No último sábado, 22, Johnny Hooker se apresentou no teatro do Sesc Belenzinho trazendo músicas de seus dois álbuns e seu lançamento mais recente, do segundo semestre de 2019, “Escolheu A Pessoa Errada Para Humilhar”.
Johnny traz um show que não deixa ninguém se arrepender de ter trocado o bloquinho pelo ambiente fechado. Com ritmos alegres e letras que fazem você viajar nos sentimentos, desde a saudade de um amor até o empoderamento, o cantor levou o público ao delírio. O show, que originalmente tinha cadeiras marcadas, aconteceu na beira do palco, com todos dançando e comemorando o momento, se conectando com o músico e com os demais.
O ambiente foi de festa, foi de carnaval mas também foi de protestos contra injustiças à classe artística e ao Brasil de 2020. Mas mesmo em meio a gritos de tristeza, as músicas voltavam a levar os fãs ao carnaval. Sim, fãs, todos sabiam o repertório completo na ponta da língua, assim como as coreografias. Em entrevista, o cantor falou sobre o carnaval, seu novo álbum e o Brasil:
O Barquinho Cultural – Como é ficar em São Paulo no carnaval?
Johnny – Eu acho que o carnaval de São Paulo tem crescido bastante né. Tem melhorado, porque quando a gente vem de Recife a gente tem essa cultura de carnaval muito grande, muito forte, muito arraigada em quem a gente é. Mas como eu moro aqui, é sempre bom ver essa festa crescer e florescer e tá fazendo parte dela, de uma maneira ou de outra. No carnaval passado a gente tocou num show aberto no Vale do Anhangabaú, agora fazendo aqui no Sesc, mas é bom estar fazendo parte da festa. É ruim que tá chovendo e tá frio né, ai isso é ruim.
OBC – Em outra entrevista, você disse que nem todas as suas músicas são baseadas em experiências suas. Qual é a sua maior inspiração para escrever?
Johnny – Sim. Acho que o que mais me inspira é o Brasil, a nossa cultura. A cultura Latino-americana é muito passional, muito intensa, a gente tem essa coisa da passionalidade né, de viver os amores com muita (gesto). Isso é muito lindo, isso é muito único. E eu acho que é isso, os ritmos brasileiros.
OBC – Foi sua inspiração para o primeiro álbum?
Johnny – Eu acho que o primeiro álbum ele é muito Recife, porque, enfim, foram os anos que eu morei lá. Mas sim, claro, todas esses, ritmos, o brega, o frevo, o axé, o Brasil. Que apesar de ser conservador, autoritário e fascista em algumas partes, também é mágico e inspirador e libertário. Vários países num só (risos)
OBC- E o próximo álbum? Já tem uma ideia do que vai ser?
Johnny – Estávamos ouvindo ele aqui agora, partes dele (risos). Já estamos fazendo, já tá num processo adiantado, sai ainda esse ano e é um disco, uma nova versão: Johnny apaixonado pela vida agora. É mais sobre sexo, sobre prazer, sobre festejar as liberdades individuais. Que eu acho que a primeira coisa que o conservadorismo ataca são as liberdades individuais, a liberdade de expressão, a liberdade de ser quem você é, expressar sua identidade, sua sexualidade. Então é um contra feitiço contra essa galera das trevas, essa galera que se sentiu representada, autorizada agora a sair do esgoto de onde eles nunca deveriam ter saído (risos)
OBC – Como você vê seu trabalho no Brasil de hoje?
Johnny – Eu acho que fazer arte e comemorar nossa cultura é mais importante do que nunca agora. Tá festejando, tá beijando na boca, tá vivendo é a coisa mais importante que a gente pode fazer agora. Porque no momento em que tudo dá errado, é um momento de união, é um momento de tá junto, de tá celebrando a nossa identidade pelo que ela representa de diverso e de potente.
OBC – Tá positivo para o Brasil?
Johnny – Não (risos)!
OBC – Nem pro futuro?
Johnny – Nem pro futuro (risos). Mas a gente continua fazendo arte, porque a arte é pro futuro né. Por isso que é mais importante do que nunca agora estar fazendo arte. Mas eu acho que vai demorar pra gente sair desse buraco.
Por Gisele Augusto





