Cantinho Literário: Especial Jornaliterário

Para dar um diferencial dos diversos sites e blogs, sobre literatura e não cair na mesmice de dicas e resenhas de livros, como nós d’O Barquinho nos propusemos um especial sobre alguns escritores-jornalistas. Então não há nada mais proveitoso em homenagear esses escritores que também de alma jornalista.
Afinal, o dom e arte de escrever, vem de pessoas de mente aberta, coração puro e uma cabeça cheia de ideias.
Esperamos que curta está dica, e que a paixão pela literatura se aflore a cada dia, e o hábito pela leitura seja algo primordial nas vidas de todos.
Pois uma leitura bem aproveitada pode te levar a mundos mágicos e de extrema importância em suas vidas..

Bom divertimento na primeira semana do especial Jornaliterário, que vamos começar com o grande escrito Nelson Rodrigues, que nasceu em Pernambuco, mas cresceu e viveu toda a sua vida na cidade maravilhosa Rio de Janeiro, que foi lá que começou sua carreira jornalística, no jornal de seu pai, A Manhã, foi repórter policial durante longos anos, de onde acumulou uma vasta experiência para escrever suas peças a respeito da sociedade. 
Curtam um pouco da história e a vida jornaliterária de Nelson Rodrigues…
so enjoy in the literary!!!

“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico(desde menino)”. — Nelson Rodrigues

