009. Mas o sucesso veio mesmo foi na pele do Dr. Miguel.
Ainda hoje o assédio dos fãs mirins é muito grande. Segundo ele isso acontece na maioria das vezes que vai levar seu filho ao colégio, no restaurante ou no aeroporto. Muitas vezes esse assédio não vem das crianças e sim dos adultos: “É a mãe que cutuca o filho e o aponta dizendo que é ele o pai da Maria Joaquina e isso é muito bacana”, diz ele.
Preconceito
Foto – Arquivo Pessoal: Jean Paulo Campos (Cirilo) Fabio Di Martino (Dr. Miguel ) nos bastidores esperando para gravar
Segundo o Ator, na versão da novela Carrossel mexicana o preconceito era escancarado: por várias vezes o personagem Cirilo (Jean Paulo Campos) foi chamado de “preto” sem pudor. Na adaptação de Iris Abravanel (autora da novela) esse tema é abordado de forma leve considerando o público-alvo (crianças). “É legal a novela falar do preconceito, do negro, por exemplo, mas de uma forma gostosa de ouvir e não como um coitadinho, isso tem que ser explicado: olha, ele é negro e você é branco e podem ser amigos porque não! Chama-o para jogar bola, seja amigo dele, na hora de fazer um grupo na escola convida, ele para fazer parte do seu grupo”.
Fabio fala de algumas novelas que abordam o preconceito através de vários assuntos, mas é direcionado para gente grande, que sabem o que estão falando. Já na novela Carrossel o preconceito era falado para criança na forma que a criança iria entender e aplicar. “Tanto que o Personagem Jaime (Nicholas Torres) gostava de comer e assim ficar gordinho e tal, um dia meu personagem o Dr. Miguel falou pra ele, o que deveria comer, o que faria mal, mas tudo isso de uma forma que ele iria entender, delicado, e não de forma escrachada, acho que isso na televisão falta.”
Depois que acabou o contrato com a emissora Fabio di Martino cheio de projetos segue a carreira atuando no que mais gosta, na publicidade e diz: “Vem novidade por ai!”, brinca.
Alguns de seus trabalhos:
• Sandy e Junior- 1998
• Acampamento legal- 2000
• Ou não – seriado CNT-
• Titi-Titi- Globo -2010
• Uma Rosa com Amor
• Milímetros – Curta- melhor ator-209
• Passione – Globo- 2010
• Carrossel – SBT – 2013