O universo irreal de Amélie Poulain através das cores

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O Fabuloso Destino de Amélie Poulain é um filme francês de 2001, estrelado por Audrey Tautou, dirigido por Jean-Pierre Jeunet e com direção de fotografia de Bruno DelBonnel. A história gira em torno de Amélie, uma jovem cheia de peculiaridades e detalhes que tem sua vida transformada ao encontrar uma caixa repleta de recordações que uma criança havia escondido anos atrás, dentro de seu apartamento.

Não se pode negar que o filme foi um sucesso. Entre as dezenas de indicações, estão a de Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia ao Oscar, e Melhor Fotografia no BAFTA. É inegável os acertos de Jean-Pierre Jeunet, que até hoje colhe frutos pelo grande feito. Para ele, a realidade é muito cruel, o que o fez criar imagens fantasiosas no filme sobre a realidade.

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O filme possui uma paleta de cores bem específica e, em sua grande maioria, se passa em verde e vermelho. A escolha dessas cores, claro, não foi aleatória. Por se tratar de cores complementares, ou seja, cores opostas no círculo cromático, tal contraste gera uma sensação de força e equilíbrio. Todos os personagens do filme vestem tons de verde ou vermelho, ou possuem objetos significativos nessas cores, como a caixa de ferramenta do pai de Amélie, ou a bolsa de sua mãe, ambos na cor vermelha e retratados como sendo muito íntimos, no começo do filme.

Tais cores são apresentadas no longa juntas, ou sozinhas, em cenas monocromáticas e também tiveram inspiração, além das experiências e lembranças do diretor, nas obras de um artista brasileiro, Juarez Machado, que utiliza essa mesma paleta de cores em suas peças. Os quadros do artista marcam presença em diversas cenas no filme.

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As cores dão vida aos sonhos e inspirações de Amélie, e a partir delas podemos compreender a maneira diferente com que ela vê o mundo. O verde é apresentado com cargas positivas e negativas. Na psicologia das cores, a cor pode significar calma, proteção e segurança, o que mostra o quanto a protagonista é otimista e acredita no melhor das pessoas.

Também traz a questão da saúde e vitalidade nos vegetais frescos e na carne estragada e a dualidade de Amélie, que não é necessariamente algo ruim. No começo do filme, sua vida mostra-se calma e sozinha, mas tudo muda ao encontrar a caixinha de segredos de uma criança do passado e a faz encontrar uma outra maneira de viver e querer ajudar os outros. A paixão de Amélie e Nino também pode ser representada pela cor verde, em relação a esperança dos sentimentos, e no primeiro beijo dos personagens, ambos vestem a cor.

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O vermelho, a cor mais quente e carregada emocionalmente, que em outras ocasiões podem remeter a guerra e fúria, no filme representa perfeitamente a intensidade e paixão da personagem como também a sua impulsividade. Enquanto esperamos que a cor esteja associada ao barulho, essa carga “negativa” não é apresentada no filme. Pode ser observado que o uso do vermelho e de cores saturadas, como o amarelo, aparecem em cenas em que Amelie ajuda alguém e essa pessoa sofre mudanças, como também no episódio em que ela encontra Nino.

Ao longo de todo filme, nota-se que as cenas possui um filtro amarelo. A cor é notada de como uma luz suave e amarelada, que causa uma sensação de calor, o que combina com as atitudes da protagonista, que não são nada frias, como também traz um tom otimista, já que o amarelo associado ao sol, traz uma energia vital, que pode ser observado nas cenas externas. As tonalidades que as cores são representadas também são essenciais para análise. O amarelo em tons pastéis, por exemplo, são mostrados nas cenas dos pais de Amélie, que demonstra toda sua fraqueza e a falta de afetuosidade.

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O verde combinado com as cores quentes, vermelho e amarelo, junto ao contexto do filme e claro, não esquecendo a trilha sonora, compõem um ar de felicidade no filme todo, mesmo em cenas trágicas, que acabam se tornando cômicas, como a morte da mãe de protagonista, que teve o azar em sair da igreja no mesmo momento em que alguém resolveu pular lá de cima. O vermelho, que não é uma das cores preferidas para estar em quartos, no quarto de Amélie, compõe total harmonia ao estar junto dessas outras cores. Ainda que as cores destoam de uma realidade comum, contribuem para a construção de um universo único.

 

Por Geovana Miranda

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