Djonga canta suas origens e denuncia genocídio negro em seu novo álbum

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Para os fãs do hip-hop nacional, 13 de março foi dia de Djonga. Neste dia em 2017, o rapper mineiro lançou seu primeiro disco Heresia. No mesmo dia em 2018 foi a vez de O Menino que queria ser Deus, seguido de Ladrão em 2019. Este ano não foi diferente. Na última sexta feira, o rapper disponibilizou em seu canal de Youtube seu novo álbum Histórias da Minha Área, que até esta última segunda-feira, já acumulava mais de 11 milhões de visualizações.

Como nas obras anteriores, o novo álbum tem como tema central o genocídio do povo negro e o aparthaid social. Nas faixas, Djonga também canta suas origens e sua família, e igual nos trabalhos anteriores, ele não parece ter o menor interesse em ser subjetivo, colocando o dedo na ferida. Logo na primeira música, O Cara de Óculos, que tem participação de Bia Nogueira, o rapper faz uma revisita a sua história e já manda “Essa é a prova que os opostos se atraem/ Igual polícia e um preto na parede”. E a coisa só escala nas músicas seguintes.

Em comparação aos álbuns anteriores, Histórias da Minha Área, parece ser mais de afirmação. Orbitando em vários estilos e experimentando mais, as músicas parecem muito diferentes uma das outras, mas conseguimos sentir a todo momento um fio condutor. Da ostentação em alguns momentos a quase melancolia em outros, da batida do rap mais tradicional até uma vibe do funk paulista, cada faixa é única e ao mesmo tempo faz parte do todo.

Um destaque é a faixa Hoje Não, que foi lançada junto com um clipe com várias referências. Desde o enquadramento de câmera dentro de um cano, dando a impressão que os pretos do vídeo são sempre um alvo, a menina, muito parecida com Ágatha, a criança de 8 anos baleada e morta pela polícia no complexo do Alemão em 2019 e o final que vem acompanhado com uma quebra de expectativa incrível. E se a referência não ficou clara o suficiente, ele ainda diz “Perguntam se eu não me arrependo do que tenho dito/Mas não se arrependem de Jenifers, Kauãs e Ágathas, que soa com a sutileza de um tapa na cara.

Mais maduro, Histórias da Minha Área é a consolidação de Djonga como um dos maiores nomes do rap nacional e tem direção. Se dá para todo mundo curtir o som, ele é claramente feito para a negritude e a periferia. Com participações especiais de MC Don Juan, Bia Nogueira, Cristal, NGC Borges e FBC, o disco não foge do padrão dos últimos três, ao mesmo tempo que parece ser algo totalmente novo. As faixas já estão disponíveis nas diferentes plataformas de streaming.

 

Por Rafael De Paula

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