Missão Exoplaneta visa difundir os estudos do universo entre cientistas e curiosos

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No Brasil pouco se comenta e se fomenta falar sobre astros e ciências, muitos por achar que não faz parte do seu cotidiano e também por não entender, mas isso é bem comum, já que nas escolas, são pouquíssimos professores que incentivam e propagam a iniciação científica, que deveria começar bem antes do Ensino Médio, mas quando os alunos chegam no nível secundário, só pensam em sair da escola, buscando apenas profissões que darão lucros em suas vidas, e nenhuma delas a ciência está integrada, já que construir uma formação científica há de ter tempo e embasamento, então, muitos optam profissões por status.

Porém, duas garotas, irmãs desenvolveram um projeto para que o público, principalmente os leigos possam conhecer e entender um pouco mais os conteúdos sobre astrofísica, para fins de informação e conhecimento.

52013913-2273741099314928-3305943959611637760-nJulia Brazolim estava prestes a se formar de seu curso Técnico em Informática, no ano de 2015, quando precisou desenvolver um software para seu TCC, e foi nesta mesma época que ela percebeu que muitas pessoas desvalorizavam a ciência no país, enfatizando a astronomia. Então, ela uniu suas duas paixões pelo universo, e desenvolveu um software educativo, que na época estava mais para um jogo. Alguns anos se passaram, então Julia resolveu fazer algumas adaptações; no entanto, ela começou do zero e desenvolveu um aplicativo que explica termos e conceitos sobre o universo, mas com uma linguagem mais popular e simplificada, criando o “Missão Exoplaneta”.

O App na verdade é só uma parte de toda uma plataforma de divulgação que está sendo aprimorada, mas conta com um blog, podcast e redes sociais para a divulgação de notícias e projetos“, completa a jovem cientista Julia.

O público deste projeto é difundir a informação, mesmo que no país há diversos canais para divulgar as novidades na área, mas o público ainda é muito seleto, ou são apenas cientistas e astrofísicos, ou curiosos, mas esses não entendem alguns termos mais específicos ou como funciona, tampouco os benefícios que causará a humanidade, para compartilhar precisamente o fato, e isso causa um distanciamento entre a ciência e a população. Ainda, há a manipulação e falsas notícias que monetizam, piorando e retrocedendo a evolução científica. Então, Julia e Giovana, farão essa quebra de paradigmas, com sua tal missão.

De que adianta só o nicho entender do que se trata uma descoberta que irá beneficiar à todos? Meu foco é entregar de uma forma rápida e fácil, notícias e conceitos sobre astronomia para todas as pessoas que estão diariamente na internet expostas a qualquer informação, mas que são curiosas e amam o conhecimento. Todas as informações que disponibilizo, são pesquisadas e estudadas por mim, mas prezo muito em deixar as fontes oficiais e bibliografia online, para a checagem de todas as informações“, explica Julia.

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E para chegar no público final, as garotas estão estudando e testando diversos caminhos para que a informação chegue precisa e direta, sem entre-linhas e conhecimentos falhos, mesmo que aqui no Brasil algumas informações parecem chegar truncadas, bloqueando todo o conhecimento pleno da ciências na população.

Acho incrível como a NASA faz a divulgação da astronomia e astronáutica pelas redes sociais deles e como o público leigo fica curioso e procura conhecer mais e mais. E Aqui no Brasil é semelhante, mas parece que temos uma parede que bloqueia o conhecimento científico. Adoro o modo como o público no Twitter e de ouvintes de podcast, consomem informações e é por isso que vamos começar um teste com eles“, comenta Julia. Enquanto Giovana completa dizendo; “as pessoas são mais exigentes e geralmente, checam algumas informações antes de repassá-las para outros e procuram identificação, sabe? Querem conforto e qualidade no que leem, assistem ou escutam. Não querem compartilhar qualquer coisa com seus seguidores. Isso é bem importante para o projeto. Começar a construir um público base entre esses dois grupos beta e aos poucos, expandindo e se adaptando não só para redes populares como o Facebook (a luta está contra o algorítimo), mas sair do digital e ir pro real. Que a informação possa chegar nas mãos de qualquer pessoa no país“.

Afinal, além de informações sobre astrofísica, as meninas Brazolim buscam conectar e interagir seu público perante com as informações que forem aparecendo sobre o tema, então muitas são publicadas no blog do projeto, que está disponível e preza pela interação e compartilhamento, enquanto o App – por enquanto – fica apenas direcionado para consultas de termos e significados, porém elas já estão trabalhando para o aprimoramento deste e futuramente deve adaptá-lo para que seja mais imersivo e interativo aos usuários e também, para deficientes visuais e auditivos, que atualmente funciona offline, mas que a versão beta deve ser disponibilizada a partir do fim de março de 2019, aonde as pessoas poderão baixar conteúdos e realizar pesquisas sobre o tema. Além do mais, há o Twitter e o podcast do projeto, que está a todo vapor, com novidades constantes sobre astrofísica, ciência e o universo.

Para financiar o projeto, as garotas buscaram o financiamento coletivo da plataforma Ko-fi. Porém, a partir de março, elas começaram com o serviço de assinatura, em que o usuário paga mensalmente e em troca recebe suas recompensas, online ou físico, dependendo do valor escolhido, porém o conteúdo continuará disponível livremente para qualquer pessoas que acessar os meios da Missão Exoplaneta.

Todavia, essas recompensas não são apenas financeiras, já que trata-se de uma plataforma científica, será disponibilizado “maneiras de investimento no projeto, ou seja, não só financeiro, mas de produção de conteúdo e apoio. Grupos, organizações, instituições, empresas/startups e projetos ligados a astronomia, astrofísica e astronáutica, são bem vindos para criar parcerias ou apoiar a Missão Exoplaneta. Além de professores, pesquisadores, estudantes, cientistas, mídias, influencers e projetos que queiram fazer collabs para serem entrevistadas(os) em nosso blog ou podcast“, conclui Giovana, explicando sobre o desenvolvimento prático do App entre os usuários.

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As meninas estiveram apresentando esse projeto pela primeira vez, durante a Campus Party Brasil, que aconteceu no Expo Center Norte, entre os dias 12 a 17 de fevereiro. E para elas “foi uma grande surpresa ter a plataforma Missão Exoplaneta entre os projetos selecionados na categoria Makers Early para expor na área Open Campus do evento. Além disso, nossas credenciais permitiam o acesso a todos os dias então vamos resumir aqui, tudo o vimos e participamos na Campus Party“, exalta Giovana no blog do projeto.

Enquanto Julia disse que nunca imaginou que a primeira vez que ela fosse ao maior evento de tecnologia e cultura maker do planeta, fosse já como expositora, e ainda mostrando seu TCC, para um público superior àquele que ela apresentou na escola, quando concluía seu curso. “Mas foi legal ter a oportunidade de conhecer pessoas com projetos incríveis e ter um espaço maravilhoso para a divulgação. Além de palestras, mentorias e workshops que participamos“, completa a cientista.

Para conhecer mais sobre o projeto Missão Exoplaneta, basta acesse o site oficial ou então pelo Twitter.

Por Patrícia Visconti

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