A autora e jornalista Maria Carolina Cristianini publicou, no final de 2025, o livro Rita e a coragem de ser quem se é, uma leitura infantil que aborda assuntos importantes, como a intolerância religiosa e o papel
das escolas em proporcionar um ambiente seguro e respeitoso às crianças, independentemente de sua fé.
O livro conta a história da jovem Rita, uma adolescente negra nascida e criada na Umbanda, que, ao chegar a uma nova escola, percebe olhares motivados por sua religião, o que lhe gera medo e insegurança. Em uma leitura leve, com belas ilustrações de João Muniz e uma ótima mensagem.
A obra é recomendado não apenas para famílias de religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, mas também para quem professa outras crenças. Afinal, viver em um país como o Brasil significa encarar uma grande mistura de etnias, religiões e culturas desde o momento em que pisamos para fora de casa e, na escola, não é diferente.
Em Rita destaca-se a importância do papel dos adultos na superação de qualquer preconceito que uma criança possa ter. Ninguém nasce preconceituoso; muitas vezes o preconceito é fruto da falta de conhecimento sobre determinado assunto.
Por isso, o papel dos adultos vai muito além dos pais: as escolas também têm um papel essencial ao mostrar à juventude em desenvolvimento que vivemos em um lugar diverso, conscientizando e combatendo o racismo religioso, um crime frequentemente cometido em nosso país, indentificando a importância da família em momentos de medo e dúvida, além da necessidade de que pais e filhos tenham confiança e diálogo aberto entre si.
A autora, Maria Carolina Cristianini, também é umbandista e se inspirou em uma história real de racismo religioso ocorrida em escolas: uma criança de 4 anos desenhou Iansã e isso causou incômodo no pai de outra aluna, que levou policiais armados para dentro da escola. O caso é real e reflete o quanto são necessárias histórias como a de Rita para o crescimento de uma sociedade antirracista.
por Richard Henrique

