A música é um das atividades culturais mais versátil, pois ela se acomoda e completa qualquer outra obra, seja literária, cinematográfica ou quadrinística, somando e dando vida a produção e compartilhando de sentimentos inerentes e singulares entre o público. E assim, como os sons rotineiros que escutamos no decorrer de nossas vidas, parece que conforme passa os anos, eles acabam tendo forma e cheiro, ganhando uma afetividade significativa e específica aos ouvidos de cada um.
“Sempre achei que música e quadrinhos se completam de alguma forma orgânica, ainda que bem diferentes entre si. O ritmo visual de cada página nos sugere um clima e imagens sonoras que enriquecem, na mente, essa leitura silenciosa. Savants of Sounds eleva isso à máxima potência, pois a música é a vida e a própria existência dos personagens, com suas alegrias e angústias sonoramente humanas”, explica o responsável pela arte do projeto, Abel.
Baseado nesses sons e na imaginação, o quadrinista paulista Gabriel Arrais está prestes a lançar o segundo volume da coletânea Savants of Sounds, em um enrendo que irá aproximar os sons habituais do dia-a-dia de uma forma física e quase real, tornando interativo entre as pessoas e influenciando a imaginação, diante a uma mundo tão cético e frio, trazendo a paixão e emoção de lembrar do som da água caindo enquanto sua mãe tomava banho, ou então, o som do
motor do carro do seu pai se aquecendo para sair da garagem.
“Dividimos Savants of Sounds em quatro partes. Já que o gibi apresenta personagens que se originaram a partir de instrumentos musicais, estruturei a história como uma boa canção pop, na qual o primeiro capítulo foi a Intro, agora teremos o Verso, e os próximos serão Refrão e Solo. Seguindo a linha de Necromorfus, Savants também tem ritmo cinematográfico, muitos easter eggs, referências a músicas e cultura pop”, conta Gabriel Arrais.
Como dito acima pelo Gabriel, essa minissérie será divida em quatro partes, onde na primeira parte da história, um personagem influenciado pelo som das guitarras, o Boddah, se desloca seu corpo para qualquer lugar que alguém esteja tocando o instrumento, mas hoje em dia nem todo mundo têm a imaginação fértil que consegue vê-lo, e sua vida se resumia em tédio e indiferença. Até que ele conhece Stella, uma mulher que enxergar.
Diante as descobertas e um aplicativo de controle climático e um tsunami que dizima a costa do Haiti, um novo som é apresentado à trama, Lady Acqua, a personaficação do som das águas que vai lutar com todas as forças para que o culpado pague por isso.
Em suma, essa é uma obra distinta, que coloca não apenas a imaginação em prática, mas as observações de rotina em evidência, mostrando que um som pode significar tanto quanto as ações de cada indíviduo.
O projeto encontra-se disponível no financiamento coletivo, com roteiro de Gabriel Arrais e ilustrações por Abel, e essa nossa HQ pode ser adquirida junto com a primeira edição, com a graphic novel Petrus ou com qualquer uma das edições já lançadas de Necromorfus.