Nascido na capital de Pernambuco e quinto de quatorze irmãos, Nelson Rodrigues mudou-se para o Rio de Janeiro ainda criança, onde viveria por toda sua vida. Seu pai, o ex-deputado federal e jornalista Mário Rodrigues, perseguido politicamente, resolveu estabelecer-se na então capital federal em julho de 1916, empregando-se no jornal Correio da Manhã, de propriedade de Edmundo Bittencourt.
Segundo o próprio Nelson em suas Memórias, seu grande laboratório e inspiração foi a infância vivida na Zona Norte da cidade. Dos anos passados numa casa simples na rua Alegre, 135 (atual rua Almirante João Cândido Brasil), no bairro de Aldeia Campista, saíram para suas crônicas e peças teatrais as situações provocadas pela moral vigente na classe média dos primeiros anos do século XX e suas tensões morais e materiais.
Sua infância foi marcada por este clima e pela personalidade do garoto Nelson. Retraído, era um leitor compulsivo de livros românticos do século XIX. Nesta época ocorreu também para Nelson a descoberta do futebol, uma paixão que conservaria por toda a vida e que lhe marcaria o estilo literário.
Na década de 1920, Mário Rodrigues fundou o jornal A Manhã, após romper com Edmundo Bittencourt. Seria no jornal do pai que Nélson começaria sua carreira jornalística, na seção de polícia, com apenas treze anos de idade. Os relatos de crimes passionais e pactos de morte entre casais apaixonados incendiavam a imaginação do adolescente romântico, que utilizaria muitas das histórias reais que cobria em suas crônicas futuras. Neste período a família Rodrigues conseguiria atingir uma situação financeira confortável, mudando-se para o bairro de Copacabana, então um arrabalde luxuoso da orla carioca.
Apesar da bonança, Mário Rodrigues perderia o controle acionário de A Manhã para o sócio. Mas, em 1928, com o providencial auxílio financeiro do vice-presidente Fernando de Melo Viana, Mário fundou o diário Crítica.
Como cronista esportivo, Nelson escreveu textos antológicos sobre o Fluminense Football Club, clube para o qual torcia fervorosamente. A maioria dos textos eram publicados no Jornal dos Sports. Junto com seu irmão, o jornalista Mário Filho, Nelson foi fundamental para que os Fla-Flu tivessem conquistado o prestígio que conquistaram e se tornassem grandes clássicos do futebol brasileiro. Nelson Rodrigues criou e evocava personagens fictícios como Gravatinha e Sobrenatural de Almeida para elaborar textos a respeito dos acontecimentos esportivos relacionados ao clube do coração. 
Nelson seguiu os seus irmãos Mílton, Mário Filho e Roberto integrando a redação do novo jornal. Ali continuou a escrever na página de polícia, enquanto Mário Filho cuidava dos esportes e Roberto, um talentoso desenhista, fazia as ilustrações. Crítica era um sucesso de vendas, misturando uma cobertura política apaixonada com o relato sensacionalista de crimes. Mas o jornal existiria por pouco tempo. Em 26 de dezembro de 1929, a primeira página de Crítica trouxe o relato da separação do casal Sylvia Serafim e João Thibau Jr. Ilustrada por Roberto e assinada pelo repórter Orestes Barbosa, a matéria provocou uma tragédia. Sylvia, a esposa que se desquitara do marido e cujo nome fora exposto na reportagem invadiu a redação de Crítica e atirou em Roberto com uma arma comprada naquele dia. Nelson testemunhou o crime e a agonia do irmão, que morreu dias depois.
Mário Rodrigues, deprimido com a perda do filho, faleceu poucos meses depois. Sylvia, apoiada pelas sufragistas e por boa parte da imprensa concorrente de Crítica, foi absolvida do crime. Finalmente, durante a Revolução de 30, a gráfica e a redação de Crítica são empastelados e o jornal deixa de existir. Sem seu chefe e sem fonte de sustento, a família Rodrigues mergulha em decadência financeira.
Foram anos de fome e dificuldades para todos. Pouco afinados com o novo regime, os Rodrigues demorariam anos para se recuperarem dos prejuízos causados pela tuberculose.
Ajudado por Mário Filho, amigo de Roberto Marinho, Nélson passa a trabalhar no jornal O Globo, sem salário. Apenas em 1932 é que Nélson seria efetivado como repórter no jornal. Pouco tempo depois, Nelson descobriu-se tuberculoso. Para tratar-se, retira-se do Rio de Janeiro e passa longas temporadas em um sanatório na cidade de Campos do Jordão. Seu tratamento é custeado por Marinho, que conquistou a gratidão de Nélson pelo resto de sua vida. Recuperado, Nelson volta ao Rio e assume a seção cultural de O Globo, fazendo a crítica de ópera.
No O Globo, foi editor do suplemento O Globo Juvenil, além de editar Nelson roteirizou algumas história em quadrinhos para o suplemento, dentre elas uma versão de O fantasma de Canterville de Oscar Wilde.
Em 1940 casou-se com Elza Bretanha, sua colega de redação.
A partir da década de 1940, Nelson divide-se entre o emprego em O Globo e a elaboração de peças teatrais. Em 1941 escreve A mulher sem pecado, que estreou sem sucesso. Pouco tempo depois assina a revolucionária Vestido de noiva, peça dirigida por Zbigniew Ziembinski e que estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro com estrondoso sucesso.
O teatrólogo Nelson Rodrigues seria o criador de uma sintaxe toda particular e inédita nos palcos brasileiros. Suas personagens trouxeram para a ribalta expressões tipicamente cariocas e gírias da época, como “batata!” e “você é cacete, mesmo!”. Vestido de noiva é considerada até hoje como o marco inicial do moderno teatro brasileiro.
Em 1945 abandona O Globo e passa a trabalhar nos Diários Associados. Em O Jornal, um dos veículos de propriedade de Assis Chateaubriand, começa a escrever seu primeiro folhetim, Meu destino é pecar, assinado pelo pseudônimo “Susana Flag”. O sucesso do folhetim alavancou as vendas de O Jornal e estimulou Nelson a escrever sua terceira peça, Álbum de família.
Em fevereiro de 1946, o texto da peça foi submetido à Censura Federal e proibido. Álbum de família só seria liberada em 1965. Em abril de 1948 estreou Anjo negro, peça que possibilitou a Nelson adquirir uma casa no bairro do Andaraí e em 1949 Nelson lançou Doroteia.
Em 1950 passa a trabalhar no jornal de Samuel Wainer, a Última Hora. No jornal, Nélson começa a escrever as crônicas de A vida como ela é, seu maior sucesso jornalístico. Na década seguinte, Nelson passa a trabalhar na recém-fundada TV Globo, participando da bancada da Grande Resenha Esportiva Facit, a primeira “mesa-redonda” sobre futebol da televisão brasileira e, em 1967, passa a publicar suas Memórias no mesmo jornal Correio da Manhã onde seu pai trabalhou cinquenta anos antes.

Nos anos 70, consagrado como jornalista e teatrólogo, a saúde de Nélson começa a decair, por causa de problemas gastroenteorológicos e cardíacos de que era portador. O período coincide com os anos da ditadura militar, que Nelson sempre apoiou. Entretanto, seu filho Nelson Rodrigues Filho torna-se guerrilheiro e passa para a clandestinidade. Neste período também aconteceu o fim de seu casamento com Elza e o início do relacionamento com Lúcia Cruz Lima, com quem teria uma filha, Daniela, nascida com problemas mentais. Depois do término do relacionamento com Lúcia, Nelson ainda manteria um rápido casamento com sua secretária Helena Maria, antes de reatar seu casamento com Elza. 

Nelson faleceu numa manhã de domingo, em 1980, aos 68 anos de idade, de complicações cardíacas e respiratórias. Foi enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo. No fim da tarde daquele mesmo dia ele faria treze pontos na Loteria Esportiva, num “bolão” com seu irmão Augusto e alguns amigos de “O Globo”. Dois meses depois, Elza atendia ao pedido do marido — de, ainda em vida, gravar o seu nome ao lado do dele na lápide de seu túmulo, sob a inscrição: “Unidos para além da vida e da morte. E é só”.


