“A Jornada” – Novo filme espacial com Eva Green faz recorte sensível sobre maternidade e ascensão profissional

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O espaço e os astronautas são assuntos recorrentes dentro dos estúdios cinematográficos de Hollywood, afinal há décadas o tema tem despertado a curiosidade do público. Mas, apesar desse tipo de enredo estar um pouco saturado em A Jornada vemos uma abordagem diferenciada.

O longa-metragem dirigido por Alice Winocour (Augustine) conta a história de Sarah, uma astronauta francesa que se prepara para uma importante missão no espaço. Durante o processo de treinamento de Sarah e seus colegas, acompanhamos os desafios profissionais e os dilemas da maternidade enfrentados pela personagem que constantemente se vê dividida entre sua carreira como astronauta e a dura realidade de ter que deixar sua filha na Terra.

O mundo não é justo com as mulheres, e Eva Green (Penny Dreadful) deixa isso bem claro ao dar vida a Sarah Loreau. Com sensibilidade e força, a atriz se destaca na pele da astronauta que precisa o tempo todo se provar capaz dentro de um ambiente profissional predominantemente masculino.

Logo nas primeiras cenas do filme fica nítido o quanto a personagem é julgada por suas escolhas profissionais e diminuída pelo simples fato de ser mulher. O preconceito de gênero se intensifica à medida que o treinamento da astronauta vai ficando mais intenso e exigindo cada vez mais do seu físico.

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Entretanto, ainda que a foça do seu corpo, sua capacidade de ser menos emocional, seu papel como mãe e até mesmo suas escolhas em relação ao seu período menstrual sejam questionadas por homens a sua volta, a personagem dificilmente cai nas armadilhas de se mostrar abalada na frente de todos.

Um momento que exemplifica bem a tentativa de manter uma postura de durona é quando Sarah com saudades da filha e exausta chora silenciosamente de dor ao examinar uma ferida inflamada em sua perna, mas não deixa que o médico veja seu rosto.

Esse lado mais humano e intimo da personagem é frequentemente visto pelo público nos cortes em que Sarah se encontra sozinha, mas somente é conhecido pelos demais personagens quando a mesma expõe sua relação com a filha ou quando começam a aceitar sua presença.

O roteiro do longa francês concilia e conecta de maneira sutil e eficiente o dilema de uma mulher que busca ser uma astronauta perfeita e uma mãe exemplar.

Contudo, mesmo que os momentos da Sarah astronauta rendam cenários bem interessantes, é a relação de mãe e filha que mais cativa o expectador que sofre com a tentativa de uma mãe em se manter presente na criação da filha e até com isolamento de contato físico entre ambas.

Em A Jornada a temática espacial oferece um belo plano de fundo para a verdadeira trama se desenrolar. A personagem de Eva Green não é apenas uma homenagem as cientistas da vida real que fizeram a diferença nas missões espaciais mais importantes da história, mas sim uma homenagem para todas.

O longa de Winocour conversa diretamente com a causa feminista e com as mulheres que enfrentam com coragem todas suas escolhas de vida, inclusive, a de ser mãe e uma profissional de sucesso, pois sabemos muito bem o quanto o papel da mulher na sociedade em pleno século XXI ainda segue um padrão machista e ultrapassado.

 

Por Gabriela Garcia

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