Rolagens intermináveis em feed que parecem todos iguais, algoritmos desenfreados, notificações que não param, e uma vida inteira olhando para uma pequena tela, em busca de contentamento rápido e fácil, mas a única coisa que recebemos são crises agravadas de estresse e ansiedade, enquanto o contato real é cada vez mais frio e raso, sem conversas profundas e interações verdadeiras, pois as IAs ficaram mais íntimas do que as pessoas.
Hoje, o mundo on-line deixou de ser um refúgio e passou a ser um ambiente competitivo, tóxico e agressivo, que descarregam as informações em cima das pessoas, que mal têm tempo para digerir e interpretar. Dando a sensação de multifaces e poucas ideias, construindo um mundo despretensioso e dissimulado, em que tudo vira negócio e pensamentos excessivos são transformados em transtornos físicos e mentais, que levam a exaustão extrema e ao esgotamento crônico.
Estudos provam que a geração Z é a que mais se apega ao mundo analógico, e mais de 60% dos nascidos entre 1995 a 2010 gostaria de ter vivido em uma época com menos conexão digital, reconhecendo que o excesso de tecnologia por gerar impactos negativos à saúde mental. Por isso que muitas pessoas estão preferindo se desconectar, e voltar ao mundo analógico, buscando mais conexão com a vida real e entretenimentos que estimule à concentração e a emoção, visando aliviar o cansaço atribuído as notificações diligentes que nos prendem num looping infinito de postagens constantes que cansam a vista, a mente e a vida, nos prendendo nessa rede perniciosa de hostilidade e conteúdos desenfreados, que nos consome diariamente.
Para remediar o acesso contínuo às redes, a dosagem de horas frente às telas têm sido algo benéfico dessa geração, que preferem desligar seus aparelhos nos momentos para se conectarem consigo mesmo. Como os cinemas, que ultimamente tem voltado a ser um dos programas favoritos, ficando horas sem ver notificações, nem responder mensagens. E tampouco, rolam a tela em busca de estímulo instantâneo, apenas sentam na sala escura e são levados a um entretenimento genuíno e visceral, e são estimulados a um contentamento válido, e sem sentirem cansados e improdutivos, realizando um momento único e significativo de descanso e bem estar.
Há ainda quem prefira aproveitar os momentos off-line, como em shows e festivais, com suas câmeras fotográficas analógicas, ao invés de ficarem apenas em ‘lives’ nas redes sociais. Ainda, há quem adentre aos trabalhos manuais, como tricô, crochê, pintura, ou ainda a escrita e a leitura, tornando a desconexão cada vez mais comum e o mundo on-line deixa de ser prioridade na vida que acontece de verdade. Enquanto rolamos nas linhas do tempo intermináveis, em telas exaustivas e sobrecarregadas, sob um ambiente hostil e inebriante, que fascina no início, mas causa dependência e incômodos irreversíveis ao desenvolvimento social e principalmente pessoal, fazendo com que as farmácias fiquem tão cheias quão o acúmulo de informação que nos inunda cotidianamente.
por Patrícia Visconti