Estreias das peças (todas no Rio de Janeiro)
A mulher sem pecado – 1941 – Direção: Rodolfo Mayer
Vestido de noiva – 1943 – Direção: Zbigniew Ziembinski
Álbum de família – 1946 – Direção: Kleber Santos
Anjo negro – 1947 – Direção: Zbigniew Ziembinski
Senhora dos Afogados – 1947 – Direção: Bibi Ferreira
Doroteia – 1949 – Direção: Zbigniew Ziembinski
Valsa nº 6 – 1951 – Direção: Milton Rodrigues
A falecida – 1953 – Direção: José Maria Monteiro
Perdoa-me por me traíres – 1957 – Direção: Léo Júsi
Viúva, porém honesta – 1957 – Direção: Willy Keller
Os sete gatinhos – 1958 – Direção: Willy Keller
Boca de ouro – 1959 – Direção: José Renato
O beijo no asfalto – 1960 – Direção: Fernando Torres
Bonitinha, mas ordinária – 1962 – Direção Martim Gonçalves
Toda nudez será castigada – 1965 – Direção: Zbigniew Ziembinski
Anti-Nélson Rodrigues – 1974 – Direção: Paulo César Pereio
A serpente – 1978 – Direção: Marcos Flaksman

Romances

Meu destino é pecar – 1944
Escravas do amor – 1944
Minha vida – 1944
Núpcias de fogo – 1948
A mulher que amou demais – 1949
O homem proibido – 1959
A mentira – 1953
Asfalto selvagem – 1959 (também conhecido como Engraçadinha)
O casamento – 1966
[editar]Contos
Cem contos escolhidos – A vida como ela é… – 1972
Elas gostam de apanhar – 1974
A vida como ela é — O homem fiel e outros contos – 1992
A dama do lotação e outros contos e crônicas – 1992
A coroa de orquídeas – 1992

Crônicas

Memórias de Nélson Rodrigues – 1967
O óbvio ululante: primeiras confissões – 1968
A cabra vadia – 1970
O reacionário: memórias e confissões – 1977
Fla-Flu…e as multidões despertaram – 1987
O remador de Ben-Hur – 1992
A cabra vadia – Novas confissões – 1992
A pátria sem chuteiras – Novas Crônicas de Futebol – 1992
A menina sem estrela – memórias – 1992
À sombra das chuteiras imortais – Crônicas de Futebol – 1992
A mulher do próximo – 1992
Nélson Rodrigues, o Profeta Tricolor – 2002
O Berro impresso nas Manchetes – 2007
O quadrúpede de vinte e oito patas
Telenovelas
Baseadas na obra de Nélson Rodrigues
A morta sem espelho – TV Rio – 1963
Sonho de amor – TV Rio – 1964
O desconhecido – TV Rio – 1964
O homem proibido – TV Globo – 1982
Meu Destino É Pecar – TV Globo – 1984
Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados – TV Globo – 1995
A Vida Como Ela É – TV Globo – 1996

Filmes
Baseados na obra de Nélson Rodrigues
Somos dois – 1950 – Direção: Milton Rodrigues
Meu destino é pecar – 1952 – Direção: Manuel Pelufo
Mulheres e milhões – 1961 – Direção: Jorge Ileli
Boca de ouro – 1963 – Direção: Nelson Pereira dos Santos
Meu nome é Pelé – 1963 – Direção: Carlos Hugo Christensen
Bonitinha mas ordinária – 1963 – Direção: J.P. de Carvalho
Asfalto selvagem – 1964 – Direção: J.B. Tanko
A falecida – 1965 – Direção: Leon Hirzman
O beijo – 1966 – Direção: Flávio Tambellini
Engraçadinha depois dos trinta – 1966 – Direção: J.B. Tanko
Toda nudez será castigada – 1973 – Direção: Arnaldo Jabor
O casamento – 1975 – Direção: Arnaldo Jabor
A dama do lotação – 1978 – Direção: Neville d’Almeida
Os sete gatinhos – 1980 – Direção: Neville d’Almeida
O beijo no asfalto – 1980 – Direção: Bruno Barreto
Bonitinha mas Ordinária ou Otto Lara Rezende – 1981 – Direção: Braz Chediak
Álbum de família – 1981 – Direção: Braz Chediak
Engraçadinha – 1981 – Direção: Haroldo Marinho Barbosa
Perdoa-me por me traíres – 1983 – Direção: Braz Chediak
Boca de ouro – 1990 – Direção: Walter Avancini
Traição – 1998 – Direcão: Arthur Fontes, Cláudio Torres e José Henrique Fonseca
Gêmeas – 1999 – Direção: Andrucha Waddington
Vestido de noiva – 2006 – Direção de Joffre Rodrigues
Bonitinha mas Ordinária ou Otto Lara Rezende – 2009

Feliz Ano Novo pessoal!
(porque o ano só funciona depois do Carnaval aqui no Brasil.. hehe)
texto e captura das obras por: @pii_littrell

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